Terça-Feira, 06 de Novembro de 2018, 17h:49

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Escritora Luciene Carvalho lança obra Dona

Por: REDAÇÃO

Depois de tantas cuiabaninhas, bruxas, putas e loucas, porto de si em teias, ela reaparece Dona. Dona da interrogação mais absurda e, ao mesmo tempo inevitável: existir como uma Dona. O que dizer, o que toma corpo no corpo que vai se tornando um corpo de mulher Dona? Uma invisibilidade que denuncia a estatura de quem chegou aos cinquenta, mulher ainda, em totalidade cambiante. Mas nessa Dona, ao tempo em que dói, e a consciência da nova existência vai brotando, também vai jogando fora o que é sem graça e desimportando o banal no gerúndio de si mesma. O que há de mais íntimo em nós, segredo, não contém, é o que mais diz respeito a todas. A Dona descobre um novo jeito de encarar o espelho: por partes, na maquiagem ; se vê culpada quando se vê como velha como se ela cometesse um erro que por culpa exclusiva dela a maldição se desse. Entretanto, o que vem à tona, por essa Dona, e de tudo talvez o mais importante dessa poética de existir com e após os cinquenta anos, é que há já marcas nas mãos, mas as mãos fazem poesia!

 

Luiz Marchetti

luciene

 

Lucine Dona

 

Clareza de si e de seu trabalho; consciência total de sua poética, sobrevivente das batalhas dos labirintos lúcidos da loucura, DONA de todas as puras impurezas dignas. Poeta de linhagem e estirpe de vozes ancestrais-míticas-pop-pós-tudo-edênicas- -apocalípticas; croninventadora poética do mundo contemporâneo.

 

Mário Cezar Silva Leite

 

O que é a poética de Dona?

 

Comida que sustenta a autora, alimento que sublinha o sabor de vida devida como testemunho aos seus leitores. Sustento que ela sinaliza entre Céu e Terra, entre mãe amada e/ou anotado amor parceiro:

 

Ave Maria

Minha mãe

Minha musa

meu útero [...].

 

A dicção da poeta sobre o amor materno é uma tônica forte, algo de Maria, ou tudo da mãe pensa em Luciene e leva sua escrita com as imagens metafóricas para a tradução desse profundo sentimento.

 

Divulgação

CAPA dona

 

As emoções apontando sua referência ao Amor fora do materno mostram como tal expressão está constituída no corpo sublinhado por abundância material.

 

Entre muitas Lucienes moradoras do texto poético ressaltam duas – uma que fala da peculiaridade do singular materno e outra que abusa no sentimento amoroso de fundura física: uma espécie plural para o erotismo.

 

É necessário ler Dona em seu espírito e com a literalidade expressa que diz muito sem revelar tudo o que cala. Nas fímbrias em que surge o rio Cuiabá, os cajus, as mangas, as chuvas ressaltam que cada letra, cada palavra, cada verso são tesouras recortando tesouros.

 

A poeta precisa ser degustada da sua fé ao seu erotismo, do seu alinhar ao seu desalinhar, enfim, deve ser lida como uma tessitura diversa de modo que a literatura não nos diga apenas sobre os outros, mas do outro em nós.

 

Marília Beatriz de Figueiredo Leite

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