Sexta-Feira, 21 de Abril de 2017, 18h:20

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Eu sempre tive vergonha

Por: TAYNARA POUSO

 

Edson Rodrigues

Taynara Pouso

 

Eu tive vergonha do quanto era magra.

Eu tive vergonha do quanto era baixa.

Eu tive vergonha do meu cabelo liso, grosso e cheio.

Eu tive vergonha dos meus fios brancos que pela minha genética apareceram muito cedo.

Eu tive vergonha das minhas cicatrizes de tombos na infância.

Eu tive vergonha da minha voz.

Eu tive vergonha do meu pouco peito.

Eu tive vergonha das minhas pernas tortinhas.

Eu tive vergonha do meu nome.

Eu tive vergonha dos meus traços indígenas.

Eu tive vergonha do que escrevia.

Eu tive vergonha do que pensava.

Eu tive muita vergonha.

Algumas pessoas me faziam ter vergonha. É, eu era fora dos padrões delas.

Aí eu fui crescendo. Amadurecendo. E conheci um caminho novo e libertador.

Não faz muito tempo não.

Conheci de verdade o feminismo enquanto escrevia minha monografia para concluir o curso de Publicidade e Propaganda. Foi escrevendo que pensei. E pensando me libertei. Parei de ouvir as vozes dos outros e passei a ouvir só a minha. A sociedade, os coleguinhas da escola, os amiguinhos da adolescência, algumas (MUITAS) pessoas ficaram pra trás, de verdade. E não que eu tenha esquecido o que eles me disseram. Mas eu aprendi a me admirar.

Passei a vida toda tendo vergonha. Agora não mais. Qualidades ou defeitos. Virtudes ou não. Tudo o que me diziam ser feio na verdade era só o meu EU. E o meu EU hoje se admira muito, porque lutou demais pra chegar até aqui.

Então é um prazer e um orgulho dizer que eu sou assim.

Bem assim

Desse “jeitin”

Feitinha de mim.

 

Taynara Pouso de RG, publicitária de formação, cacerense de nascimento, cuiabana de coração. 26 anos, faz textão, é de movimento, é de ação.

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2 Comentários

Eduardo de Souza - 22/04/2017

Mais um belo texto. Continue assim.

Amanda Peixoto - 21/04/2017

Parabéns por mais esse texto maravilhoso e encantador!!

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