Sábado, 29 de Julho de 2017, 14h:00

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Artista plástico mato-grossense leva obras para exposição na Austrália

Por: CAMILLA ZENI

Reconhecido em todo o mundo, o mato-grossense Sebastião Mendes vai novamente representar o estado no cenário internacional. Dessa vez, a convite da Embaixada Brasileira na Austrália. O artista plástico é dono de pinceladas com traços exibicionistas e figurativos e as suas obras farão parte de mostras nos museus da Austrália, durante a primeira semana de setembro.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

sebastião mendes

 

O sucesso das telas tem uma explicação lógica e simples: elas retratam o cotidiano. Conforme o artista, “é uma linguagem bem do Brasil interiorano, que retrata os costumes, as brincadeiras, o cotidiano do povo. Principalmente, do povo mato-grossense”. Mendes revelou ainda que esta mesma linguagem, do trabalhador do campo, será mantida em sua próxima exposição. No ano que vem, o artista leverá seu trabalho para a China.

 

As pinceladas do óleo sobre a tela trazem os traços do expressionismo figurativo e o exagero nas formas trabalhadas. “É uma textura do óleo como Portinari usava também, com sobreposição de cores. É o efeito, a textura”, explicou.

 

A inspiração também vem do simples: “é o ser humano e das coisas que nos rodeiam no cotidiano”. “Os exemplos para meu trabalho, eu busquei de estudos de Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e também Pablo Picasso, com o cubismo nas obras”, explicou.

 

“Se tem tela branca, eu pinto. Você tem um amanhecer a cada manhã e muita imaginação. Então eu tenho facilidade para criar meus personagens, pinto várias telas ao mesmo tempo. E não tenho aquela coisa de ‘hoje eu não quero pintar’, pelo contrário, se não pinto já fico chateado, porque já é um costume, quatro da manhã já estou em pé”, revelou o artista.

 

De Mato Grosso para o mundo

Incentivado pelo frei Mateus, professor na escola religiosa onde estudou na juventude, Sebastião começou a pintar ainda aos 10 anos, e, após notar o talento nato para a arte, não parou mais. “O artista já nasce artista, eu costumo dizer. Eu acho que sou artista desde o ventre de minha mãe”, destacou Mendes.

 

Sua estreia profissional foi aos 16 anos, quando fez sua primeira exposição. Depois, foi ao Rio de Janeiro para se aproximar dos grandes artistas da época.  “Fiquei quase dois anos e logo voltei. Em seguida, em 1987, fui para Uberlândia, onde conheci outros artistas. E em 1995 fiz minha primeira viagem para a Europa”, contou.

 

Mendes já expôs em diversos estados do país e no exterior, em museus e galerias da Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Bélgica, Noruega, Portugal e Suíça. É membro da Academia Brasileira de Belas Artes desde 2007, onde ocupa a terceira cadeira, outrora pertencente ao paulista Cândido Portinari. Agora, tem a ambição de levar seus retratos à Ásia e Oceania.

 

O artista tem obras espalhadas por acervos em todas as partes do globo, sendo desde o quadro “Mato Grosso - Nossas Raízes, Nossa Cultura”, entregue na reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso, em 1995, a duas pinturas para a Prefeitura de Malgrat del Mar, em Barcelona (Espanha).

 

Em seu portfólio, o crítico de arte Oscar D’Ambrósio descreveu as obras de Mendes: “Há, nelas, a integração com a natureza, de homens e mulheres entre si e com o mundo. A delicadeza de sua poesia está na maneira como acredita no futuro melhor para todos nós, marcado pela cor e pela harmonia plástica”.

 

Confira a entrevista:

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