Quinta-Feira, 17 de Maio de 2018, 18h:12

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Apesar de conquistas, cresce a violência contra o LGBT

Por: JULIANA ALVES - ESPECIAL PARA O HIPERNOTÍCIAS

O Grupo Gay Bahia coletou e registrou estatísticas da morte de 445 lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) no Brasil em 2017. Em Mato Grosso, a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) divulgou que o número de mortes por homofobia dobrou, em um comparativo entre 2016 e 2017. Foram 7 mortes registradas em 2016 e no ano seguinte 14. E em 2018 já foram 5 casos. E outras ocorrências registradas, com a mesma motivação, também aumentaram de 67 para 89 em 2017 e até abril deste ano foram registrados 25 casos.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

parada gay 2016

 

O preconceito e a violência geralmente começam dentro de casa, como a história de um rapaz de 21 anos, que prefere não se identificar. Ele conta que nunca foi um menino muito discreto e sempre percebeu olhares e comentários. Estudou pouco mais de um ano em uma escola religiosa em Cuiabá e diz que foi extremamente discriminado e perseguido por colegas que algumas vezes foram influenciados por outros adultos, como professores e padres. Depois de determinadas situações dentro da escola, ouviu o coordenador culpá-lo das ações dos demais e dizer que seu “jeitinho” precisava mudar.

 

“Em falar em ‘jeitinho’, quem vivia muito com essa palavra na boca era meu pai. Quantas vezes ouvi um ‘fala direito’, ‘anda igual homem’, ‘essa calça não’. O maior problema da minha vida foi o meu pai”. Relata que apanhou diversas vezes do pai, as vezes após algum jantar em família, quando alguns parentes não aceitavam o seu jeito de ser. “A minha relação com ele nunca foi muito boa, mas hoje, depois de muitas brigas e bate boca, ele é maravilhoso. Mas eu já cansei de ir com olho roxo, com hematomas nos braços e nas pernas para a escola”.

 

O ápice para a família foi quando ele começou a namorar e seu pai descobriu. “Foi um dos dias que mais apanhei, fiquei com um hematoma horroroso no rosto e tenho uma marquinha até hoje”, conta lembrando que foi expulso de casa. Ficou uma semana na casa de uma amiga, quando sua mãe apareceu no seu colégio para levá-lo embora, anunciando o divórcio. “Foi quando meus pais se separaram por minha causa”, relata.

 

Nas ruas a violência contra o LGBT está cada vez mais presente. Em julho de 2017, a travesti Natália Pimentel, 22, foi atropelada intencionalmente em um ponto de prostituição em Várzea Grande, depois de ter se recusado a fazer um programa por R$17. No dia 25 de junho, Tabata Brandão, 30, foi morta a tiros em Rondonópolis após o suspeito ter feito piadas homofóbicas e ela ter revidado as agressões verbais.

 

Conquistas LGBT

Em 17 de maio é comemorado o Dia Internacional Contra a Homofobia que visa lutar contra a discriminação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Nessa data, em 1990 o termo “homossexualismo” passou a ser desconsiderado e a homossexualidade foi excluída como doença ou problema relacionado a saúde pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

No final de janeiro foi publicada no Diário Oficial de Contas por meio da portaria n°25/2018/SMS, uma medida que reconhece o nome social. Em respeito a identidade de gênero, no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (SMS), uma pessoa oficialmente do sexo masculino ou vice versa, poderá ser tratada pelo nome que o representa.

Bruno Cidade/HiperNotícias

Parada Gay

 

 

Cuiabá instalou um Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual (CMADS) visa promover políticas públicas para garantir os direitos do público LGBT, que depois de muita luta foi conquistado.

 

“Na rede de saúde do município já está sendo aceito o nome social. Agora a trans já pode ser cadastrada e respeitada com o nome social. O prefeito Emanuel Pinheiro vai montar um laboratório que deverá atender somente a população trans. Nós estamos trabalhando com a capacitação de todos os funcionários que atendem nas UPAs e nos centros de saúde do município. Essa capacitação é para que saibam atender o gay, a lésbica, a travesti e a trans, por que esse atendimento é muito inoperante para essa população. Estamos lançando cursos profissionalizantes para a população LGBT que está fora do mercado e precisa ser capacitada para conseguir o seu espaço. Tudo isso através de leis que apresentamos como políticas públicas para o prefeito, ele manda para a câmara e é aprovada”, dia o Presidente do CMADS, Valdomiro Arruda.

 

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