Sábado, 08 de Abril de 2017, 15h:00

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Moradores do Coxipó do Ouro se unem para ‘salvar’ a história de como iniciou Cuiabá

Por: RAYANE ALVES

Um povo histórico, mas que atualmente está abandonado e esquecido. Moradores que carregam em seus semblantes um pouco da história de fundação de Cuiabá. Para chegar são necessários viajar por quase 30 km desde a saída da capital e seguir por estradas vicinais, passar por pontes de madeira e enfim chegar ao antigo Arraiá da Forquilha, no Coxipó do Ouro. Primeiro lugar de desembarque dos bandeirantes paulistas e ponto de assinatura da Ata de Fundação da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. 

 

Reprodução

Coxipo do ouro

A religiosidade é um dos costumes fortes mantidos desde a primeira missa realizada

De 1719 pra cá, as histórias são muitas em 298 anos de fundação. Desde o ponto de moradia dos viajantes que vieram em busca do ouro ao ponto turístico que hoje não tão visitado como em outrora. O motivo disso seria o descaso do poder público com o povo que lá mora e vive do turismo que o local apresenta. 

 

Apesar dos lindos relatos históricos, o Coxipó do Ouro, desde a fundação se tornou esquecido. Na região, são 27 comunidades com aproximadamente mil moradores. Lá é possível destacar, as belezas do rio, povoados tradicionais, objetos artísticos e igrejas centenárias que remetem a memória da primeira missa realizada em 21/02/1721.

 

Por causa do abandono das autoridades, pessoas que habitam as redondezas e costumam frequentar as belezas naturais lutam há mais de nove anos para que a tradição histórica não morra. Diversos projetos foram lançados, mas nenhum deles sobreviveu para tornar possível a revitalização.

 

Nem, por isso, o turismólogo Valdemir Taques de 65 anos, que visitava a casa dos avós na década de 60 e viu os filhos crescerem na Vila do Coxipó do Ouro desistiu de ver o local revitalizado para ser explorado.

 

No dia 17 de maio de 2015 ele lançou o projeto ‘Cuiabá Redescobrindo o Coxipó do Ouro Rumo aos 300 anos’ na tentativa de fortalecer onde nasceu Cuiabá, Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul e Goiás.

 

Na avaliação do turismólogo o poder público precisa voltar os olhos para a região para ele não continuar “esquecido e abandonado como está”.

 

Reprodução/HiperNoticias

coxipo do ouro

Quando chove, a chegada até os pontos turísticos do vilarejo fica prejudicado

Ao HiperNotícias, Valdemir contou que uma das riquezas que os visitantes podem constatar é o rio, que é o único até hoje que não está poluído.

 

“Um problema é a perspectiva de emprego. Quando os alunos terminam o ensino médio precisa sair do local para se inserir ao mercado de trabalho. Então percebo que a região concentra um potencial riquíssimo que pode ser explorado tanto no turismo, cultura e na questão social”, defendeu.

 

Além do rio, Coxipó do Ouro agrega paisagens exuberantes. A festa do Senhor Divino, que iniciou com a expansão da cidade, ainda registra a participação de mais de 10 mil pessoas por ano.

 

A religião que predomina é a católica, mas também têm evangélicos e candomblecistas.

 

Outros encantos são os projetos arquitetônicos antigos como a Escola Nossa senhora da Penha de França e a primeira Zona Eleitoral ainda estão erguidos.

 

“Não tem falta de acervo. A única coisa que falta são olhares do Estado e do município para assim de fato resignificar todos os valores que foram possíveis construir nesses quase 300 anos”, disse.

 

Turismo

 

Reprodução

Coxipo do Ouro

Além dos católicos, evangélicos e candomblecistas habitam a região com as tradições

As comunidades projeto de Valdemir é que não existem visitações pré-agendadas, que no caso com inventário poderia fazer recadastramentos e anunciar para outros estados o potencial histórico.

