Quarta-Feira, 02 de Maio de 2018, 22h:30

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A raiva e seu efeito devastador

Por: MICHELY FIGUEIREDO

Mauro Camargo

Michely

 

Um, dois, três... de repente já chego ao 100. A contagem compassada, pensando na forma e no som de cada número, tem sido uma das ferramentas que utilizo para que a raiva - uma marca muitooooooo forte na minha personalidade - não tome o controle do meu ser por completo. A luta é imensa. A língua sedenta por dar respostas atravessadas, a voz completamente alterada, subindo o volume o mais alto que pode, o coração bate um tom acima do normal e acelera cada vez que uma ofensa é barrada na saída.


Antes imaginava que conter toda essa "lava" que surgia desse "vulcão" pronto para patrolar quem quer que o acionasse faria mal, partindo da lógica que "engolir" toda essa fúria traria sérios danos à minha garganta e estômago. Poderia até fazer sentido, no entanto, não faria mal também despejar toda essa "toxina" em cima do outro? Afinal, quem precisa olhar para dentro: eu com toda a minha raiva ou a pessoa ou situação gatilho que fez o copo transbordar?


Nesse processo de reflexão, entendi que não basta somente conter e engolir a raiva. Se o procedimento for apenas esse, o resultado é desastroso. Ela é indigesta. Vai causando danos onde fica acumulada. O fígado dá sinais de problema, o estômago padece, a garganta vive inflamada. O corpo fala quando não sabemos lidar com nossas emoções. Por isso a barreira precisa ser na verdade uma "peneira".


Fale da sua raiva, contudo mantenha você o controle da situação. Se a vontade é gritar, module a voz e fale daquilo que lhe incomoda. O treino é esse. Respire, conte carneirinhos, escreva, cante uma música, medite, ore, corra, se exercite, mas mantenha o controle da situação. Não jogue sujeira embaixo do tapete. Uma hora o espaço acaba e tudo isso fica espalhado no meio da sala.


Mas o principal de tudo isso é entender que a raiva é sua. É um sentimento que lhe acompanha. Se em uma situação incômoda ela aparece, é sinal de que precisa ser olhada, compreendida, acolhida e colocada no lugar onde deve estar.


É ruim sentirmos raiva? De maneira alguma, desde que ela esteja sobre controle. Falo da raiva especificamente porque é uma característica minha muito forte e resolvi pegá-la como exemplo. Mas isso serve para a tristeza, o medo, a ansiedade, a angústia, a timidez, a preguiça, a procrastinação...


Ainda estou dando passos nesse processo, mas recordando situações do passado, posso atestar que metade dessa fúria contida no meu âmago foi controlada. Embora ainda estoure em certas situações, em outras já consigo manter a racionalidade almejada.


Mas o mais importante é não desistir desta caminhada árdua rumo ao autoconhecimento. E cada dia revela um novo território a ser explorado. Embaixo de uma inferioridade pode estar escondida uma joia rara, que quando descoberta, torna a vida mais leve. Pense nisso. Qual o tamanho do tesouro que pode estar soterrado aí dentro de você?

*Michely Figueiredo é jornalista, psicoterapeuta reecarnacionista, mãe do Inã, estudante de acupuntura, caçadora de amizades sinceras, apaixonada pelas oportunidades de transmutação

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