Quinta-Feira, 18 de Maio de 2017, 17h:17

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A faxina continua

Por: PETU ALBUQUERQUE

Michely_Figueiredo

 

Enganou-se quem pensou que o Brasil já tinha concluído o seu processo de faxina quando do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em que pese o PT ter se corrompido, não o fez sozinho. Não dá mais para tapar o sol com a peneira. A corrupção no Brasil é endêmica. Foi incorporada ao funcionamento da coisa pública e também da privada. A relação é a mais promíscua e deletéria possível.

Por enquanto tomamos conhecimento do relacionamento tóxico instalado entre políticos detentores de mandato e empresários de grande relevância no país. No entanto, é preciso jogar luz em outros setores, como Judiciário e Ministério Público – que acredito não estarem imunes do mesmo comportamento.

Há uma grande lamentação sobre os impactos na economia com mais este episódio que causa asco, mostrando que o atual presidente da República também está corrompido. No entanto, é preciso registrar que essa “limpeza” é mais que necessária, custe o que custar. O brasileiro não pode mais ser conivente com essas práticas espúrias. Mas para isso é preciso que mudemos também a nossa forma de comportamento. Afinal, a corrupção é cultural. Existe no país desde que este foi descoberto.  

Não é mais possível que adotemos postura na qual nos beneficiemos em detrimento de outros. E esse comportamento vai desde furar fila até aceitar pagar um “agradinho” ao policial para que o carro com o imposto atrasado não seja apreendido. É preciso adotar tolerância zero contra a corrupção, assim como funciona a lei seca, que visa reduzir drasticamente os casos de morte no trânsito.

É utopia acreditar que a corrupção será banida do país. Mas vale ressaltar que esses índices devem cair muito. Não é mais possível, por exemplo, aceitar que o presidente da República avalize a compra do silêncio de um ex-deputado federal que pode causar uma verdadeira hecatombe no Governo. Não é possível mais aceitar o dinheiro na cueca. As malas e mais malas de dinheiro público que deixam de ser aplicadas na saúde, segurança e educação para engordar os cofres de ratos disfarçados de representantes públicos.

Observando todos esses episódios, fica cada vez mais claro que o ser humano pensa sempre em seu umbigo, deixando de lado o bem coletivo. Até quando? Até quando suportaremos esse tipo de egoísmo, que se torna fatal para algumas pessoas?

Junto com a faxina nacional, façamos também uma bela limpeza interna. Aproveitemos a oportunidade para observar o nosso comportamento, quais valores pesam no nosso cotidiano. Se cada um faz a sua parte, o todo é impactado. Não nos furtemos da responsabilidade que temos no processo.

Petu Albuquerque é uma mulher balzaquiana, observadora da vida, aspirante à psicoterapeuta reencarnacionista e que tem fé na mudança.

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1 Comentários

Haroldo - 23/05/2017

Somente alguém que chegou a essa idade para ter essa clareza de entendimento. A mudança de comportamento de deve ser aguardado por nós. Não podemos esperar que os nossos representante mude o seu, sendo nós mesmo não mudamos o nosso comportamento. Sabe, esse seu texto me fez recordar da celebre frase de Golbert que disse certa feita: "A grandeza de uma nação não se mede pela extensão de seus territórios, mas sim pelo caráter de seu povo". O Brasil, país de extensões continentais, é tão pequeno quanto o minúsculo Vaticano, pois se compararmos o nosso caráter, a sua grandeza territorial se desfaz. Brilhante observação trazida no texto, enquanto não mudarmos o nosso comportamento, "Brasília" e os nossos Representantes não mudarão. Obrigado por nos fazer refletir sobre o nosso verdadeiro papel na sociedade, nosso verdadeiro papel neste planeta.

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