Domingo, 12 de Agosto de 2018, 09h:40

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ONG realiza trabalho psicossocial com mulheres que sofreram violência doméstica

Por: JULIANA ALVES - ESPECIAL PARA O HIPERNOTÍCIAS

“É papel do estado e do município oferecer políticas públicas para mudar isso. O que a gente tenta fazer é melhorar a qualidade de vida das mulheres que estão aqui”, relata Tânia de Matos, voluntária na ONG Liga de Reestruturação das Irmãs Ofendidas no seu Sentimento, que também pode ser chamada simplesmente de Lírios.

 

A organização Lírios oferece apoio psicológico e social à mulheres que sofrem ou sofreram violência. Fundada em dezembro de 2013, ela funciona na rua da Fraternidade, n° 01. Jardim Imperador II – Várzea Grande. Sem parceria com o município ou o estado, um grupo de voluntários e três psicólogas tentam mudar a vida de mulheres machucadas fisicamente e emocionalmente. 

Alan Cosme/HiperNoticias

tania regina/ONG lirios

 

 

Tânia é uma das fundadoras e diz que a ONG nasceu após uma audiência pública na câmara municipal, local em que foi debatido o alto índice de violência contra a mulher em Várzea Grande. 

 

Duas psicólogas atendem na sede da organização e uma em Cuiabá. Tânia aponta que os resultados tem sido fantásticos e que já tiveram de janeiro a julho deste ano 37 pacientes, totalizando 124 sessões de psicologia.

 

Mesmo as mulheres que não tem condições financeiras para manter um cartão de transporte público, a organização cede um com um valor suficiente para que a paciente frequente suas consultas durante o mês.

 

Apesar de muitos resultados serem positivos e gerarem uma vida melhor para a mulher, muitas não aceitam, não entendem ou desistem logo no começo do tratamento. As vítimas geralmente são encaminhadas pela delegacia, pelo fórum ou pela defensoria pública.

 

“A mulher em situação de violência, quando ela sai de um relacionamento, ou ela fica sozinha ou arruma outro com o mesmo perfil. A profissional que a atendeu no fórum, defensoria, delegacia, ela percebe isso e encaminha para ver se quebra esse ciclo. Para que a mulher não arrume um companheiro com o mesmo padrão abusivo”, aponta Tânia.

 

Ela relata que é um processo difícil e doloroso, pois as vítimas devem mexer em feridas antigas. O tratamento envolve relembrar a infância, ver como era o relacionamento dos pais, a sua criação e nem todas querem passar por isso. “Remexer no passado e relembrar coisas doloridas é necessário para a pessoa se libertar”.

 

Apesar das vítimas geralmente serem encaminhadas pelos órgãos de justiça, qualquer mulher que já sofreu ou sofre violência e deseja realizar um atendimento pode procurar a Lírios. Todas são bem vindas, mas é realizado uma triagem para saber se a paciente realmente não tem condições financeiras para pagar um psicólogo particular.

Alan Cosme/HiperNoticias

ONG lirios

 

 

“A sociedade precisa passar por um processo de reeducação e respeitar mais, não só as mulheres, mas qualquer ser humano. E Várzea Grande não foge do padrão do resto do país, os índices de violência são muito altos. E nós temos músicas que ofendem a mulher, são cenas de novelas que denigrem e mostram vingança, violência contra a mulher. Isso não colabora em nada, só choca as pessoas. O que trouxe de bom? Que mensagem aquilo traz?”.

 

Tânia desabafa que a educação é fundamental para que a cultura machista mude e dessa forma algumas mentalidades mudem.

 

Conscientização social

A Lírios busca não só ajudar as mulheres, mas conscientizar a população desde a infância e os próprios homens, que geralmente são os agressores.

 

 

Voluntárias fazem um grupo reflexivo com os homens, tentado fazer com que eles mudem suas ações e sejam pessoas melhores na sociedade e para as mulheres em seus futuros relacionamentos.

 

 

“Nós trabalhamos em todos os sentidos para ajudar a diminuir a violência aqui no município, principalmente contra mulher”.

 

 

A ONG promove atividades como rodas de discussões e palestras. Realizam também teatros sobre a Lei Maria da Penha, são cenas com fantoches para conscientizar e informar crianças sobre a violência.

 

 

E as parcerias da Lírios buscam realizar cursos de noções básicas de empreendorismo inteiramente gratuito para as mulheres, para que possam ter autonomia financeira e crescimento pessoal. E cursos de artesanato também.

 

 

Participam de eventos que tem como objetivo a defesa de direitos, o cuidado com a saúde e a prevenção de todas as formas de violência contra as mulheres.

Alan Cosme/HiperNoticias

ONG lirios

 

 

Atualmente a organização concorre ao prêmio Innovare 2018, classificado na categoria “Justiça e Cidadania”. Concorre ao “Viva Voluntário”, que é uma premiação do Governo Federal e também participa do prêmio Objetivos de Desenvolvimento sustentável.

 

 

Lírios sobrevivendo

A organização se mantem de parcerias com empresas privadas, como por exemplo, uma rede de supermercados está realizando a campanha “Troco solidário”, dessa forma algumas pessoas podem doar o seu troco diretamente à ONG.

 

 

Além disso eles tem parceria com a Faculdade AUM que ajuda em contas e oferece cinco estudantes de psicologia por semestre para realizarem estágio na organização, dessa forma realizando trabalho voluntário.

 

E outro meio de sobrevivência são as vendas do “Bazar da Pechincha”. São roupas, sapatos, bolsas, bijuterias e produtos personalizados, novos ou usados, que são vendidos as segundas-feiras e as quartas-feiras, das 8h30 às 11h.

 

Tânia faz apelo para que mais pessoas se voluntariem à Lírios, pois atualmente são somente 17 pessoas ativas. Participar da ONG, além das doações envolvem plantões na sede, ajuda de todas as formas, representar a Lírios em eventos e muito mais.

 

Além disso a equipe pretende reformar a sede e construir mais uma sala para atendimento psicológico, pois para a demanda está sendo insuficiente.

 

Para entrar em contato basta ligar para (65) 9 9233 5440. Para doar os dados são:

Banco do Brasil

Conta Corrente: 65245-8

Agencia 27642

CNPJ 20.399.344/0001-22

Redes sociais da ong : Lírios Organização da Sociedade Civil

 

Credito: Alan Cosme/HiperNoticias
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