Sexta-Feira, 14 de Setembro de 2018, 17h:05

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Mãe de Rodrigo passa mal e recebe atendimento médico em fórum

Por: JESSICA BACHEGA/WILLIAN BELTER

Os pais do aluno soldado do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Claro, são interrogados nesta sexta-feira (14) em ação que investiga a morte do rapaz, ocorrido em 2016, em treinamento na Lagoa Trevisan. A autoria do crime é atribuída à tenente Izadora Ledur

 

Alan Cosme/Hipernotícias

Soldado Thiago Serafim ledur

 

Antonio e Jane Claro são testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPE), juntamente com os  ex-alunos Thiago Serafim e Maurício Júnior dos Santos, bem como o tenente coronel  Wilkerson Adriano ouvidas nesta tarde. Outros alunos que participam da mesma turma de treinamento que Rodrigo foram ouvidos e declararam o abuso praticado pela tenente Ledur.

 

A ação tramitava na Sétima Vara Criminal, mas foi remanejada para a Décima Primeira Vara Criminal e Justiça Militar, sob a relatoria do juiz Murilo Mesquita. A mudança tornou a tramitação mais demorada.

 

O primeiro a ser ouvido é o tenente coronel, que não estava no dia da fatalidade, mas prestou depoimento à polícia como especialista. Ele afirma que a Lagoa é um lugar adequado para o treinamento, mas que os "caldos" que a oficial Ledur teria praticado contra os alunos não são procediementos adequados.

 

A testemunha afirma ao promotor Allan Du Ó, que acompanha a audiência, que não há punição quanto a realização do que o instrutor cobra. "Há que se ter respeito mútuo entre alunos e militares”, afirma o tenente coronel.

 

O oficial afirma que já trabalhou com a tenente Ledur que ela é muito exigente, mas que nunca soube de nenhum desvio de conduta.

 

Alan Cosme/Hipernotícias

jane claro ledur

 Mãe de Rodrigo Claro

A segunda testemunha é o ex-aluno Maurício, que confirma os abusos por parte da oficial. Ele participava do curso com Rodrigo, mas desistiu por conta dos excessos da instrutora Ledur. "Meu sonho foi destruído por ela, um mês antes da minha formatura", declarou o ex aluno . "Eu pedi pelo amor de Deus me solte, para que tu vai me matar", relatou Mauricio.

 

A testemunhas conta que desmaiou durante os treinamentos e que foi xingado pela tenente dentro da ambulância que o socorreu. Ele relata que o pelotão em que estavam era "visado" e perseguido pelos oficiais. 

 

O soldado Thiago Serafim Vieira participou do mesmo curso que Rodrigo e se formou em dezembro de 2016. Ele conta que Ledur era exigente e intimidadora. Que tratava os alunos "como lixo". Afirma que viu os ataques da oficial contra o aluno e que a perseguição começou quando Rodrigo apresentou atestado por problemas no joelho. Afirma que a instrutora perseguia aqueles que tinham dificuldade no treinamento. "Eu via um ar de felicidade quando ela fazia isso. Ela parece que gostava que tivessem medo dela", contou a testemunha.

 

A mãe de Rodrigo, Jane Claro, começa a depor e conta que o filho reclamava das perseguições da tenente. Que mesmo sabendo das queixas ela o incentivou a continuar o curso. Ela relata que não imaginava do que a oficial seria capaz. "Eu incentivei meu filho a continuar. Se eu imaginasse o que poderia acontecer eu pedia para ele desistir (sic) ", lembra a mãe, muito emocionada. 

 

A mãe relata que o filho era muito saudável, que raramente ficava doente e que quando soube que ele estava internado ficou desesperada. Relata que rezou muito ao lado da cama do filho, nos dias em que ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e que os médicos disseram a ela que seria muito difícil o rapaz sobreviver. Caso ele acordasse, ficaria com muitas sequelas.

 

O último a depor é o pai do aluno, Antonio Claro, que também é bombeiro e morava com o filho em Cuiabá na época do acidente. Ele lembra o dia em que Rodrigo foi para o treinamento e, a tarde, recebeu a notícia de que ele estava na policlínica do Verdão. Ele conta que soube de tudo o que Ledur fazia com o filho pelos colegas. 

 

Enquando ouve o depoimento do esposo, Jane Claro passa mãe e precisa ser retirada da sala de audiência.

 

Antonio fala que em 23 anos de bombeiro nunca viu tamanha crueldade. Que os alunos passavam por nivalamento e que o assédio passou a ser praticado por Ledur nos treinamentos.

 

Ele conta que não consegue mais usar a farda dos bombeiros e lembra o dia em que o filho ligou para lhe contar o nome profissional que tinha escolhido. "Ele disse: pai, escolhi meu nome de guerra. Eu perguntei qual e ele disse: Claro, mesmo nome que o senhor". O bombeiro também relata que é comum que filhos de militares sejam mais cobrados que os demais alunos.

 

Desde a morte do aluno Rodrigo Claro, a tenete Ledur nunca de pronunicou sobre o caso. Ela está afastada do Corpo de Bombeiros por atestados médicos. Rodrigo morreu no dia 15 de novembro de 2016, 22 dias antes da formatura. 

 

O caso 

O jovem aluno começou a passar mal durante o curso de salvamento em mergulho realizado pelo 1º Batalhão dos Bombeiros na Lagoa Trevisan, que fica às margens da Rodovia Palmiro Paes de Barros, que liga Cuiabá a Santo Antônio de Leverger. A atividade era instruída pela tenente Ledur e supervisionada por outros oficiais que também figuram como réu na ação. 

 

Ele foi retirado do campo do curso e levado ao Batalhão, localizado no bairro Verdão, reclamando de fortes dores na cabeça. Primeiramente foi levado à policlínica.  

 

Na unidade médica, o aluno que é filho de um sargento do Corpo de Bombeiros, não apresentou melhora e precisou ser encaminhado para o hospital particular. Desde então, estava internado em coma induzido. O quadro de Rodrigo Claro, segundo laudo apresentado 24h após sua internação, era de aneurisma cerebral. 

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