Quarta-Feira, 12 de Abril de 2017, 15h:31

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Manda nudes?

Por: CLAUDIA CADORE

 

 

claudia cadore

 

A internet chegou e revolucionou o mundo que as gerações do século passado conheciam. Essa nova tecnologia veio rompendo fronteiras, mudou a maneira das pessoas se comunicarem e acabou por reformular todas as formas de interação humana, sejam elas afetivas, comerciais ou ilícitas.

 

Na mesma toada da rede mundial, chegaram as ameaças virtuais, que, com a constante evolução tecnológica, se aprimoram diariamente e se propagam com uma velocidade incalculável.


O leque de crimes virtuais é amplo e a maior parte das vítimas desse tipo de delito é formada por pessoas comuns, que, deslumbradas com as facilidades, mergulham no mundo cibernético sem avaliar o tamanho do perigo a que se expõem.

 

Nesse rol de cidadãos comuns, as mulheres são as maiores vítimas de vazamento na internet de vídeos e imagens íntimas, os populares “nudes”. Esse tipo de crime é também conhecido como “pornografia da vingança”.  Dados de uma pesquisa realizada pela ONG Safernet, entidade que monitora crimes e violações dos direitos humanos na internet, mostram que em 2015 foram registradas 224 denúncias de "pornografia de vingança" no país, o que aponta um crescimento se comparado com 2014, quando foram feitos 48 registros de ocorrências. Os números são de âmbito nacional.

 

A chamada "pornografia de vingança", conhecida também pelo nome em inglês “revenge porn”, é praticada principalmente por ex-namorados e ex-maridos que compartilham fotos ou vídeos íntimos nas redes sociais, geralmente motivados pelo “ciúme”. Esse é um dos fatores que mais impulsionam a pornografia eletrônica.

 

O vazamento de nudes ou vídeos íntimos na internet se popularizou graças aos modernos smartphones e seus aplicativos. Com mil e uma funcionalidades à disposição, os celulares permitem a produção de vídeos e fotos, que chegam facilmente às redes sociais quando os aparelhos são extraviados ou furtados ou quando o sentimento vingança entra em ação.

 

Apesar de homens e mulheres compartilharem as imagens, elas são as que mais sofrem com o vazamento de imagens indesejadas e representam 81% das vítimas. Os homens são apenas 16% do total de queixas e 3% das vítimas não tiveram o gênero identificado. Além de serem do sexo feminino, o perfil das vítimas que têm imagens vazadas é jovem, 53% têm menos de 25 anos de idade. Destas, 25% delas são menores, com idade entre 12 e 17 anos.  As mulheres mais jovens acabam sendo presas mais fáceis para abusadores por conta da inexperiência, que as leva a confiar cegamente no parceiro. Nesses casos é forte o sentimento de culpa, que acarreta em transtornos psicológicos, que chega a depressões profundas e até tentativa de suicídio, quando não, a consumação do ato.

 

Um caso emblemático de vítima da pornografia da vingança ocorrido em 2014 é o de uma adolescente gaúcha, de 16 anos, que após terminar o namoro teve suas fotos seminuas divulgadas e suicidou-se. Em tempos de protagonismo feminino frente à violência e opressão masculina, as mulheres devem estar atentas aos sinais que podem identificar uma situação de abuso e reagir. Somente com essa conscientização se chegará a uma sociedade que, de fato, priorize a igualdade de gênero e o respeito ao ser humano em sua totalidade.

 

Claudia Cadore é jornalista e acadêmica de Direito.

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