Segunda-Feira, 31 de Outubro de 2016, 15h:05

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Por que atacar os gastos públicos se ele promove o emprego?

Por: MOACIR CAMARGO

Alguns estudantes universitários, não entende o porquê do governo no auge desta grave crise econômica, onde + 12 milhões de brasileiros membros da população economicamente ativa estão desempregados, ter colocado em votação a PEC 241 que congela os gastos públicos, limitando o aumento do montante à evolução da inflação. Muitos outros jovens, incluindo os secundaristas, protestam firmemente contra esta PEC, afirmando que a sua aprovação minguará a qualidade de ensino no país.

 

O Brasil, conforme a OCDE (Organização de Cooperação para Desenvolvimento Econômico) – fechamento 2013, é um dos países que mais investem em educação. O vulto dos Investimentos em Educação no Brasil é igual a 6,6% do PIB e em corresponde à 17,2% do total dos Gastos Públicos.

 

Números estes bem maiores do que são investidos pela maioria dos países ricos, porem em qualidade, estamos próximo da lanterna. Não sou um expert em educação e por isso não vou apontar os defeitos, mas é lamentável gastar mais e obter piores resultados. Seria o mesmo que eu trocasse o restaurante que almoço diariamente para um que consumisse uma fração maior da minha renda, tendo em contrapartida uma alimentação pior em termos nutricionais. Então, o que os estudantes têm que pleitear são: uma grade curricular compatível com a de países como a Alemanha e Finlândia, e exigir um sistema de ensino focado na educação e não em fazer política.

 

Eu até concordo que não deveria existir a necessidade em se criar uma PEC de contenção dos gastos públicos, mas o “ser” político deveria fazer o uso racional do dinheiro público, investindo nas áreas mais deficientes, corrigindo as imperfeições, colocando em prática políticas sociais eficientes que tira o cidadão de uma condição ruim e o coloca em outra melhor, atingindo assim o ponto em que não mais necessite de assistência do Estado. Mas o ser político brasileiro é extravagante, age em prol dos interesses particulares, votam leis e projetos, mas cobram algo (lê-se uma vantagem) em troca, ou seja, fazer política no Brasil é, primeiramente, privilegiar um grupo de pessoas ou um grupo econômico, ficando a população em 2º ou 3ª plano. Se ainda não perceberam, o ser político só faz bonito com o chapéu dos outros, explicando, usa o recurso público, faz um montão de publicidade em cima das benfeitorias, mas quem paga é você via impostos. E muitas vezes desperdiça o suado $ do trabalhador e do empresário com uma máquina pública inchada, projetos ruins e com a corrupção.

 

A PEC 241 chega para ser uma parte do tratamento, um remédio de contenção da evolução da dívida pública.

 

Analogamente para minha explanação, usarei um exemplo vivido por muitas famílias: O total de renda de uma família eram R$ 10.000,00 por mês e entre escola dos filhos, prestação da casa, do carro e outras despesas somava-se R$ 8.500,00/mês, conseguindo poupar R$ 1.500,00 (ótimo). Aí, um deles fica desempregado ou vê o seu negócio ir à falência, o saldo da poupança evaporando até zerar. O que resta a fazer? Continuar com o mesmo nível de gastos? Pedir um aumento no banco do limite do cheque especial ou do cartão de crédito? Ou simplesmente olhar para o que sobrou de renda e tentar equacionar os Rendimentos X Despesas? A resposta é simples, mas colocá-la em prática é que são elas. Hoje a condição do governo é muito pior do que a família do exemplo, a dívida pública brasileira é tão grande que, seguindo o ritmo de endividamento atual, em menos de 5 anos seremos candidatos fortes à insolvência. Aí sim não nos restaria mais nada: nem investimentos, nem juros baixos, nem credibilidade.

 

Um expert em educação, o senador Cristóvão Buarque, disse em discurso no plenário que a PEC 241, intitulada como “PEC do Teto”, deveria ser chamada como a “PEC do Óbvio”.

