Sábado, 19 de Novembro de 2016, 08h:20

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Família considera branda a condenação de homem que torturou mulher até a morte

Por: MAX AGUIAR

A mãe de Bruna Thalita da Silva Brito, 18 anos, Alda Campos, assassinada pelo marido Rômulo Erani do Carmo, 25 anos, considerou branda a pena de 15 anos imposta pelo Conselho de Setença. O condenado negou o crime que ocorreu em 2015. A jovem foi morta por asfixia após passar por várias horas de tortura em um rio na região do Coxipó do Ouro.  

 

Segundo Rômulo, a vítima 'era o amor de sua vida'. Ele jura não ter motivo para matar a ex-esposa. Condenado pelo crime de feminicídio, a contagem da pena deixou a família de Bruna desesperançosa por Justiça.

 

"É uma pena branda. Pelo que ele fez com minha filha merecia mofar na cadeia por pelo menos 50 anos. Não tenho espírito para perdoar o que ele fez. Minha filha é torturada, afogada e asfixiada, aí o 'bonito' é julgado e pega 15 anos de cadeia. Do jeito que nossa Justiça é, ele não fica preso nem 7 anos", desabafou Alda Campos. 

 

Arquivo Pessoal

Rômulo Herani do Carmo

Bruna Thalita, segundo denúncia do MPE, foi torturada e morta pelo marido

Rômulo é o segundo réu condenado no último mês pela prática do feminicídio. Ele matou a companheira pelo simples fato de desconfiar de uma traição e não aceitar o fim do relacionamento.

 

“A pessoa que foi morta tinha o direito de ser alguém na vida e não um objeto sexual. O Rômulo começou a namorar com a vítima quando ela tinha menos de 14 anos e quando ela quis acabar com tudo ele a matou. Ele não deu oportunidade dela se defender, a torturou e acabou matando a mãe de dois filhos dele”, disse o promotor de Justiça, Jaime Romaquelli, no Tribunal do Júri.

 

A sentença de 15 anos foi proferida pela magistrada Monica Perri, presidente da 1ª Vara de Criminal de Cuiabá. Ela conduziu por mais de 10 horas o julgamento. Bruna foi morta em uma chácara na região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá.

 

O crime ocorreu em setembro de 2015. Segundo duas testemunhas do crime, Rômulo afundava e voltava a cabeça da vítima enquanto ela dizia “Para com isso. Eu não agüento mais. Chega, chega”, comentou as testemunhas perante aos jurados.

 

Parente de Bruna, Brenda Silva, comentou que felizmente se fez Justiça. “Ela era uma menina sonhadora, não merecia ter morrido desse jeito. Ele agora foi condenado, porém achamos muito pouco a pena que foi sentenciada”, disse.

 

A defesa do réu sustenta que o cliente jamais matou Bruna. A tese defendida durante os debates era de que Rômulo não torturou Bruna, mas sim a salvou de um afogamento. “Ela estava afundando e ele tentou a salvar, mas ela acabou morrendo. Os hematomas ocorreram porque ela se debatia e não conseguia deixar ele salvar”, frisou a advogada Vanessa Pinho Silva.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

caso bruna tribunal do jure

Réu, Rômulo (camisa branca) negou as acusações até o final da audiência

Pena branda

 

Segundo a mãe de Bruna, Alda Campos, foi muito pouco pelo que ele fez com a sua filha. “Eu não estou nem dormindo. Desde que minha filha morreu não tenho paz. Apesar dele estar preso, eu não consigo entender porque ele fez isso. Não tinha motivos. Apenas uma desconfiança. Acho que foi muito branda pela brutalidade que foi imposta para a Bruna”, disse a cuidadora de idosos.

 

A mulher ainda frisou que Bruna namorava com Rômulo sem o consentimento dela. “Na época, ela morava com o pai. Eu quando fiquei sabendo desse namoro logo acionei a Justiça. Mas ele sumiu com ela e só voltou quando a Bruna já estava grávida. Depois de um tempo, já tinha registro que ele batia nela. Processamos ele, mas nada adiantou, pois quando ela fez 18 anos ele casou com ela. Casou e matou”, contou a mãe.

 

Segundo Alda, Bruna morava em Santo Antônio de Leverger com o pai quando começou a ser ‘rodeada’ por Rômulo. “Ela morava com o pai porque eu me tratava para deixar de ser dependente química. Eu não sou mais usuária de drogas e agora a única coisa que eu quero é que meus netos venham morar comigo. Por que da vida da minha filha só me restaram eles. O pai deles está preso, mas logo sai. A pena foi muito branda”, explicou.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

caso bruna tribunal do jure

Promotor Jaime Romaquelli disse que o caso é semelhante ao caso Maiana

Os dois filhos de Bruno, um casal sendo um com três e outro com cinco anos, estão morando em um abrigo da Prefeitura de Cuiabá. Quando Bruna morreu e Rômulo foi preso, as crianças foram morar com a avó paterna, porém ela causava maus tratos às crianças e chegou até a queimar os netos.

 

“Já pedi na Justiça a guarda das crianças. Eu vou conseguir. Creio nisso. Por enquanto isso é a única coisa que eu quero agora. Minha vida mudou muito. Minha filha faz uma falta danada”, disse.

 

Justiça

 

O promotor de Justiça comentou que a pena do crime foi pequena, mas ao menos condenou um monstro. “A defesa quis transformar um assassino em herói. Que ele tirou ela da rua, que ele fez isso, que ele fez aquilo. Ele, para defesa, só não matou a jovem Bruna Thalita”, disse o promotor.

 

Romaquelli ainda lembrou que há exatos duas semanas a Justiça de Mato Grosso condenou três homens que causaram a morte de Maiana Mariano Vilela. “Esse caso só não é igual o da Maiana porque o maior causador não matou, mas mandou matar. Porém, a Bruna também era um objeto sexual. O Rômulo só queria ela para o bem bom e depois largava. Só casou com ela para não ser preso, porque ele era pedófilo e depois a espancava. A Justiça em casos de feminicídios está sendo feita. E espero que sirva de exemplo para outras famílias”, disse o promotor.

 

O crime

Alan Cosme/HiperNoticias

caso bruna tribunal do jure

Rômulo quer já estava preso, foi condenado há 15 anos de detenção

 

O crime teria sido motivado por ciúmes. Rômulo desconfiava que a vítima tinha um caso extraconjugal e, após passar o dia bebendo com a mulher, eles resolveram ir para uma chácara na região do Coxipó do Ouro.

 

Uma testemunha ocular disse que o acusado a enforcou e, em seguida, afogou a mulher que gritou por ajuda e pedia para ele parar.

 

O crime aconteceu por volta das 22h do dia 15 de setembro de  2015. A vítima mantinha um relacionamento há seis anos com o acusado e tinha dois filhos com ele.

 

Uma testemunha afirmou que o homem afundava a cabeça da mulher na água e tirava, sempre perguntando com quem ela o traiu. Depois de mais de uma hora de tortura, o homem saiu da água e desesperado disse que Bruna tinha se afogado.

  

A equipe da polícia e do Samu estiveram no local e constataram que a vítima se encontrava às margens do rio. O médico que foi atender a ocorrência constatou que Bruna Thalita estava com luxação no pescoço, o que não condizia com o suposto afogamento e, sim, que fora assassinada pelo acusado com o emprego de asfixia mecânica, causada por esganadura, sendo sufocada até a morte, uma vez que a ofendida fora encontrada com múltiplas escoriações no pescoço semelhantes a produzidas por unha.

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