Quarta-Feira, 09 de Novembro de 2016, 15h:19

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Após relato dramático no Facebook, corpo de servidora do TJ é encontrado

Por: MAX AGUIAR

Uma advogada de 25 anos, servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, está sendo procurada pelas equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil de Chapada dos Guimarães (distante 65km de Cuiabá), após deixar uma mensagem subliminar na sua conta no Facebook.

 

Ciopaer

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Segundo informações da página da rede social da desaparecida, ela se formou há pouco tempo pela Universidade de Brasília (UNB). Porém, já trabalhou em órgãos como o  Superior Tribunal de Justiça, Conselho Nacional de Justiça.

 

Segundo informações da Polícia Militar, a advogada pegou um táxi em Cuiabá e desceu nas proximidades do Mirante. Uma testemunha confirmou que viu uma mulher chorando entrando no local, que atualmente está proibido para visitação.

 

No Mirante, conforme a Polícia, foram encontrada a bolsa e um par de sapatos. Na mensagem deixada no Facebook, que mais parece uma carta de despedida aos amigos e familiares, a servidora faz um dramático relato do período em que trabalhou em um escritório em Brasília. Ela revela ainda que retornou a Mato Grosso na tentativa de se livrar da perseguição. 

 

"No decorrer desse longo ano eu pensei em um cem números de "saídas", mas fica difícil quando se é vítima de uma mente brilhantemente psicopática e narcisista determinada. Esse texto tem 2 intuitos, denunciar uma situação de abuso insustentável e alertar as pessoas para a gravidade desse tipo de situação", escreveu a advogada.

 

Ela conta que essa pessoa (sem citar o nome) seria seu professor de Direito Tributário, que teria um escritório no qual ela fez estágio. "Começaram a chegar vários presentes injustificados, mensagens por WhatsApp totalmente fora do contexto do trabalho (P.ex: "sou seu fã", ou "você é demais") e fora de hora, muitas, muitas, muitas, perguntas de cunho pessoal. Na época eu desconfiava, mas pensava: acho que não, ele é professor da UnB, me deu 1 ano de aula, é procurador do DF, tem um currículo e uma reputação impecável, é casado, ele não faria isso", postou a advogada.

 

Adiante na história, a advogada fala em abuso. "Até que passou a ficar muito claro que ele tinha interesses em mim em nada relacionados ao trabalho, mas ele era tão educado, gentil, solícito, atencioso que eu não conseguia pensar mal, acho que eu não queria ver. As coisas ficaram "sérias" quando ele me disse que estava se divorciando da esposa e que estava muito mal com tudo, olhava pra mim com olhar de pesar e pedia que eu entendesse, dizia que gostava muito de mim e me pedia paciência. Eu não vou entrar no mérito das mentiras relacionadas a vida conjugal dele, porque essa não é uma história de desilusão, é uma história de abuso".

 

"A minha vida era completamente monitorada, meu carro, meu celular, meu computador, minha casa! Isso por precaução, para se assegurar que a imagem impecável dele não fosse maculada, eu era um risco muito grande à integridade da imagem dele, enquanto isso às favas minha integridade emocional e psicológica. Quando eu percebi onde tinha me metido... 6 meses depois, caiu minha ficha. Não "só" isso, mas muitas, muitas, muitas mentiras, coisas relacionada à licitude dos negócios feitos no escritório. Eu percebi que estava diante de uma mente extremamente brilhante, maquiavélica, calculista, psicopática. Foi nessa época que passei a ter medo de ficar sozinha em casa, ele sabia onde eu morava, e dava muitos sinais disso, eu passei a dificuldades para dormir, qualquer barulho noturno me assutava e me fazia sentir ameaçada", descreve a jovem de 25 anos.

 

No texto, Ariadne diz que a situação é tarde para ela resolver, mas que alguém faça, pois esse tal professor não iria parar.

  

Atualizada às 15h20 -  O corpo de uma mulher foi resgatado por volta das 15h no Mirante da Chapada dos Guimarães. "Ainda não podemos confirmar a identidade, mas pode ser da advogada que está desaparecida. Fizemos o resgate e agora o corpo será levado ao IML de Cuiabá. Pela altura que ela caiu, de aproximadamente 45 metros, o corpo tinha várias fraturas", comentou o tenente-coronel Henrique Santos, comandante do Ciopaer. 

 

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