Domingo, 14 de Maio de 2017, 15h:40

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O que a gente não diz

Por: TAYNARA POUSO

Edson Rodrigues

Taynara Pouso

 

Eu sempre faço lindas declarações nos textos de redes sociais, coloco fotos bonitas, quase inspiradoras. Geralmente, escrevo pra você porque as palavras refletem melhor e com mais doçura todo esse sentimento.

Sou acanhada sim, e, pouco carinhosa. Nunca fui dada a abraços, flores, chocolates... Várias pessoas acham que eu sou assim só com elas, mas não. Com você que é, sem dúvida, meu primeiro e maior amor, também sou assim. Desculpa, mãe.

A verdade é que os textos divulgados quase nunca dizem histórias completas, o dia das mães ficou tão repleto de likes e ao mesmo tempo tão fadado a clichés. Sem surpresas reais, sem sentimentos verdadeiros.

É lógico que todo mundo ama a mãe e é óbvio que a importância da data é imensa. Mas e os outros dias? E as outras palavras que a gente não diz?

Hoje eu queria dizer o que normalmente eu não digo… Tá pronta, Ana Lúcia?

Mãe, me desculpa pelos conflitos desnecessários que eu causo, pelo meu temperamento difícil, pela minha falta de paciência.

Mãe, sabe aquele colares lindos e grandes? Não importa onde eu esteja, quando eu ver um, sempre vou me lembrar de você e do quanto você gosta de colar.

Mãe, obrigada pelo café feito todas as manhãs. É a forma de carinho que eu mais reconheço, é como eu me sinto abraçada.

Mãe, eu me orgulho tanto do seu gosto musical, do seu esforço em aprender qualquer coisa, da sua capacidade intelectual.

Mãe, eu gosto de te ver arrumada, saindo de um salão, gosto quando compra uma roupa nova e sai toda faceira.

Mãe, “A Bela e a Fera” sempre vai me lembrar você. Sempre vai ser nossa música, nosso filme, nossa história.

Mãe, eu gosto de contar coisas pra você do meu dia a dia. Gosto quando se empolga comigo e como me apoia.

Mãe, eu me esqueci e me esqueço de tanta coisa durante o dia. Eu me esqueço de falar vários “eu te amo”, de te abraçar, de correr para o seu colo (mesmo às vezes precisando muito).

Talvez, eu seja um pouco Ana Lúcia, né? Mandona e orgulhosa. Talvez.

Mas eu nunca me esqueço do nosso amor, da mulher esplêndida que você é, da sua fibra. Nunca me esqueço do seu riso, dos apelidinhos, do humor sarcástico.

Eu sou metade você pelo DNA, mas inteira você no coração. Não há 1 minuto em que eu não agradeça por estar vivendo aqui neste plano, nesta vida, com você.

Que o dia das mães possa ser lindo para todas as que escolheram ser mãe. Para todas as que esqueceram um pouco (MUITO) de si pra se doar a outro serzinho. Para as que vivem esta experiência com tanto afinco e entrega.

Para as que como eu estão na dúvida se querem ou não viver tudo isso, para as que decidiram que não querem mesmo, que a gente possa sempre olhar para as primeiras e lembrar do quanto elas são maravilhosas.

Ser mãe é escolha.

Ser mãe é entrega.

E ser filho é ser eternamente grato pelo amor devotado.

Se eu serei mãe como você? Não sei. Se serei mãe? Ainda nem decidi. Mas ainda bem que eu tenho você pra me apoiar independente da minha escolha.



Taynara Pouso de RG, publicitária de formação, cacerense de nascimento, cuiabana de coração. 26 anos, faz textão, é de movimento, é de ação.

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1 Comentários

Juliana - 14/05/2017

Parabéns Taynara! Linda homenagem a sua mãe! Ela merece todas as honras!!!

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