Quinta-Feira, 12 de Julho de 2018, 14h:35

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Aparelho da Politec está quebrado há mais de um ano e atrasa entrega de resultados

Por: JULIANA ALVES - ESPECIAL PARA O HIPERNOTÍCIAS

O diretor metropolitano de laboratório forense, Paulo Sérgio Vasconcelos de Oliveira, informou que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) está com um aparelho quebrado há aproximadamente um ano e seis meses. De acordo com ele, o cromatógrafo gasoso associado à espectrômetro de massa está parado devido a burocracia em licitações para reparo.

 

O equipamento é utilizado para fazer exames de dois tipos, os de material químico bruto e os de matrizes toxicológicas tratadas. Paulo Sérgio explicou que o primeiro tipo é para quando existe a suspeita de, por exemplo, um contaminante em algum material. O conteúdo é fragmentado, tratado e o resultado do equipamento vai fornecer uma série de compostos. “Nós vamos montar esse quebra-cabeças e descobrir o que tinha lá dentro”. 

Alan Cosme/HiperNoticias

cromatógrafo gasoso associado à espectrômetro de massa

 Cromatógrafo gasoso associado à espectrômetro de massa, aparelho quebrado há mais de um ano na Politec

 

Esse, por exemplo, é o acaso do estudante que passou mal, após tomar água supostamente contaminada no restaurante universitário (R.U) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A situação está sendo investigado pela polícia civil e a Politec é responsavel pelo exame do material, que depende do cromatógrafo gasoso associado à espectrômetro de massa.

 

O diretor explicou que, como o aparelho da perícia está quebrado, foi solicitado o equipamento da  UFMT e o material colhido do R.U está sendo analisado dentro da universidade. O laudo ainda não foi concluído. 

 

O outro exame que o aparelho realiza é o de matrizes toxicológicas tratadas. Quando existe uma suspeita de envenenamento, o Instituto Médico Legal (IML) manda para a Politec, por exemplo, conteúdo gástrico, fragmentos de pulmão, fígado, entre outros órgãos.

 

“E a partir daí a gente trata, extrai os princípios ativos, trata o material com solventes de modo que seja compatível com a rotina do equipamento e a partir dali o equipamento vai fazer, vai traçar a partir daquilo que foi extraído uma fragmentação e construção de um quebra-cabeças que ai nós montamos para dar origem a uma substância. E essa substância pode ser a toxicológica que afetou a pessoa e pode ter levado ela à óbito. Aí nós temos uma perspectiva, uma análise fiel do que tem ali dentro”, explica o diretor. 

 

Ainda de acordo com ele, o equipamento é muito sensível e é utilizado por perícias do mundo inteiro. Seu processo de manutenção é delicado e complexo. “Existem vários fatores e não é qualquer empresa que faz isso, são poucas e o governo tem que disponibilizar a possibilidade de fazermos essa manutenção. E a partir daí nós corremos atrás das empresas parceiras que têm essa disponibilidade. Que se interessam também e, conseguindo isso tudo, ai serão feitos outros levantamentos de insumos, contratos, a parte burocrática que infelizmente é necessária para garantir a segurança do patrimônio público, infelizmente é preciso”. 

 

Alan Cosme/HiperNoticias

paulo sergio/diretor do laboratório florense

 Paulo Sérgio - Diretor metropolitano de laboratório forense 

O diretor acredita que até o final deste ano os equipamentos estarão funcionando, enquanto isso os peritos buscam outros meios para fazer as análises. Alguns itens, da parte toxicológica, são processados por outros equipamentos. “Da parte química, como ela não estraga, se mantém, nós guardamos isso, nós acondicionamos o material esperando que vá voltar a funcionar o equipamento”.

 

Enquanto isso, para demandas urgentes, com um forte interesse público, a Politec solicita que o Estado forneça condições para que o exame seja realizado em outro laboratório no Brasil. “Nós entramos em contato e pedimos favores para nossos colegas e perícias em outros estados”. 

 

Paulo acrescenta que, além de dificultar os exames, isso atrasa os resultados. Por exemplo, no caso da UFMT, após a preparação do material que é extraído, tratado, inserido no equipamento que deve ser programado, a análise em si leva de 37 à 40 minutos para se ter os resultados.

 

 

Ele conta que o equipamento foi cedido para o Estado via Secretaria Nacional de Segurança Pública e compete ao Estado de Mato Grosso realizar a manutenção. E através de nota, a Politec informou que já se encontra em trâmite o processo para licitação.

 

Confira a nota da Politec:

Sobre a realização do exame Toxicológico Geral, a Politec informa que:
 
 
O Laboratório Forense da Politec possui dois equipamentos de cromatógrafo gasoso, sendo um deles utilizado, principalmente, nas análises de alcoolemia e o outro nas análises de venenos.
 
 
Há aproximadamente dois meses, depois de um longo processo para aquisição do contrato de manutenção do equipamento, a Politec colocou em funcionamento o cromatógrafo gasoso com detector FID, utilizado nas análises de alcoolemia. Foi dado toda a prioridade para este equipamento porque as amostras para essas análises têm um prazo muito curto de validade, de apenas 14 dias, ocasionando perdas irreparáveis nas análises forense.
 
 
Neste momento a Politec vem concentrando todos os esforços para aquisição do contrato de manutenção do segundo equipamento utilizado nas análises de veneno. O Processo já se encontra em trâmite para licitação.
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