Quarta-Feira, 23 de Agosto de 2017, 11h:02

Tamanho do texto A - A+

Qual é o seu limite?

Esse apego cobra um preço caro, é bom que se destaque. É a tolerância que desaparece. A raiva que domina, noites de sono que se vão sem que ao menos a gente perceba

Por: PETU ALBUQUERQUE

 

Michely_Figueiredo

 

Por vezes me questiono até que ponto conseguimos levar certas situações. Qual é o limite prudencial e recomendável para que sua sanidade mental não seja afetada e nem o seu corpo pereça por algo que realmente lhe incomoda e tira dos eixos? Pode ser o convívio com determinadas pessoas, recordações desagradáveis, culpa, raiva, vontade de mudar o passado – convenhamos, por mais que se saiba que este é imutável, existem momentos em que gostaríamos de possuir uma máquina do tempo para poder fazer tudo diferente.

 

A questão é até que ponto isso lhe tira a paz. Gosto de pensar que somos dominados por aquilo que não aceitamos. Mesmo assim, infelizmente, sofro de uma resistência homérica para aceitar fatos que não podem ser controlados, alterados ou esquecidos. O único caminho é a aceitação. Aceitar e fazer com que aquilo deixe de ter a importância até então dada. Mas como é difícil. Diariamente me pego remoendo acontecimentos, em seus mínimos detalhes, sem conseguir o desapego necessário para deixar passar, deixar cair naquela vala em que se lembra, mas não mais se incomoda.

 

Esse apego cobra um preço caro, é bom que se destaque. É a tolerância que desaparece. A raiva que domina, noites de sono que se vão sem que ao menos a gente perceba. Isso nutre sentimentos ruins no nosso interior, o que causa um estrago ainda maior. Desequilibra a energia vital, contamina o ambiente e as pessoas que o dividem com você. Daí volto a me perguntar: qual é o seu limite? Qual é o meu limite? Até quando suportar esse incômodo que mais parece uma queimadura de terceiro grau sem nenhum tipo de tratamento. Dói, corrói, drena as energias, rouba a paz, nos deixa a beira da insanidade. Exatamente isso. Não é insano querer mudar algo de uma história que não lhe pertence, da qual você não fez parte? Isso mostra o quanto ainda sinto necessidade de manter o controle, característica tipicamente egóica. 

 

Além de reconhecer essa dificuldade de lidar com o que desagrada e fere, o mais complicado é enxergar o quanto ainda estou distante de superar essa barreira que se coloca na caminhada que tenho a trilhar. Volto a me perguntar: o quanto ainda aguentarei? Qual é o meu limite? Vou conseguir me desapegar para enxergar o que essa situação pode me oferecer além do sofrimento? É preciso submissão, obediência e humildade para entender que não sou uma vítima do destino, mas sim estou recebendo situações de acordo com as 6 leis divinas: merecimento, necessidade, similaridade, finalidade, retorno e resgate. Esse quadro vivido neste momento, que desperta as piores sensações, permite que eu enxergue aquilo que precisa ser trabalhado para a evolução neste plano. Já que o gatilho se apresentou, mãos à obra. É agora que começa a dilapidação do ego. Paciência é a palavra-chave para obter êxito e não cair na armadilha do vitimismo.  

 

*Petu Albuquerque é uma mulher balzaquiana, observadora da vida, aspirante à psicoterapeuta reencarnacionista e que tem fé na mudança.

Avalie esta matéria: Gostei +1 | Não gostei