Domingo, 03 de Fevereiro de 2019, 14h:00

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“Ainda estamos aqui porque somos teimosos” diz comerciante do Mercado Municipal

Por: Khayo Ribeiro

Abandono. De forma sucinta, a resposta é disparada por um grupo de comerciantes do Mercado Municipal, no Centro de Cuiabá, quando questionado sobre a situação atual do espaço. Ao HiperNotícias, os lojistas destacaram que a falta de incentivos públicos e a insegurança têm feito com que muitos deixem seus comércios, os resilientes dizem: “Ainda estamos aqui porque somos teimosos”.  

 

Alan Cosme/HiperNoticias

mercado municipal de cuiaba

 

Fundado no início da década de 60, o Mercado Municipal cresceu como um dos espaços de maior concentração de comerciantes na Capital. Todavia, as glórias do passado já não mais correspondem com a paisagem atual do estabelecimento, onde, hoje, os poucos empreendedores que ainda restaram no lugar não se sentem seguros em seus trabalhos. 

 

Para aqueles que dependem do espaço, o sentimento de insegurança só aumenta, por conta dos populares que frequentam os bares do Mercado: “Se vocês virem o estilo dos bares, os frequentadores, aqueles que ficavam ali na Maria Taquara e no Beco do Candeeiro estão todos aqui”.

 

Apesar das constantes rondas policiais pela área, os donos de comércios apontam que o medo ainda domina o cotidiano. Na visão de um dos comerciantes, o esvaziamento do espaço se dá pelo fato de “a população cuiabana ter medo de frequentar o ambiente.

 

Quando questionados sobre a presença do Poder Público no histórico mercado, eles respondem como que em um desabafo: “No período de campanha, eles vêm aqui, sentam e prometem que vão melhorar, que vão investir, mas nunca muda”.

 

Para um dos comerciantes, a situação física do imóvel é “degradante”. “Várias capitais já reformaram seus mercados municipais, mas Cuiabá continua atrás nesse sentido”, lamenta. 

 

Alan Cosme/HiperNoticias

mercado municipal de cuiaba

 

Ao HiperNotícias, a comunicação da Prefeitura informou que a sede do Executivo municipal não era responsável pelo espaço até o final de 2018, período em que a Câmara Municipal esteve à frente do local.

 

Todavia, a assessoria apontou que já existe um planejamento de reforma na estrutura física do estabelecimentos.

 

Confira nota

 

A Prefeitura de Cuiabá informa que o terreno onde hoje fica localizado o Mercado Municipal foi adquirido pela Câmara de Vereadores em 1903. Décadas depois, em 1940 a edificação foi erguida, permanecendo sob responsabilidade do Poder Legislativo até o final de 2017. 

 

O superintendente do Instituto De Planejamento E Desenvolvimento Urbano (IPDU), Márcio Puga explica que em 2000, o então prefeito, Roberto França chegou a assinar uma lei que autorizava a transferência do prédio para o Executivo Municipal. 

 

O trâmite, contudo, só foi efetivado no último ano, quando, por determinação do prefeito, Emanuel Pinheiro, o órgão fez o levantamento dessas informações.  A partir daí a gestão deu início aos estudos de viabilidade que subsidiaram um diagnóstico arquitetônico e social do espaço.  

 

O levantamento resultou no lançamento de um edital de reforma que garantirá a revitalização tanto do Mercado quanto do estádio Eurico Gaspar Dutra (Dutrinha). O processo seletivo conta com a parceria do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA).

 

A escolha das plantas será feita por uma comissão formada por oito profissionais. Deste número, dois pertencem ao CAU, dois ao CREA, dois a Prefeitura de Cuiabá e outros dois a instituições de ensino superior que serão convidadas pela administração.

 

 

"Os projetos deverão obedecer a critérios mínimos previstos em edital, garantindo que algumas demandas básicas sejam sanadas. Os profissionais poderão usar a criatividade, mas respeitando itens como a quantidade de lojas e vagas de estacionamento, como, por exemplo, no caso do Mercado” diz Puga.

 

Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
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