Sábado, 28 de Julho de 2018, 08h:00

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"É criminoso o que está acontecendo aqui", diz médica que relata falta de luvas para atender paciente

Por: DANNA BELLE

O Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC) vive uma situação de caos que se arrasta há longo tempo, mas dessa vez as condições tiveram uma piora ainda mais drástica. Há falta de itens essenciais como sabão para lavar as mãos e luvas para que os médicos atendam os pacientes.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

pronto socorro de cuiaba

 

“A situação é antiga, muito pior está há uns três meses e impossível de trabalhar há um mês. Esse mês de julho todo dia tem alguma coisa faltando”, lamentou um profissional de medicina que à reportagem do HiperNotícias. 

 

A falta de insumos é prejudicial ao ponto de aumentar os casos de pacientes com infecções hospitalares, além de subir a taxa de mortalidade.

 

“Taxa de infecções elevadíssimas. Todos os pacientes acabam contraindo infecções por conta desse tipo de falta de cuidado. Mortalidade aqui é elevadíssima comparada com outras UTIs, outros hospitais, aqui é absurdo. É criminoso o que está acontecendo aqui” relatou.

 

O funcionário do hospital relatou situações deprimentes por parte da diretoria da unidade, que vem pedindo racionamento dos materiais, entre eles luvas de procedimento para que o material não acabe de vez. Em tese, cada par de luva deve ser descartado após o atendimento de cada paciente para evitar contaminação.

 

“Então, além de medicamentos que já é normal faltar aqui, essa semana a gente trabalhou sem luva e com orientações de racionamento para a gente utilizar a menor quantidade possível. Não tem como você usar a mesma luva duas vezes. É um absurdo o que acontece, então a gente não tem condições de trabalhar desse jeito”, afirmou.

 

“Há racionamento de materiais de ventilação mecânica dos pacientes que estão respirando em aparelhos, não tem gaze para todo mundo, sabão para lavar as mãos, copo para beber água. Os antibióticos são de qualidade suspeita, porque são genéricos, tudo que você imaginar, aqui é precário”, complementou.

 

Na tentativa de solucionar os problemas, os médicos informam aos responsáveis pela unidade de saúde a falta de cada item, mas sem sucesso, pois a gerência informa estar sem recursos financeiros para aquisição dos insumos.

 

“Um local muito difícil de condições de trabalho, higiene, materiais, sempre muito precário. Nos últimos tempos está ainda mais difícil, porque todo dia a gente tenta medidas, conversa com os superiores, a diretoria técnica, diretoria clínica do hospital e não tem condições. O que eles falam é que não tem repasse da prefeitura e assim eles não têm condições de comprar nada”, comentou.

 

Parte dos comunicados feitos por meio de ofício interno fica sem resposta, a outra parte que recebe retorno alega falta de verba para aquisição dos itens faltantes.

 

“Comunicados oficiais diariamente com ofícios internos, a gente tenta, a maioria das vezes não tem nenhuma resposta e quando respondem falam que não tem recursos para comprar os materiais e que é para ter paciência e economizar”, informou.

 

Os funcionários não tomam nenhuma medida mais drástica por receio de sofrerem represálias, como por exemplo demissão.

 

“As pessoas têm medo de serem mandadas embora, inclusive quando a gente conversava, a postura da diretoria anterior era bem punitiva, a gente ia pedir um material que era para o paciente, a direção levava para o lado pessoal, chamava atenção, desligava o telefone”, falou.

 

Segundo o servidor, houve caso de intimidação de um colega de trabalho por meio de ligações, fato que gera desânimos entre a equipe de profissionais.

 

“Teve um caso de um pedido feito de material que não tinha no hospital para sedação do paciente, não tinha como manter o paciente sedado. A diretora ligou para o médico que cobrou o material e falou ‘você para de colocar as coisas no grupo, você fica mentindo’, levando para o lado pessoal mesmo, ao invés de achar que nós estamos preocupados com o cuidado do paciente. As pessoas vão desanimando aos poucos e ninguém se juntou para fazer algo. Tanto a enfermagem quanto os médicos é muito difícil eles se juntarem por esse medo”, concluiu.

 

Recentemente o secretário de Saúde de Cuiabá foi trocado, assim como o diretor do PSMC, mas ambos não melhoraram a situação na unidade.

 

“Não que não tenhamos reclamados, mas não tem solução, não temos acesso às autoridades para poder falar, a gente conversa com quem está aqui dentro, mas nada resolve. Recentemente trocou a diretoria do hospital e a postura deles é cada vez economizar mais, demite funcionário para economizar dinheiro como se isso fosse resolver a situação”, reclamou.

 

Outro lado

 

Em relação ao questionamento sobre falta de insumos no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, a Secretaria Municipal de Saúde informa que a unidade hospitalar é abastecida semanalmente com os materiais. Nesta semana a demanda destes materiais foi maior do que o esperado, por isso acabou antes do reabastecimento. Até sábado (28) o abastecimento do PS estará regularizado. 

 

Sobre a questão da suposta perseguição citada, a Secretaria informa que recentemente foi empossada uma nova administração na Central de Regulação e no Pronto Socorro, que está empenhada em melhorar os fluxos de atendimento aos pacientes da unidade hospitalar e que, para isso está realizando um estudo de todo o organograma e lotacionograma com o objetivo de aprimorar o funcionamento do Pronto Socorro.

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1 Comentários

Servidores - 28/07/2018

É vergonhoso o que está acontecendo no PS de CUIABA , colocam nos cargos comissionados pessoas sem conhecimento técnico , simplesmente com indicação política, sem perfil nenhum! Prefeito a saúde não é cabide de emprego de política ! Com a Saúde não se brinca! Vc está afundando cada vez mais a Saúde de Cuiaba! Fica colocando puxa sacos no poder, affiiii ninguém merece , nem mesmo nós funcionários e pacientes , nunca o PS ficou assim largado, sem condições , só pessoas incompetentes! Acorda povo, o Cuiabano não merece isso na nossa saúde

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