Quarta-Feira, 18 de Outubro de 2017, 12h:14

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Juíza Selma Arruda confirma ameaça de morte e ex-deputado José Riva rechaça denúncia

Por: PABLO RODRIGO

A juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, classificou a denúncia feita pelo cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Correia Junior, de que a magistrada teria inventando uma "estória cobertura" de um atentado como "absurdas". 

 

Alan Cosme/HiperNotícias

selma arruda

 

"É um absurdo essas declarações porque realmente houve uma denúncia de atentado contra a minha vida. Houve uma denúncia de que uma pessoa próxima ao Riva que disse que eu 'cheirava defunto'. Agora nunca houve um caso de denúncia envolvendo o Riva e o Sival juntos. E muito menos me lembro de ter conversado com esse cabo", disse a magistrada ao HiperNoticias.

 

De acordo com Selma Arruda, após conversar com seus assessores, ninguém afirmou que tenha conversado com o cabo Gerson. "Eu contactei os meus assessores e ninguém conversou com o Cabo Gerson não. Isso nunca existiu", complementou.

 

A magistrada ainda informou que não teve acesso ao depoimento e por isso não poderia falar mais sobre o assunto.

 

José Riva

 

Já o ex-deputado estadual José Riva disse que jamais ameaçou ninguém. "Quem me conhece sabe que jamais ameaçaria qualquer pessoa, seja juíza ou quem quer que seja. Sou cristão e não admito isso", afirmou Riva.

 

"E quero lembrar que quando recebi uma mensagem de uma pessoa que se propôs a explodir o Tribunal de Justiça e a Vara dela, eu fui o primeiro a ir no Ministério Público e denunciar", complementou.

 

O ex-parlamentar também disse que, se realmente a magistrada foi ameaçada, que ela venha a público e fale o nome da pessoa. "A juíza

Alan Cosme/HiperNoticias

jose riva

 

tem que falar quem é essa pessoa próxima a mim que ameaçou ela. Porque só podemos acusar algo se temos prova e que se fale a verdade", disse.

 

Porém, Riva acredita que Selma Arruda jamais inventaria uma estória para grampeá-lo. "Eu não acredito nessa história. Ainda mais vindo de uma juíza séria. Porque isso feriria mortalmente o princípio democrático das instituições. Mas espero que ela fale o nome de quem a ameaçou", concluiu.

 

Silval

 

A nossa reportagem entrou em contato com a defesa do ex-governador Silval Barbosa, mas ninguém quis comentar sobre o assunto.

 

DEPOIMENTO 

 

O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Correia Junior, afirmou em seu depoimento aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio henrique Stringueta que o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), sob o comando do então promotor de Justiça Marco Aurélio Castro, teria inventado uma "estória cobertura" para realizar interceptações telefônicas em uma investigação contra o ex-governador Sival Barbosa (PMDB) e o ex-presidente da Assembleia Legislativa (ALMT), José Geraldo Riva.

 

cabo gerson luiz

Cabo da PM, Gerson Correa Júnior

Para "validar" os grampos ilegais, foi criada, segundo Gerson, uma trama de atentado contra a vida da juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda.

 

"Revelação de uma irregularidade ocorrida em investigação promovida pelo GAECO/MT com anuência do então coordenador, promotor de Justiça Marco Aurélio Castro, quando este determinou ao interrogado Gerson Correa, que criasse uma estória cobertura para dar início a uma interceptação de pessoas suspeitas de tramarem a morte da Drª Selma Arruda, juíza de Direito Titular da 7ª Vara Criminal desta Comarca", diz trecho do depoimento do Cabo da PM.

 

Ainda de acorco Gerson a magistrada participou do repasse das informações para a estória cobertura.

 

"Segundo o interrogado Gerson Correa, a Drª Selma Arruda foi quem lhe passou as informações sobre essa trama, as quais lhe foram levadas por uma assessora de outra vara desta Comarca, cujo suspeitos eram o ex-governador Silval Barbosa e o ex-deputado estadual José Riva; para poupá-la de ser implicada como a fonte da informação, houve a montagem dessa estória cobertura com o conhecimento dela", revelou Correa.

 

O depoimento de Gerson ocorreu no Complexo Miranda Reis da Polícia Civil na última segunda-feira (16)e antes da notificação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegasse oficialmente aos delegados, o que ocorreu somente às 20 horas no mesmo dia.

 

O ministro Mauro Campbell solicitou que todos os processos de investigação dos grampos telefônicos fossem remetidos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

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