Sábado, 24 de Junho de 2017, 17h:40

Tamanho do texto A - A+

Juiz afirma que projeto é marco no processo de ressocialização e modelo a ser seguido

Por: JESSICA BACHEGA

Um projeto pioneiro, realizado pela Penitenciária Central do Estado (PCE) em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), visa o oferecimento de graduação a detentos. O juiz da Vara de Execuções Penais, Geraldo Fidélis, afirma que o projeto piloto implementado na Penitenciária Central do Estado (PCE) para oferecer curso superior a detentos é um marco e um padrão a ser seguido pelo sistema prisional nacional.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

juiz geraldo fidelis

 Juiz Geraldo Fidélis

Para o magistrado, a iniciativa é um grande passo rumo ao sonho da ressocialização mais efetiva e um marco para a mudança de cenário nas unidades prisionais.

 

“Esse é um sonho que está sendo concretizado. É um grande avanço para que essas pessoas possam se capacitar. Possam aproveitar melhor o tempo. Refletir sobre o erro cometido. Estudar também para que quando tenham oportunidade de liberdade possam viver com honestidade e respeito perante a sociedade”, afirma o magistrado.

 

O projeto, que está em fase de implantação de curso de graduação à distância, irá contemplar 18 presos e é o primeiro do segmento em todo o país.

 

O espaço já foi garantido e o curso definido junto a universidade. O próximo passo é a assinatura de termo de cooperação com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) para que as aulas comecem ainda em meados de julho.

 

Conforme o diretor da PCE, a graduação oferecida é em Administração Pública. Cem presos com bom comportamento, que já participam de projetos na penitenciária, poderão fazer o vestibular, e, desses,18 serão selecionados para compor a primeira turma do projeto.

 

“Nossa experiência é de que não há educação sem disciplina. Já implantamos a disciplina e agora iremos oferecer a educação. O projeto é para aqueles que queiram. Eles já receberam a disciplina, a educação básica e agora vão para a graduação, para quando receberem seu alvará de soltura possam sair com outra mentalidade para a sociedade e ter melhores oportunidades”, explica o diretor da PCE, Regis da Rocha.

 

O diretor avalia ainda que muitos presos passam sete, dez anos reclusos e saem com grandes dificuldades de reinserção no mercado de trabalho. Com a oportunidade de realizar o curso, o detendo cumpre sua pena e sai com grau de instrução maior do que quando entrou, possibilitando que consiga emprego e não volte para a criminalidade. 

 

Para a reitora da UFMT Myrian Serra, o projeto não é inovador apenas para a UFMT e ou para a PCE, mas para todo o sistema prisional. “É um desafio. Uma proposta ousada e corajosa também da universidade. Estamos plantando isso hoje e espero voltar aqui na aula inaugural”, salienta.

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei

Leia mais sobre este assunto