Quinta-Feira, 10 de Agosto de 2017, 11h:24

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Conheça as empresas investigadas por envolvimento e desvios nas obras do VLT

Por: JESSICA BACHEGA/ FELIPE LEONEL

Oito empresas foram alvo de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (9) em decorrência da Operação Descarrilho, que investiga desvios milionários das Obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). O transporte foi idealizado para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, mas está parado desde 2014.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

operação descarinho/policia federal

 Parte do material apreendido

Mídias, documentos e computadores foram recolhidos nos endereços alvos da Polícia Federal (PF), a fim de assegurar a integridade dos materiais e subsidiar o aprofundamento das investigações.

 

Confira abaixo as empresas citadas na denúncia do Ministério Público Federal.

 

Cohabita Construções Ltda - de propriedade de Aline Berghetti Simoni e Bruno Simoni, ambos são filhos de João Carlos Simoni, a empresa foi a principal recebedora de valores desviados por meio das obras do VLT. Somente no período compreendido entre 01/07/2012 e 13/03/2014, ela recebeu  R$ 16.2016.489,44 por meio de cheques de diferentes valores.

 

Além de Cohabita, fazem parte do mesmo grupo os empreendimentos Todeschini Construções e Terraplanagem e Constil Construções e Terraplanagem.

 

Conforme a investigação conduzida pela Polícia Federal, o valor recebido tinha como objetivo pagar uma dívida contraída por João Simioni, por meio de suas empresas para financiamento de campanha de Silval, em 2010. O empresário também é investigado na Operação Ararath. A Cohabita tem sua sede no bairro Bandeirantes, Cuiabá/MT.

 

 

 

Alan Cosme/HiperNoticias

multimetal

A empresa Multimetal está instalada em Várzea Grande, no bairro Cristo Rei

A Multimetal Indústria Metalúrgica BL Steel Ltda. firmou contrato para prestar serviços ao Consórcio VLT, pelo valor de R$ 11,5 milhões. Na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) não consta qual seria a função da companhia na construção. No entanto, no site da empresa, aparece uma foto de um terminal do VLT, que possivelmente seria construído entre Cuiabá e Várzea Grande. 

 

A empresa tem como proprietários legais, Altair Baggio e Guilherme Lomba Mello Assumpção, que são sócios-administradores, segundo informações do site da Receita Federal. Os dois também são réus na Operação Ararath, por lavagem de dinheiro, em esquema junto a Janete e José Riva. 

 

Apesar de Janete ter comprado 40% da empresa, pelo valor de R$ 3,5 milhões, pagos em cinco parcelas de R$ 700 mil, o nome dela não aparece no quadro social da empresa. A companhia, em seu site, afirma que está "entre as maiores empresas do país no segmento de estruturas". 

 

No entanto, sua sede, localizada em Várzea Grande, na Rua Benedito Paula de Campos, no bairro Cristo Rei, não tem faixada, fica localizada em uma quadra, com espaço bastante inferior, se comparado com empresas do mesmo seguimento, em Cuiabá. 

 

No site da empresa, mostra como uma das grandes obras feitas a construção da antena de TV da Assembleia Legislativa, além de participar das obras de reforma do Aeroporto Marechal Rondon, e outros consórcios que realizam obras públicas.

 

Caf Brasil Indústria e Comércio S/A a empresa atua no ramo de manutenção ferroviária e figuram como sócios Renato de Souza Meireles e Agenor Marinho Contente Filho. Segundo Silval Barbosa, os diretores se comprometeram a pagar propina de 8 milhões de euros ao grupo criminoso e estavam buscando recursos para tanto. Porém, não honraram com a promessa e não pagaram nenhum valor indevido. A CAF recebeu adiantamento de R$ 149.399.961,99  para a entrega de vagões. A empresa é investigada por formação de cartel e fraude em licitação de trens, em São Paulo. Tem sua sede no  prédio City Hall, Itaim Bibi - São Paulo/SP;

 

Consorcio VLT Cuiabá – Várzea Grande. A empresa é responsável pelas obras de construção do modal. Ela atua na construção de rodovias e ferrovias. Tem sem seu quadro de sócios Aloysio Braga Cardoso da Silva, C R Almeida S/A -  engenharia de Obras Caf Brasil Industria e Comércio S/A, Santa Barbara Construções S/A, Magna Engenharia Ltda e Astep Engenharia Ltda. Tem sua sede no Edifício Work Tower, Centro, Cuiabá-MT.

 

C R Almeida S.A. — Engenharia de Obras. Na investigação não há especificação sobre a ação de desvios e quanto pagou para o grupo criminoso. Ela é sócio de 10 outras empresas situadas no estado do Paraná, 1 em Rio Grande Do Sul, 1 em Distrito Federal, 13 em São Paulo, 2 em Amazonas, 1 em Amapá, 1 em Espirito Santo, 2 em Mato Grosso e 1 em Rio De Janeiro. Tem sua sede no bairro Batel , em Curitiba/PR.

 

Santa Barbára Construções- é especializada em construções, principalmente edifícios. Tem sua sede em Minas Gerais e faz parte do Consócio das VLT Cuiabá e Várzea Grande. Foi alvo de busca e apreensão, mas ainda não há detalhes sobre sua atuação no desvio investigado pela Polícia Federal. Tem como donos Humberto de Campos Maciel e Almir Pujoni. Está no mercado desde 1994.

 

Borbon Fomento Mercantil Ltda — Me e Aval Securitizadora de Créditos S.A. são empresas de factoring de propriedade de Ricardo Padilha Bourbon Neves. Elas são acusadas de corrupção passiva, e lavagem de dinheiro na Operação Descarrilho.

 

Seu proprietário é acusado de receber dinheiro desviado e repassar ao lobista Rowles Magalhães, representante da empresa de fundos Infinity.

 

Ricardo Bourbon teria sido o operador financeiro responsável pela arrecadação ilícita do dinheiro para pagar a Rowles Magalhães. As empresas “atuam no ramo de fomento mercantil, segmento que conforme apurado na denominada Operação Ararath é bastante utilizado para movimentação de recursos à margem do sistema oficial, especialmente com o fim de atender a interesses de agentes políticos”, diz trecho da decisão. 

 

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