Domingo, 14 de Maio de 2017, 15h:23

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Mãe é bicho esquisito

Por: ARIADNE CAMARGO

 

Edson Rodrigues

Taynara_Pouso
Não tem, no mundo, bicho mais esquisito que mãe. Esse ser tem forma de mulher, mas se transforma a cada momento em função de outro ser.

Já na gestação se acostuma a alimentar o outro, então, come o que detesta porque faz bem pro bebê e deixa de comer o que ama para não fazer mal.

Bicho esquisito é mãe, como pode tudo o que acontece com o filhote passar a ser culpa dela? Se a criança tem cólicas (porque o intestino do bebê precisa ainda aprender o que fazer) perguntam logo com aquela cara de recriminação: o que você anda comendo, hein? A pergunta vem seguida de uma série de restrições de acordo com o freguês. Nessa hora, sogra, cunhada, amiga, avó, motorista do ônibus, patrão, seja lá quem esteja ouvindo o choro da criança diz pra coitada da mãe tudo o que ela não pode comer. Se ela der ouvidos a todos, lascou, em uma semana não existe mais porque NADA pode, já que TUDO o que ela come se transforma em cólica que se transforma em choro.   

Começa aí a síndrome da mãe culpada! Filho caiu, culpa da mãe que não viu. Filho não come, culpa da mãe. Filho come demais, culpa da mãe. Filho bagunceiro, a mãe não educa. Filho quieto demais, a mãe é repressora e por aí vai. TUDINHO passa a ser culpa da mãe. Mãe é bicho esquisito mesmo, acredita!

Mãe é bicho esquisito! Não sente fome, comer pra quê? Deixa pra criança que está em fase de crescimento, e lá vai ela abrir mão do leite, para que o filho possa beber, nada de guloseimas, tudo de melhor vai pra cria, simplesmente assim, como algo natural. Não sente frio, o casaco dela pula pro filho em instantes, "o que tem de mal ficar com unhas e lábios roxos? O que importa é que o bebê está quentinho.

Esquisita mesmo essa tal de mãe... parece até um polvo. Um braço lava a louça, o outro carrega a criança, a boca se transforma em braço para segurar  pilhas de roupas (ou de livros).

Mãe não dorme. Sono de mãe é coisa rara e leve, ela ouve até a respiração da criaturinha no outro quarto, ela é privada de sono para amamentar, dar remédio, esperar o moleque chegar da balada ou pra cuidar do neto pra filha dormir mais um pouco. "Amanhã eu durmo", ela diz, mas o sono sempre é limitado, entrecortado, atento!

Esquisita essa tal de mãe, nunca vi desse jeito! Pode alguém ser cozinheira, arrumadeira, curandeira, milagreira? Mãe sempre prepara os melhores quitutes (panqueca, almôndegas, filé, empada de banana, salada de maionese, mousse, pipoca, batata de quadradinho...), mãe tem um jeito especial de arrumar guarda-roupas (jogando tudo pra fora pra te obrigar a por no lugar), mãe cura até pé quebrado com beijo dizendo que "quando casar, sara", cura alergia com água gelada e insônia com leite quente. Mãe faz milagre com salário mínimo pro filho ter água, comida e roupa lavada, faz milagre com chazinho da planta do quintal, faz milagre com colo e cuidados ao coração partido.

Mãe é bicho esquisito porque ama de tal modo que se transforma em tudo o que é necessário. Mãe é bicho esquisito todo inteiro, INTEIRA, até quando o filho pensa que ela falta, a bichinha está lá, firme forte, às vezes resplandecente e imponente,  outras vezes às escondidas, nas sombras do amor pro filho poder bater asas feito águia que empurra o filhote do ninho mesmo com dor no coração.

Mãe é bicho esquisito, dá conta de um, dois, três, quatro... dá conta dos seus próprios filhos, da conta dos que vêm junto no pacote e que são tão dela quanto os outros. Ama igual, educa igual, cuida igual.

Mãe é esquisita mesmo, sorri quando quer chorar só pra não preocupar o filho, chora escondida no chuveiro ou trancada no quarto, mas se é o filho quem chora, só a ameaça da lágrima já é descoberta e a causa da dor é logo acolhida naquele imenso pequenino colo.

Todas essas esquisitices de mãe são privilégios das múltiplas facetas que esse ser possui. Sempre é possível contar com elas, viver momentos inesquecíveis com elas, aprender com elas.

Mães são feiticeiras poderosas cheias de saberes profundos com poderes sobrenaturais. MÃE é algo que Deus criou pra ter certeza de que Seus filhos terão a chance de ter por perto o maior exemplo de amor divino.


Sou Ariadne Camargo, inquieta mulher de 33 anos, observadora das sutilezas da vida, esposa e mãe em constante construção, professora encantada com a agitação adolescente, empenhada em contribuir para o pensar e existir genuíno de jovens com quem tenho e tive o prazer de conviver e com os quais aprendo, aprendo e aprendo!
 
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