Sábado, 12 de Agosto de 2017, 10h26
MUDANÇA EM DEPOIMENTO
Eder diz que Silval "falta com a verdade" em delação e nega ter recebido propina

RENAN MARCEL/PABLO RODRIGO

O ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Eder Dias de Moares, disse que o ex-governador Silval Barboa (PMDB) "faltou com a verdade" em sua delação premiada junto ao Ministério Público Federal (MPF).

 

Marcos Lopes/HiperNotícias

Eder Moraes/Polícia Federal/Ararath/solto/Justiça Federal

 Silval diz que Eder recebeu R$ 6 milhões de suborno para mudar depoimento e inocentar ex-governadores

Eder nega que tenha recebido propina de R$ 6 milhões para mudar sua versão em um depoimento no Ministério Público Estadual (MPE) e inocentar tanto Silval quanto o ex-governador Blairo Maggi (PP). Em entrevista ao jornalista Pablo Rodrigo, colaborador da Folha de São Paulo, o ex-secretário disse que "não há o que se falar em compra de vagas[ no Tribunal de Contas do Estado]".

 

Conforme uma reportagem veículada nessa sexta-feira (11) no Jornal Nacional, a delação de Silval traz informações sobre um suposto comércio de vagas no TCE. Eder teria cobrado de Silval e de Blairo R$ 12 milhões para voltar atrás em um depoimento feito ao MPE, no qual, na primeira versão, ele teria afirmado que os dois ex-governadores tinham conhecimento da compra de vagas no Tribunal. Segundo Silval, o acordo para "silenciar" Eder fechou em R$ 6 milhões, sendo que ele e Blairo iriam pagar metade deste valor cada um.

 

Hoje ministro da Agricultura, Blairo rechaçou a delação premiada do seu sucessor, que foi homologada na última quarta-feira (09) pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Fderal (STF). Em nota de esclarecimento, Maggi disse que Silval mentiu de forma leviana e criminosa

 

"O acordo feito era de que eu seria o indicado para o TCE se a vaga fosse de indicação do Poder Executivo. Como o Blairo saiu em 2010 para disputar o Senado e a vaga não surgiu, nada aconteceu. Então não tem o que se falar de compra de vagas", diz Eder à Folha.

 

Veja a matéria no jornal Folha de São Paulo na íntegra clicando aqui.

 

No ínicio da tarde deste sábado (12), Eder Moraes encaminhou nota à imprensa. Confira a íntegra abaixo:

 

Tendo em vista matérias veiculadas na imprensa sobre suposto "recebimento de valores para mudar de depoimento", o qual vem sendo amplamente repercutida, cumpre tecer os seguintes esclarecimentos:

 

1. O ex-secretário de fazenda, casa civil e SECOPA do Estado de Mato Grosso, Eder de Moraes Dias afirma, por meio de nota, que não obteve acesso ao conteúdo formal do citado acordo de colaboração premiada celebrado por Silval Barbosa, desconhecendo por completo o seu teor;

 

2 - Causou estranheza o conteudo do supramencionado acordo, sem ter a defesa tido acesso aos seus termos, onde Silval Barbosa, ao que tudo indica, teria insinuado que o ex-secretario Eder de Moraes teria supostamente recebido valores para mudar de depoimento, e isto de forma distorcida, laconica e leviana, sem qualquer elemento de prova;

 

3- O ex-secretario nunca recebeu qualquer tipo de valor para mudar de depoimento, sendo uma absoluta inverdade, tampouco acrescenta que jamais houve qualquer tipo de contato com o Ministro Blairo Maggi, ha mais de 05 anos, seja de forma direta ou por intermédio de interposta pessoa;

 

4- Atualmente, as delações premiadas vêm sendo utilizadas como um instrumento de vingança, onde o colaborar, neste caso, ao que se percebe, busca benefícios não corroborados  por outros meios probatórios, sejam idôneos e lícitos;

 

5 - É preciso que o citado colaborar prove a sua falsa, irresponsável, equivocada e demasiada acusação perante as autoridades, sob pena de quebra de acordo, sujeitando-o, inclusive, a responsabilidade penal;

 

6- Vale destacar que a retratação publica é um ato jurídico idôneo e personalíssimo, mecanismo processual que vem sendo absolutamente permitido e aceito pelos Tribunais Superiores, diante do direito constitucionalmente assegurado a qualquer cidadão, notadamente para estabelecer a verdade, nos termos da lei;

 

7- Com relação aos depoimentos prestados perante o Ministério Público Estadual, já foram retratados publicamente, não confirmados em juízo;

 

8- Informa que os fatos lá narrados não exprimem a verdade, razão pela qual se retratou formalmente, para restabelecer a verdade dos fatos, de todos os depoimentos prestados junto ao Órgão Ministerial;

 

9- Tanto é verdade que o ex-secretário não apontou nenhum fato verídico e concreto, não passando de ‘boatos’, não possuindo nenhuma prova contra quem quer que seja. Alias, nunca fez “delação” junto ao Ministério Público Estadual que, naquela ocasião, havia aproveitado do seu abalo emocional, instigando-o e induzindo-o para dizer tais inverdades, conforme consta na retratação;

 

10 - O ex-secretario sempre colaborou com a justica e nunca obteve qualquer tipo de beneficio. Ainda, vem cumprindo fielmente todas as condições que lhe foram impostas, nunca tendo se furtado ao chamamento do processo ou obstruído a justica, sendo que em juízo vem confirmando a inteireza da retração pública;

 

11 - Por fim, sua postura merece total credibilidade, sendo que confia na Justiça deste país, onde a verdade será restabelecida.

 

Éder de Moraes


Fonte: HiperNotícias
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