Domingo, 23 de Setembro de 2018, 14h:00

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Diante da dificuldade, mulheres encontram realização profissional e sustento para a família

Por: WILLIAN BELTER

Maria Francisca, moradora de Rondonópolis (218 km de Cuiabá) e Thalita Rocha, residente em Cuiabá, são profissionais que conquistaram a independência financeira, após enfrentar o drama de uma separação e lutar para manter os filhos.

 

ARQUIVO PESSOAL

Maria francisca

 Maria ao lado do filho caçula

As profissionais, que hoje atuam em ramos de atividades diferentes, enfrentaram dificuldades, conseguiram conquistar o diploma de nível superior, uma em jornalismo e a outra em serviço social, porém escolheram deixar a formação de lado e buscar um trabalho que permitisse cuidar dos filhos de forma mais próxima.

 

As duas nunca se viram, mas representam a realidade de muitas mulheres brasileiras que têm a responsabilidade de trabalhar, criar, educar e dar amor aos filhos sem o auxílio de um companheiro.

 

Maria Francisca , 51 anos, criou os dois filhos trabalhando como cabelereira em um pequeno salão, montado na sala de casa. Ela precisou chamar para si a responsabilidade exclusiva pelo lar, após se separar do marido e pai de seus filhos, em 2000.

 

Ela é formada em Serviço Social, mas nunca exerceu a profissão. E, há um tempo se dedicando exclusivamente ao salão e aos serviços domésticos, decidiu voltar para os bancos da universidade na intenção de incentivar o filho caçula a concluir o curso de economia, após ele ter passado por problemas de saúde.

 

“Eu decidi voltar a estudar para incentivar meu filho, que estava passando por alguns problemas. Ele fazia Sistemas de Informação, ficou desanimado e desistiu do curso. Fez um novo Enem e hoje está fazendo Economia. Eu decidi que iria estudar também esse ano para motivá-lo. Talvez ao ver a mãe estudando e fazendo outro curso, ele ficasse mais animado”, declarou a universitária.

 

ARQUIVO PESSOAL

thalita rocha

Thalita Rocha

Thalita Rocha, 32 anos, enfrentou a mesma situação que Maria. Mãe de dois filhos adolescentes e apaixonada pela arte de cozinhar, abandonou a carreira promissora como jornalista e decidiu investir no próprio negócio.

 

Apaixonada por massas como lasanha, empadão, panquecas, macarrão, rondele e ravióli, apostou em suas habilidades culinárias e começou vender seus produtos na feira.

 

Para ela, trabalhar com venda de comida não é fácil, pois exige dedicação, cuidados redobrados, sendo "trabalhoso e cansativo, mas quando se faz o que gosta esse trabalho todo se torna menos árduo, porque faz com amor. Então, o prazer age junto no preparo", conta a culinarista.

 

Trabalhando há menos de um ano com massas, ela afirma ter clientes fixos que toda semana fazem pedidos.

 

 “Eles gostam muito das massas que faço e indicam para outras pessoas, postam em grupos de Whatsapp fazendo indicação ao Thata Massas. Meus próprios clientes me ajudam a divulgar meu trabalho. É como dizem: a melhor propaganda quem faz é o cliente, o boca a boca, a indicação direta. Recebo também muitos feedbacks e elogios pelo Whatsapp  e isso é muito gratificante”, declarou.

 

As duas passaram por separações traimaticas e decidiram levantar a cabeça, trabalhar, estudar e criar os filhos com bons exemplos. Ambas compartilham do mesmo pensamento de que a mulher empreendedora não é apenas aquela que tem uma empresa, mas aquela que cria, sustenta e educa os filhos sozinha.

 

“Criar filhos, fazer eles virarem homens de caráter é difícil. Eu me orgulho disso, porque eu consegui educar meus filhos, com toda dificuldade, mas eu consegui. Com essa batalha toda eu consegui fazer uma faculdade, uma pós-graduação e não abandonei o meu salão, pois é de lá que tiro meu sustento até hoje”, declarou Maria, emocionada.

 

Mulheres guerreiras que abdicaram de companhia e escolheram criar seus filhos sozinhas, elas são donas da própria vida e sustentam a casa com dinheiro do próprio empreendimento.

 

Thalita pretende investir mais na produção de massas. Ela conta que além de garantir a moradia e a educação da filha de 12 anos, já adquiriu fornos elétrico, freezer, fogão e um cilindro elétrico. A profissional, que fabrica as massas na própria em casa, conta com a ajuda da sucessora.

 

“Trabalhar em casa me proporcionou ficar mais perto da minha filha, poder cuidar mais dela, ensinar algumas coisas da minha produção. Ela tem 12 anos, mas já sabe abrir massa e rechear. Isso é importante, mostrar ao seu filho a importância do trabalho e incentivá-lo. Amanhã ela poderá ser o braço direito no meu negócio”, finalizou.

 

No que depender de Thalita a filha terá todo o incentivo para dar continuidade nos negócios. Ela aprendeu vendo a mãe cozinhar e quer passar à filha os mesmos ensinamentos.

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