Domingo, 11 de Março de 2018, 12h:00

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"Foco no sistema do Gaeco é tentativa de tumultuar processo", diz promotor

Por: JESSICA BACHEGA

O promotor de Justiça Milton Merquiades observa que há uma “cortina de fumaça” sobre a as versões contadas pelas testemunhas e teses defendidas pelos advogados de investigados no esquema de grampos clandestinos no estado. Para o ele, há foco excessivo nas escutas registradas no sistema guardião numa tentativa de desviar a atenção do que realmente aconteceu.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

promotor milton  merquides

 Promotor Milton Merquiades

Durante a audiência desta sexta-feira (9), o promotor explicou que todas as escutas telefônicas executadas são obrigatoriamente autorizadas pela Justiça, porém nem todas elas são transmitidas ao sistema guardião que é usado para interceptações em investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Algumas apenas são desviadas para telefones fixos ou móveis aos quais os analistas de áudio acessam.

 

“Essas escutas não passaram pelo Gaeco. Qualquer tentativa de envolver o Gaeco nisso é mera má fé ou estratégia de defesa. É um tentativa de tumultuar o processo. A estratégia a gente combate no processo”, afirma o promotor.

 

Merquiades ainda ressalta que muito tem se falado no uso do Guardião e na perícia ao sistema, porém se as escutas ilegais não passaram pelo sistema, tal auditoria não encontraria os números grampeados ilegalmente. “O coordenador do Gaeco me garantiu que nenhum desses números citados na ação passou pelo guardião”, afirmou. 

 

O promotor ressalta que o foco no sistema de escutas pode ser uma tentativa de buscar a anulação de operações anteriores deflagradas pelo Ministério Público Estadual (MPE), porém tal pretensão não será atingida. “Todas as operações estão amparadas em decisão judicial. Não existe nenhum caso de barriga de aluguel envolvendo o Gaeco ou o Ministério Público. Então a pretensão pode até existir, mas o resultado não será alcançado, que é a nulidade”, afirma.

 

O representante do MPE afirma que logo que foi divulgado o esquema de grampos houve a tentativa de atribuir culpa ao Gaeco e ao MPE, indevidamente. Porém , no decorrer do processo a tese perdeu força.

 

“Não temos nada a esconder. Sempre trabalhamos de uma forma limpa e transparente e, no final de tudo, a verdade virá à tona e as pessoas que forem culpadas irão responder pelos seus atos”, frisa o promotor. 

 

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