Domingo, 29 de Julho de 2018, 12h:03

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Escritora explica lendas e mitos mato-grossenses

Por: KHAYO RIBEIRO

De animais fantásticos até entidades míticas protetoras das águas, escritora fala sobre lendas cuiabanas e explica a função dos mitos para diversas comunidades mato-grossenses. Maria Cristina de Aguiar Campos, 56 anos, é professora aposentada e membra da Academia Mato-grossense de Letras, na qual promove o resgate da história e cultura cuiabana. 

 

Reprodução

MINHOCÃO

 Lenda do minhocão

Quando se fala que Mato Grosso é um estado rico, muitas pessoas logo associam essa riqueza ao agronegócio. Contudo, para Mariao patrimônio imaterial é uma das maiores heranças que que o estado possui. O conjunto de saberes acumulados e que passam de geração em geração forma uma das características mais marcantes do mato-grossense. 

 

Confira a seguir algumas das lendas: 

 

Serpente dos rios 

 

Segundo a lenda, nos rios mato-grossenses havia uma grande serpente capaz de causar grande destruição. A única coisa poderosa o suficiente para deter a cobra é Nossa Senhora, que, do seu altar, pisa na cabeça da serpente dia e noite. O animal, que teria poder de causar terremotos, é conhecida em alguns lugares como minhocão. 

 

Negrinho D’água  

 

Entidade mágica que mora nos rios, seu comportamento travesso faz com que se assemelhe muito ao Saci-Pererê. O mito diz que o negrinho d’água enrola a rede dos pescadores, corta suas linhas de pesca e vira os barcos para que caiam nos rios. Dessa forma, ele afastaria as pessoas, protegendo as águas. A estudiosa aponta que essa lenda é típica da região de Santo Antônio do Leverger (localizado a 55 km). 

 

“Certa vez, tive a oportunidade de entrevistar um senhor que dizia se comunicar com o negrinho d’água. O idoso morava próximo de uma baia e, segundo ele, a criatura vivia no fundo da lagoa. Eles se comunicariam através de cartas, o senhor me mostrou as cartas”, conta sorridente a escritora.  

 

Troá 

 

Alan Cosme/HiperNoticias

cristina campos

 Escritora conta que lendas foram criadas para proteger a natureza

Segundo a pesquisadora, no município de Chapada dos Guimarães (64 km de Cuiabá), os moradores relatam que existiria uma criatura mítica igual a um pássaro pré-histórico. Este ser habitava os paredões da cidade, mas ninguém nunca o viu frente a frente. “O grito da ave é medonho... uma espécie de eco, dando origem ao seu nome: Troá, do verbo troar”.   

 

Ouro de alavanca 

 

“Em Cuiabá, tem a lenda da alavanca de ouro, relacionada a Igreja do Rosário. É um mito muito famoso na região. Na época da mineração, os escravos escavavam e diziam que uma alavanca de ouro aparecia no fundo do buraco. Eles narram que quanto mais se escavava mais ela desaparecia” narra a professora aposentada.  

 

A estudiosa conta que, na escavação do buraco, encontram um curupira que pedia água aos homens. Quando nenhum deles atendeu ao pedido, um rapaz presenteou a criatura com um pouco de água.  

 

O curupira disse para o moço não ficar próximo da mina em uma determinada hora, obedecendo a criatura o jovem se ausentou e escapou do desabamento que engoliu todos que trabalhavam no empreendimento 

 

Maria já fez diversas pesquisas relacionadas à história e cultura cuiabana, seus levantamentos a fizeram crer que as criações míticas têm como função principal a propagação do cuidado com a natureza.  

 

“Acho que o mito vem pra solucionar o problema da invasão humana na natureza. A mágica das matas, que se revela através das entidades, serve para barrar a degradação do homem”.  

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