Quinta-Feira, 23 de Fevereiro de 2017, 14h:12

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Ordem!

Amada ou odiada, quente ou fria, morna não o é. Advocacia não é qualquer profissão. Que lado você prefere? Depende: acuso ou sou acusado?

Por: LUCIANO PINTO

Marcos Lopes

Luciano Pinto

 

Anunciada a vinda do Presidente do Conselho Federal da OAB para as terras Cuiabanas nesta quinta-feira (dia 23). Claudio Lamachia vem ao estado de Mato Grosso bradar apoio à toda classe advocatícia, pelos fatos ocorridos na semana passada, que envolveram o decreto prisional de advogado. Afirmou essa decisão a existência de periculosidade, potencial a justificar a prisão, devido ao exercício da atividade da advocacia.

 

Amada ou odiada, quente ou fria, morna não o é. Advocacia não é qualquer profissão. Que lado você prefere? Depende: acuso ou sou acusado?

 

Não temos lado. Como classe profissional, não somos parciais. Engajados no sacerdócio da defesa dos interesses da sociedade, e dos nossos clientes individualmente, defendemos. Acusando, defendemos. Defendendo, defendemos. Não importa. Lutamos, incansavelmente lutamos. Lutamos contra a discriminação da e na sociedade. Lutamos contra um Judiciário abarrotado. Lutamos pelas injustiças com as quais diariamente nos deparamos.

 

O labor diário do advogado é completamente diferente da imensa maioria das profissões. Nosso cotidiano é marcado por confrontos. Escrevendo, falando, agindo, somos todos profissionais do embate, treinados para a querela, muitas vezes, sentados à mesa, mediando ou conciliando interesses.

 

Me parece muito hilário o tratamento dado ao assunto por parte da imprensa. Hoje alguns jornais noticiam que do outro lado do movimento da advocacia está o povo, que apoia incondicionalmente a Juíza Selma de Arruda no combate à corrupção. Coloca a advocacia unida com a banda podre da sociedade, os corruptos.

 

Com uma população de duzentas milhões de pessoas, já alcançamos a marca de cem milhões de ações judiciais (aqui). De cada dois brasileiros um possui uma ação judicial, e isso faz a brincadeira ficar interessante. Inevitavelmente, essa “pessoa judicializada” precisa de um advogado para defender seus direitos, fazendo prevalecer seus interesses no embate com o alheio. Significa então que o advogado ao mesmo tempo que é bandido, pode ser mocinho. A própria imprensa, não raro, precisa de exímios advogados para defender sua liberdade de imprensa, manifestação de pensamento, entre outros direitos.

 

Mas eu compreendo. É essa forma de abordagem que “vende jornal”. É esse tratamento hipocritamente limitado que “dá ibope”. Irresponsável, talvez, mas quem se importa; jogamos para a plateia, ela vai decidir como se comportar.

 

Mesmo assim, nós, advogados, continuamos firmes na luta pela defesa. Sociedade, ambiente, indivíduos, coletivos, objetos, sentimentos, e tantos outros “bens” que sejam defensíveis. Estaremos lá, na luta irrefreável pelo aperfeiçoamento do ser humano.

 

Sobre o caso em si, o Presidente Leonardo foi enfático em entrevista ao Lino Rossi no programa Chamada Geral. Determinou, de imediato, abertura de processo disciplinar sobre os fatos consignados no processo investigatório. Agiu com esmero acerto.

 

Vamos acompanhar!  

 

*LUCIANO PINTO é advogado do escritório LP Advocacia.  Email: luciano@lpadvocacia.com.br

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