Quarta-Feira, 12 de Abril de 2017, 15h:18

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O medo do desconhecido

Por: TAYNARA POUSO

 

 

Edson Rodrigues

Taynara Pouso

 

Desconhecer algo sempre nos assombra. E às vezes a primeira impressão causa um grande impacto, é verdade.

 

O desconhecido não nos dá segurança e geralmente não estamos abertos e dispostos a arriscar.

 

Aquela velha premissa: “não troque o certo pelo duvidoso”. Mesmo que a gente mooooorra de curiosidade.

 

Nesta semana, vimos o caso claro de relacionamento abusivo. Mostrado e televisionado na maior emissora do país e para milhões de brasileiros. Mesmo com imagens e com a Delegacia da Mulher tomando as medidas cabíveis, ainda há aqueles que dizem “mas não foi tudo isso”, “poxa, mas foi só uma briguinha”, “não tinha necessidade de tanto burburinho”, “mimimi de feminista”, e por fim, “acontece em tantas outras casas e ninguém fala nada”.

 

SIM, acontece em diversas outras casas brasileiras e é justamente por este motivo que é preciso discutir. É PRECISO FALAR, É PRECISO BURBURINHO SIM.

 

O Brasil é o 5º país no ranking MUNDIAL quando se trata de violência contra a mulher. 13 mulheres são assassinadas por dia neste país (casos registrados como feminicídios: lei de 2015 tipificou tal crime). Então, existe um contexto e vários pretextos.

 

PRECISAMOS CONVERSAR.

Precisamos falar sobre relacionamentos abusivos e violência contra a mulher, pois esses dois andam por aí juntos - A maior parte dos crimes registrados são cometidos por namorados/maridos/companheiros. Cabe a nós decidirmos se vamos continuar com medo desse desconhecido ou se vamos falar sobre ele, se vamos denunciar e finalmente, se vamos começar a acreditar nas mulheres e nas suas histórias.

 

Várias são as vítimas de relacionamentos abusivos que não conseguem enxergar o que está acontecendo. Sabe aquela sua amiga que você “esculacha” e que parece nunca aprender? Migas, ela está presa nesse relacionamento tóxico e precisa mais da sua ajuda do que você pode imaginar. Não desacredite uma mulher, não reafirme as humilhações que ela passa diariamente, não desconfie quando sua amiga vier conversar, pelo contrário, se abra e deixe que ela confie em ti.

 

Gritar, xingar, empurrar, controlar o celular, as senhas, as redes sociais. Controlar roupas, maquiagem, dinheiro. Manipular, dissimular, inverter papéis, chamar sempre de louca e neurótica. Desacreditar, isolar dos amigos e família. “Ninguém ama mais do que ele, é um ciúme bobo porque ele ama demais, você é tão confusa que ninguém mais te amaria, ninguém pode te suportar só ele”. NADA DISSO É NORMAL. Não romantizem tudo isso. Não deixem que meninas acreditem que uma mulher de verdade muda um homem.

 

NÃO! NÃO MUDA.

Nós não somos obrigadas a mudar ninguém para sermos verdadeiramente amadas. Amor é via de mão dupla, é constante aprendizado, é troca, é assunto complexo para outros tantos textos.

 

Mas, amor não exige suas senhas e nem controla sua mente. Não te isola, nem te bate.

 

Aliás, sobre violência: há muitas. Violência psicológica, moral, patrimonial e econômica, sexual e física. E se você não sabe sobre, não tenha vergonha. Procure, pergunte, se informe, converse, não tenha medo de julgamentos. E para quem for questionado a respeito, não tenha medo de responder e de auxiliar alguém. Não julgue precipitadamente, aconselhe sem invadir espaços. Toda conversa delicada tende a surtir mais efeitos bons.

 

Para você, mulher, que lê, que assim como eu ficou indignada e enojada com o que aconteceu esta semana num programa nacional (em tv aberta). Para você que repudia toda e qualquer violência contra a mulher. Para você que já passou por este tipo de relacionamento e que conseguiu sair. Ou para aquelas que ainda não conseguiram, mas desejam. Para você que não enxerga e para você que enxerga muito bem. Para todas nós: NÃO TENHAMOS MAIS MEDO.

 

O que aconteceu não foi um mimimi feminista (“tá” bem longe de ser). Foi o posicionamento correto e que mostrou a força que nós, mulheres, temos juntas. Juntas a gente se protege, a gente se defende, a gente é ouvida. Deixem de apontar a outra mulher, e se dêem as mãos. Forcem essas rupturas na sociedade.

 

Que a gente faça os homens entenderem que isso não é uma luta por superioridade, mas sim por equidade, por R E S P E I T O.

 

Nossas vidas valem muito e não podemos mais aceitar tais sofrimentos impostos e direitos que nos são negados.

 

Se você que leu e que concordou um “tiquinho” comigo, mas não gosta de se rotular, pare também de rotular o movimento feminista (ou qualquer outro movimento de luta).

 

Sabe essas mulheres que tiveram a coragem e a decência de denunciar o caso do BBB e sabe as duas delegadas que peitaram a toda poderosa emissora, sabe? Elas não caíram no velho conto de que feminista fica de peito de fora, caga e mija na rua. Elas fizeram a diferença dentro de um país cuja cultura arraigada é tão machista.

 

E você, que concorda com alguma delas, está mais próxima(o) do movimento feminista do que imagina.

 

Mais uma vez, não deixe o medo do desconhecido vencer. Procure saber sobre os movimentos e sobre as lutas, converse, dialogue de forma respeitosa, e aí você vai entender que qualquer desconhecido pode e deve ser desvendado. E que por mais obscuro que pareça ou que seja, vencer este medo vale muito a pena.

 

A ignorância não é bênção, é prisão. Liberte-se dessas correntes.

 

Taynara Pouso de RG, publicitária de formação, cacerense de nascimento, cuiabana de coração. 26 anos, faz textão, é de movimento, é de ação.

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