 

Deveria ser pré-requisito para quem sai em protesto conhecer o objeto do protesto, no caso da PEC 241 ler na íntegra o que lá está expresso e não só ir na onda de formadores de opinião. Analisar países que adotaram o mesmo sistema de controles de gastos e os resultados obtidos, comparando com aqueles em situações parecidas que não seguiram pelo mesmo caminho. Seguir a mesma lógica que você faz quando lê a bula de um remédio receitado pelo médico especialista: o remédio age para o bem e para o mal do paciente e isso uma certeza. Agora o que o médico verifica é se o benefício do remédio receitado, tendo em vista a enfermidade, é superior ao malefício que faz ao organismo do doente.

 

Espero que nas reuniões daqueles que protestam e fomentam posição contrária a PEC 241, discutam uma alternativa a ela, usando a Constituição Federal, dados econômicos e estatísticos, e não apenas o empirismo. E façam isso com o apoio de especialistas, assim como você faz quando procura um médico.

 

A única ação em substituição que vejo seria aumento de impostos. Agora como aumentar impostos em um país com uma série crise econômica, com a população altamente endividada e a juros altíssimos, com a elevadíssima taxa de desempregado (17,5% só em São Paulo) e dono de uma carga tributária que é uma das maiores do planeta e não tendo a mesma contrapartida em benefícios sociais? Impossível.

 

O maior benefício da PEC 241 é o fato de que se for necessário mais recurso para uma área, os políticos terão que agir de forma eficiente, analisando de forma técnica o pleito, administrando melhor o orçamento e direcionar para as áreas deficientes tudo dentro da restrição orçamentária, não cabendo mais fazer politicagem com o erário público.

 

Toda corporação empresarial busca fazer mais e melhor com menos, porque não adotar essa mesma filosofia dentro da máquina pública?

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1 Comentários

Carlos Nunes - 31/10/2016

Essa é fácil de explicar para os estudantes: O PT, especialmente a Dilma, arregaçou a Economia Brasileira, gerou 12 milhões de desempregos. Agora só serve o raciocínio lógico, se uma pessoa ganha mil reais por mês, só pode gastar até mil reais, e olhe se já não estiver endividado, não pode gastar nem isso. Assim se o governo arrecada tanto, só pode gastar até tanto. Na história mundial, só teve um presidente americano, Franklin ROOSEVELT, que após a depressão mundial que começou em 1929, no período de 1933/36 colocou em prática os programas do NEW DEAL, para recuperar a Economia Americana com altos investimentos em Gastos Públicos. No Brasil a situação é diferente, NÃO TEM DINHEIRO...o cofre do governo federal, estadual e municipal está vazio, e o bolso do povo vazio e endividado. Ainda não inventaram passe de mágica para fazer dinheiro aparecer; o que está vazio, vai continuar vazio em 2017 com certeza. É a época das vacas magras, do dinheiro curto, da pindaíba financeira - essa estória está narrada na Bíblia, na parte do JOSÉ DO EGITO, que descobriu a "lei dos ciclos" - épocas de abundância se alternam com épocas de escassez; tem que usar bem o dinheiro num época da abundância, para sobrar bastante na época da escassez. Não pode desperdiçar nada, porque vai faltar depois. O que o governo brasileiro estava fazendo quando ainda era época de abundância? Bem, estava de braços dados com a FIFA corrupta, onde presidente e secretário geral foram até expulsos por corrupção, só para ter um mês e meio de Copa, torraram dinheiro, emprestaram, endividaram; e a FIFA saiu do país com um lucro superior a 5 Bilhões de Dólares, isenta de pagamento de impostos; porque assinou um Acordo, e fez uma lei da Copa, regime diferenciado de contratação, etc, que lhe deu vantagens e mais vantagens, para ela e para todos os seus patrocinadores. A FIFA mandou no país, direcionou os investimentos, a ponto dos estados sede da Copa, pra tudo que iam fazer, pediam autorização da FIFA...posso fazer isso, posso fazer aquilo? Pois é, se você torra dinheiro na época da vaca gorda, não sobra nada pra época da vaca magra. Na última campanha eleitoral, a MARINA SILVA tentou alertar os eleitores, que a vaca da Economia já estava indo pró brejo, mas a Dilma disse que não, que estava tudo uma beleza; e o Aécio disse que, se fosse eleito, resolvia tudo. Deviam ter ouvido a MARINA SILVA.

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