Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 11h33
IRRESPONSABILIDADE E TRAGÉDIA
Travesti bebeu duas long necks antes de atropelar e matar idoso em policlínica

MAX AGUIAR

O delegado Christian Cabral, titular da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran), e responsável pelo inquérito que apontará as causas e os culpados pela morte do idoso Benedito Castravechi, 66 anos, que foi atropelado enquanto aguardava para marcar uma consulta na Policlínica do Planalto, disse ao HiperNotícias que uma falha no decorrer da investigação ocasionou a não prisão da responsável pelo atropelamento. Por conta disso, todos os envolvidos aguardarão o andamento do caso em liberdade.

 

Alan Cosme - HiperNotícias

atropelamento travesti

Travesti Geovanna era a condutora do veículo no momento do atropelamento

Para o delegado, como a travesti Geovanna negou que estava dirigindo o veículo Kia Soul, e imputou a culpa a um dos foragidos, ele ficou impedido de executar a prisão em flagrante da mesma. Porém, quando a equipe de policiais da Deletran conseguiram identificar que ela seria a motorista no momento do acidente, o período de flagrante já havia expirado. 

 

"Ela (Geovanna) não foi presa por um subterfúgio dela, por falha na investigação, naquele momento. Ela desceu do veículo e disse que seria a condutora, mas algumas pessoas que estavam na policlínica disseram que não, que quem estava dirigindo havia foragido. Porque ela foi a última a sair do carro. Então, como as testemunhas disseram isso, ela para se livrar da culpa, logo disse para a polícia que ela não seria a culpada pelo acidente. Entretanto, mais tarde quando fizemos a detenção, a Geovanna já não estava mais na condição de flagrante, nem perseguida. Ela foi interrogada e em seguida liberada", explicou o delegado. 

 

Geovanna é o nome social utilizado por Igor Gomes Mulato, 21 anos. A travesti estava junto com o dono do carro, sua irmã e outros amigos na Tabacaria Havana, no bairro Sol Nascente, em Cuiabá, durante a madrugada de quinta-feira (11). O veículo Kia Soul pertence ao cunhado de Geovanna, identificado como Anderson da Silva Amorim, que é ex-presidiário.

 

PJC-MT

trânsito 3

Delegado Christian Cabral é o responsável pelo inquérito do caso

Por estar em total condições de embriaguez, Anderson deixou que Geovanna dirigisse o veículo. Nesse trajeto da volta para casa, por volta das 05h30, houve o acidente. No deslocamento, sentido Avenida Juliano Costa Marques, logo depois da rotatória, em frente à policlínica, Gioavanna foi tentar desviar de um buraco na pista, fez manobra rápida para esquerda e entrou na contramão. "Como vinham carros no sentido contrário, rapidamente fez nova manobra para voltar para sua faixa de direção, e nesse momento perdeu o controle do veículo e o carro saiu desgovernado entrando no pátio da Policlínica, atropelando e matando o idoso", explicou. 

 

Para investigar o caso, a equipe da Deletran foi até o local do acidente e encontrou apenas Geovanna e a irmã.  Elas disseram que apenas pegaram uma carona, que não conheciam os rapazes que fugiram e que quando saíram do carro apenas observaram que havia uma pessoa ferida no local. 

 

Mediante essas informações, ela foi liberada e os policiais começaram os trabalhos de busca. Como na Tabacaria não tem câmeras, nem comanda de compra de bebidas, o delegado começou ouvindo testemunhas e logo descobriu que quem dirigia o veículo na saída do bar seria a travesti. Que ela bebeu cervejas e que no carro haviam seis pessoas. 

 

Ana Paula dos Santos

Acidente policlinica

 

"Vários fatores irregulares no momento do acidente. Um inabilitado dirigindo provavelmente alcoolizado e o veículo estava com seis pessoas dentro, e todos sem cinto de segurança. Ouvimos testemunhas, e ficamos sabendo que a Geovanna bebeu no mínimo duas long necks de cerveja. Sobre ela estar dirigindo, nós conseguimos pegar um celular, que era usado por uma das envolvidas, e lá tinha conversas de WhatsApp que eles conversavam e afirmavam que quem estava dirigindo o carro no momento do atropelamento seria a Geovanna", contou o delegado Cabral. 

 

Por fim, o delegado aguarda os resultados técnicos para poder concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público. "Ainda falta concluir a perícia, que vai comprovar a velocidade do veículo e o exame de alcoolemia que irá comprovar a embriaguez ou não. E vale ressaltar que vou indiciar a motorista por homicídio culposo, pois ela não teve a intenção de matar e ainda permaneceu no local do acidente. Os outros envolvidos serão ouvidos e identificados. Apenas o Anderson será indiciado também, pois ele deixou alguém sem CNH dirigir seu carro e ainda sob efeito de álcool", concluiu Cabral. 

 

A morte

 

Na madrugada de quinta-feira (11), às 05h30, um veículo Kia Soul atropelou e matou um idoso de 66 anos que estava na fila para marcação de consultas, na Policlínica do Planalto. Segundo levantamentos da Deletran, Geovanna dirigia o veículo quando perdeu o controle, bateu no meio fio e atropelou o idoso, deixando também com ferimentos leves uma mulher, que buscava atendimento na unidade de saúde. 

 

O idoso chegou a ser socorrido com vida pelo Samu, mas foi a óbito antes de dar entrada no Pronto Socorro de Cuiabá.

 

No local do acidente foram encontradas garrafas de bebida alcoólica e alguns pertences dos ocupantes do veículo. Eles saíam de uma tabacaria, no bairro Sol Nascente, e iriam para casa quando ocorreu o atropelamento. 

 

O corpo do idoso foi liberado no início da noite de quinta para o velório. Familiares da vítima preferiram não falar com a imprensa sobre o caso. 


Fonte: HiperNotícias - Você bem informado
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