  

“Com isso era possível convocar o pessoal da região para debater a forma como o turismo pode ocorrer porque além dos pontos comerciais tem também o bioma cerrado e as comunidades tradicionais que fazem rapadura, peixe e artesanato”.

 

Pontes

 

Para chegar a uma das 27 comunidades, entre elas Aricazinho, Aricá, Arraial dos Freitas, Água Limpa, tem dois acessos. O primeiro deles é pela MT-251, que liga até a Rodovia 402 e chega as vilas. Por esse caminho, o turismólogo contou que é possível passar sem nenhum constrangimento.

 

Já pelos bairros Três Barras e Doutor Fábio que passam pela Ponte de Ferro varias pontes estão com as estruturas danificadas.

 

“Quando chove não tem condições de passar. Precisa urgente de patrolas sem contar que a reivindicação número das comunidades é a falta de asfalto que passa apenas pela vila principal e agrega apenas 1 mil metros.

 

 

Renan Marcel/HiperNotícias

Valdeir Taques

 Valdeir Taques luta para manter viva a tradição do Coxipó do Ouro que foi abandanado desde o processo de fundação

 

Significado Cuiabá

 

Alan Cosme/HiperNoticias

thereza borges

 Professora Thereza explica como iniciou o processo históricos dos 298 anos

A historiadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Thereza Presotti, explicou que o nome Cuiabá apesar de ter várias versões ele segue uma memória indígena. A mais tradicional seria ‘Ikuiapá’ que se tornou referência para os indígenas que exploravam o local para pescar com flecha-arpão. Por isso, a pequena vila remetia apenas relação de sustentabilidade até a descoberta do ‘Ciclo do Ouro’ no Brasil que iniciou no final do século XVII.

 

Depois de explodir a fase do ouro, diversos garimpeiros e bandeirantes de várias regiões inclusive de Portugal migraram para áreas que eram possíveis lucrar com a febre. E em uma dessas expedições, os novos habitantes fundaram um povoado batizado de São Gonçalo, às margens do Rio Cuiabá.

 

Depois de alguns anos já em 1719, o bandeirante Pascoal Moreira assinou a carta de fundação depois que iniciou o descobrimento do ouro e a migração para o local. A partir disso, começaram as construções, como por exemplo, casas, estabelecimentos e as igrejas.

 

“Pascoal Moreira Cabral avisou para um bandeirante que veio para um apresamento na região informando que além da grande aldeia dos coxiponeses que tinha sido destruída também tinha indígenas próximo ao rio que se enfeitavam com ouros, já sinalizando que poderia ter ouro, e, no Coxipó do Ouro ele encontrou aldeias com índios que procuravam e mais o ouro que estavam nas barrancas do Rio Coxipó, onde foi instalada a comunidade do Coxipó do Ouro e foi instalada a primeira igreja”, contou.

 

8 de abril

 

A data de 8 de abril em que se comemora o aniversário da cidade é o momento da comunicação ao rei sobre a localização do ouro no Rio Coxipó. Porém, Cuiabá vai ser fundado como Vila no dia 1º de janeiro de 1727. Já a data de localização de ouro nessa região fica para o mês de outubro de 1722.

 

Conforme a historiadora, nessa época também foi levantada a Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Na primeira construção, a obra foi erguida de pau-a-pique para começar o processo de urbanização. E, por conta disso, era essencial inaugurar uma igreja.

 

“A partir do momento que a vila crescia, os representantes achavam que a Catedral deveria passar por transformações. Por isso, a igreja passou por várias reformas e ganhou uma segunda torre deixando de ser Matriz e assumiu o posto como Catedral”.

 

Apesar de várias mudanças, a maior delas foi registrada no dia 14 de agosto de 1968, quando a sede foi destruída por dinamites.

 

“Depois disso que foi inaugurada a Catedral que temos hoje em frente à Praça da República. A igreja agrega pinturas modernas e duas torres com um relógio em cada sendo considerada inclusive como o local mais visitado. Sem contar que os visitantes podem visitar as imagens do século XVIII. Entre elas está a do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, dedicada ao Padroeiro”, lembrou.

 

 

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