Sábado, 08 de Abril de 2017, 14h:00

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Dois aniversários de Cuiabá sem Jejé de Oyá, primeiro colunista social da cidade

Por: MAX AGUIAR

Dois carnavais sem Jejé de Oyá. Negro, homoxessual e irreverente o personagem não poderia ficar de fora das homenagens a Cuiabá. Afinal, os seus 81 anos de vida se misturam com a história recente da Capital, que comemora 298 anos.

 

Diário de Cuiabá

Jejé

Jejé de Oyá foi o primeiro colunista social de Cuiabá

Nasceu José Jacinto Siqueira de Arruda, em 1935, e em 2016 morreu icônico Jejé de Oyá,  um dos primeiros colunistas sociais da cidade e o mais respeitado deles. Seus mistérios e segredos foram levados para o túmulo. Sua trajetória fica como legado. 

 

Em relato recente da jornalista Mariana Marimon, Jejé aparece como homem forte. "Jejé de Oya é homossexual, mas é cabra macho, afinal, mexer com tanta gente poderosa, como ele sempre fez, não é e não foi para qualquer um. Podemos dizer que durante os 30 anos que fez colunismo social em Cuiabá, Jejé foi destemido e por isso se tornou temido", escreveu. 

 

Jejé nasceu em Rosário Oeste e veio para Cuiabá ainda criança, onde foi adotado por uma família que morava no bairro Boa Morte. Chegou a pensar em ser padre, mas desistiu da vida religiosa. Brilhante, estudou alfaiataria e foi carnavalesco. Só que foi no colunismo social em que mais se destacou. Ali surgiu Jejé de Oyá.

 

Viveu diversos tipos de preconceito e discriminação durante as décadas de 50 e 60, mas enfrentou as dificuldades e acabou se firmando como um dos colunistas mais conhecidos e irreverentes da cidade. Ícone da cultura local, costumava se vestir de forma extravagante, com batas coloridas, chapéus, pulseiras e colares. 

 

Se estivesse vivo e com saúde, Jejé hoje estaria sendo homenageado ou lembrado em algum evento público. Para testar o prestígio que o eterno colunista tinha, o Jornal Diário de Cuiabá fez uma enquete por volta dos anos 90, e por maioria do povo cuiabano, foi eleito a personalidade que tem a cara da cidade. 

 

Divulgação

Jéjé de Oyá

 

Festivo, odiado por muitos, mas venerado por todos, Jejé de Oyá será sempre lembrado pelo colorido das roupas, pelo brilho no olhar, pela escrita ferina, que destilava o veneno e a realidade daqueles que não queriam se enxergar neste espelho social. 


"Jejé é um símbolo porque é negro, é homossexual e ainda assim, desafiou uma capital patriarcal e não se recolheu. Jejé representou Cuiabá porque foi desbocado, com o linguajar puxado, e é era cara do povo que só quer ser lembrado, como parte preponderante, de toda boa história, mito, ou lenda que circunda tantos mistérios nesse cerrado. Destemido, levanta da cadeira sem se importar com preconceitos, e toma seu espaço definitivo na dança do baile da vida", escreveu Marimom. 

 

Atualmente, apenas no Carnaval de Rua, o nome de Jejé é lembrado por um grupo que faz seus festejos na Praça da Mandioca. Porém, seu nome nunca será apagado da história da cidade, das marchinhas carnavalescas e nem do colunismo social.

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