Segunda-Feira 16 de Janeiro de 2017
pesquisas

Quarta-Feira, 11 de Janeiro de 2017, 08h:30

Tamanho do texto A - A+

Futuros amantes

Amarão com o amor que você deixou. E você amará, também, com o amor deixado por outros

Por: MARCELO DANTAS RIBEIRO

 

Divulgação

Marcelo Dantas Ribeiro

 

Fernanda era jovem e vinha de relacionamentos esquisitos na vida. Em viagem ao Rio, encantou-se com o Cristo, com o Pão, com Ipanema e com… Luísa. Ficaram. Transaram. E foi muito gostoso. E a cidade dos encantos mil de repente se resumiu a apenas um. Fernanda voltou para Cuiabá querendo conhecer mais a bela moça, e o sentimento pareceu recíproco.

 

Passadas algumas semanas de conversa, Luísa disse a Fernanda que não gostava de ficar com várias pessoas, e que prezava pela exclusividade em seus relacionamentos. Fernanda, movida por misterioso sentimento, imediatamente cortou toda e qualquer relação romântico-afetiva, presencial ou a distância, com outras mulheres. Ela havia gostado de Luísa a ponto disto.

 

Fernanda, no entanto, sabia que relacionamento a distância era difícil. Havia o desejo do toque. Do calor do hálito. Do olho no olho. Lábio no lábio. Corpo no corpo. Incluiu, assim, viagens mensais ao Rio em sua rotina, a fim de se encontrar com a moça que tanto mudou seu pensamento. Descobriu, por fim, que foi a única a levar a exclusividade a sério.

 

“Era uma surpresa para ela, Pedro”, queixou-se Fernanda.

 

“E foi você a surpreendida.”

 

“Ela se chamava Carla e estava usando a minha camisola.”

 

“Fernanda, é uma pena….”

 

“O que ela tem que eu não tenho?”

 

“Fernanda, …”

 

“E aqueles peitos caídos?! E aquela flacidez toda?!”

 

“Fernanda! É uma pena que você esteja passando por isso. Sua dor é imensa. Mas não lamento pelos seus sentimentos. Eu ficaria surpreso se você não estivesse nervosa ou frustrada. Pior seria perder a sensibilidade. Você se importava. Você amava.”

 

“Amar é um termo muito forte. Eu estava ficando. É bem diferente.”

 

Talvez Fernanda estivesse errada. Ficar também é uma forma de amar. Talvez não seja a mais idealizada, mas é amor. Talvez não seja a forma mais romântica ou poética, mas é o amor que temos hoje. E esse jeito de amar tem a sua importância.

 

“Você amava, Fernanda”, disse Pedro. “Não que fosse sua intenção casar-se com Luísa e com ela ter filhos. Mas vocês partilhavam companhia. Partilhavam nudez, carícias e intimidades. E você, em especial, criava expectativas, mesmo que pequenas. Desvalorizar o que se perdeu é um mecanismo de defesa.”

 

“Tá, então eu amava”, respondeu Fernanda, afobada. “O que eu faço com esse amor que ainda sinto por Luísa?”

 

“Pode doer — e vai — o que vou te dizer. Você só será livre quando compreender que este amor que ainda sente não é mais seu. Mas o amor nunca se perde. Ele espera, em silêncio, num fundo de armário, como já cantou Chico Buarque. Amarão com o amor que você deixou. E você amará, também, com o amor deixado por outros.”

 

*MARCELO DANTAS RIBEIRO é bacharel em Direito pela UFMT. mdrlv@me.com

Avalie esta matéria: Gostei +1 | Não gostei








7 Comentários

Léo Silva - 13/01/2017

Meu querido amigo, escreves muito bem.

Bruno Cesar - 13/01/2017

Amei!!! Lindo texto.

Jeani Souza - 12/01/2017

Adorei!"

Jeani Souza - 12/01/2017

Parabéns, querido!

Joel Filho - 12/01/2017

Gostei bastante

Gustavo Pael - 11/01/2017

Parabéns pelo texto

Amanda Lima - 11/01/2017

Que reflexão linda!!!

INíCIO
ANTERIOR
PRÓXIMA
ÚLTIMA
Nó de Cachorro

Nó de Cachorro

Deputados articularam indicação

POSSE AUTORIZADA

Gallo assume PGE nesta segunda

Maggi e Ezequiel lançam candidato

Mais Notas

Últimas Notícias

Mais Lidas

Mais Comentadas