Domingo, 27 de Agosto de 2017, 14h:00

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Comerciantes do Mercado Municipal Miguel Sutil aguardam reforma há 20 anos

Por: JESSICA BACHEGA

Local de compras e encontro da cuiabania nos anos 70, o Mercado Municipal Miguel Sutil está em completa decadência. Com promessas atrás de promessas, os comerciantes que mantêm boxes no local esperam há 20 anos por uma reforma no local.

 

Edson Rodrigues/ Hipernotícias

mercado municipal miguel sutil

 A fachada do Mercado não existe mais há anos

O mercado, que ocupa um quarteirão da Avenida Isaac Póvoas, não lembra em nada o centro de comércio de seus tempos áureos. Época na qual seu entorno ainda era composto por residências e as famílias se dirigiam ao local para realizarem suas compras e encontrar amigos.

 

As portas enferrujadas dos boxes abandonados, as paredes escuras pela sujeira e umidade, o forte odor de urina misturado com bebidas alcoólicas e restos de carne em decomposição  nos ossos espalhados pelo pátio compõe o cenário onde homens e mulheres consomem porções de petiscos e cerveja. A trilha sonora que alterna funk e Amado Batista embala os dias de quem frequenta os bares do Mercado Central. Raros clientes buscam as demais lojas.

 

A situação atual do mercado tem afastado a clientela local e os turistas que visitam a região central da cidade passam ao largo do ponto de comércio. Sem uma fachada sinalizando o Mercado Municipal, muitas pessoas nem sabem de sua existência. “As vezes aparece alguém aqui perguntando onde fica o Mercado, mas a gente fala que não tem. Não dá para apresentar isso aqui como Mercado Municipal”, afirma uma comerciante que há 20 anos trabalha no local.

 

Segundo ela, falta organização para que o espaço volte a se tornar o ponto de visitação que era antigamente. 

 

Segundo o comerciante Sebastião de Paula, no início do ano, ele e outros microempresários que têm boxes no mercado se reuniram com o vereador Paulo Araújo (PP) e o prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB). Eles levaram as reivindicações dos demais trabalhadores do Mercado e saíram do encontro com a promessa de revitalização do espaço. Porém, nada foi feito ainda.

 

Edson Rodrigues/ Hipernotícias

mercado municipal miguel sutil

 Sebastião mantém merceria no Mercado há duas décadas

Sebastião relata que a polícia sempre vai ao local, o que acaba sendo constrangedor para quem tem comércio no espaço e afasta os clientes. “A polícia vem, mas não vejo levar ninguém daqui”, ressalta o dono de uma das mercearias onde trabalha com o filho.

 

Os portões do Mercado Municipal abrem as 07h e fecham às 23 horas. Durante o período, o pátio, que é usado como estacionamento, é palco de todo tipo de atividade como pequenos furtos, uso de drogas e prostituição, como contou outro comerciante.

 

A reclamação se repete com Nuri Dogan, dono do Empório Nuri, que mantém suas portas abertas para a Avenida Isaac Póvoas e rua Joaquim Murtinho, afim de atrair os consumidores que passam pela avenida e não entram no Mercado.

 

“Isso aqui está abandonado. Ninguém vem aqui. Em meados dos anos 80 as pessoas vinham se encontrar aqui. Hoje ninguém vem mais. Eu já fui assaltado mais de 10 vezes”, frisa o comerciante que permanece há décadas com sua mercearia, onde vende uma infinidade de produtos e conta com uma lanchonete, da qual se orgulha, “nosso salgado é muito bom”. “ A gente não sai daqui, porque precisa trabalhar todos os dias para nos sustentar”, pontua. “Mas a cada ano a situação só piora”.

 

Em um boxe pequeno, na entrada de um dos corredores do Mercado, está a administração que exibe no vidro que a circunda o alvará de funcionamento e a liberação da vigilância sanitária na qual registra que o local foi vistoriado e pode estar aberto ao público.

 

Edson Rodrigues/ Hipernotícias

mercado municipal miguel sutil

 Robson reclama de descaso com o espaço

Robson Zanelati, chaveiro que tem boxe no espaço há mais de vinte anos, conta que a última reforma realizada no Mercado Municipal foi na gestão do ex-prefeito Dante de Oliveira (1993-1994) e que desde então os comerciantes só ouvem promessas. Ele relata que em determinado período os donos de boxes foram incentivados a deixar o local, pois havia a rumores da possibilidade da venda das instalações para uma grande empresa do ramo de eletrodomésticos. 

 

“As autoridades só vem aqui em época de eleição, depois somem e  a gente continua aqui nessa condição. Eu já reformei meu boxe, mas não posso mais. Isso aqui não é meu. É alugado e dever da prefeitura cuidar”, salienta.

 

Cada comerciante paga um aluguel mensal pelo uso do espaço. O valor varia de acordo com o tamanho do box,  porém não há controle dos pagamentos e muitos dos que estão no Mercado permanecem inadimplentes.

 

Conforme anunciou o prefeito Emanuel Pinheiro, a revitalização do Mercado Municipal Miguel Sutil está entre as obras a serem realizadas pela Sec 300 para a celebração dos três séculos da Capital.

 

De acordo com o projeto, serão quatro andares de estacionamento com capacidade para 750 veículos, com o mercado no térreo, auditório e pontos comerciais. Não foi divulgada a data para início das obras.

Credito: Edson Rodrigues/ Hipernotícias
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