Quinta-Feira, 03 de Agosto de 2017, 17h:01

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Tenente acusada de tortura contra aluno dos Bombeiros tira licença médica de 3 meses

Por: JESSICA BACHEGA

A tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur, acusada de torturar o aluno soldado Rodrigo Claro durante um treinamento de salvamento aquático em novembro de 2016, teve seu pedido de licença médica publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta terça-feira (2). Ela ficara afastada das atividades por três meses para tratamento médico.

 

Arquivo Pessoal

aluno rodrigo claro

 Aluno Rodrigo Claro

O pedido da oficial causou mais indignação por parte da família de Rodrigo. Nove meses após a morte do aluno, Antonio Claro, pai do rapaz, falou com a imprensa pela primeira vez e acredita que a justiça começou a ser feita quando a Polícia Civil passou a investigar o caso, o Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia requerendo a prisão da oficial e a juíza Selma Arruda determinou o monitoramento da tenente. 

 

“Acredito que a juíza e o promotor Sérgio não são bobos e sabem que esse atestado é só uma forma da defesa da tenente ganhar tempo. Pois não tem para onde eles correrem, tem provas, testemunhas que comprovam o que a Ledur fez com meu filho”, ressalta indignado o pai do rapaz , que também é bombeiro.

 

Conforme informações, desde o mês de março, quando foi negada a promoção à tenente, ela vem apresentando atestados médicos de períodos mais curtos. Porém, após ser determinado o uso da tornozeleira ela trouxe ao comando da corporação o atestado médico para o tratamento entre os dias do dia 18 de julho até 15 de outubro. O que causa estranheza entre os familiares da vítima.

 

“Não há o que se questionar quando se apresenta o atestado. O Corpo de Bombeiros tem que aceitar. Mas nós sabemos que é muito fácil conseguir o documento com algum profissional”, declara. 

 

“Essa é só uma estratégia deles para adiar cada vez mais o processo, porque a ação por crime de tortura também prescreve. Mas a Justiça está alerta e ela não vai sair impune”, enfatiza o bombeiro. 

 

Para o pai de Rodrigo, a esperança de que a tenente não ficará impune consola minimamente sua dor. “O que eu queria é que meu filho estivesse aqui. O mês de dezembro seria um mês de festa para nós. Ele se formaria e eu seria promovido, mas acabou em tristeza depois daquele treinamento”, lamenta Antonio Claro. “Não queremos vingança, mas esperamos que ela pague pelo que fez”, frisa. 

 

Segundo o pai, a fama da tenente Ledur dentro da corporação era de “durona” e que já havia muitas outras reclamações quanto ao seu comportamento. O lema do Corpo de Bombeiros nas turmas sob a instrução da oficial é de “arrochar” os alunos para que “se formarem apenas cinco, serão os cinco melhores”. “Anunciaram para a imprensa que mudaram o treinamento, mas precisou que meu filho morresse para que fosse alterado. Porque todos sabiam como eram os treinamentos da Ledur”, afirma. 

 

Além da tramitação da ação na qual a tenente é acusada de maus tratos e tortura, existe na corregedoria do Corpo de Bombeiros, a ação que analisa se a oficial tem condições de ficar na corporação. O processo é analisado pelo Conselho de Justificação e após concluído será encaminhado para o governador do Estado, a quem cabe decidir sobre a permanência ou saída da oficial dos Bombeiros. 

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