Sábado, 26 de Agosto de 2017, 00h:31

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Silval expõe vísceras da política estadual

Blog do Mauro Cabeçalho

 

O fim do sigilo da delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) mostrou como uma parte significativa da classe política de Mato Grosso tratou a coisa pública: como um balcão de negócios em que os interesses pessoais eram mais importantes do que a realização de políticas públicas para a população que, sacrificada, sustentava todo o sistema.

 

Muito mais

No total, foram 56 eventos narrados por Silval, episódios em que a população foi simplesmente deixada de lado, enquanto alguns atores pilhavam, recebiam e acumulavam milhões de reais dos cofres públicos. Nos anexos apresentados por ele estão citadas mais de 100 pessoas e empresas, supostamente envolvidas nestes episódios.

 

Imagem

O deboche com que muitos, que em público bradavam por Justiça Social, demonstravam a cada negociata está simbolizado nos vídeos em que vários deputados estaduais, de oposição e situação, se comportavam em frente a maços e mais maços de dinheiro.

 

Gângsteres

A ausência de qualquer sentido moral e ético pode ser também representada por um episódio que teria ocorrido na Assembleia Legislativa e foi narrado por Silval. O deputado Adauto de Freitas, o Daltinho (SD), gravou uma reunião em que os parlamentares discutiam o chamado “mensalinho”. Com esta gravação, ele chantageou os colegas para permanecer no cargo e não voltar para a suplência.

 

Sem mocinho

Embora tenha implodido um esquema que perdurou por mais de uma década, o ex-governador não pode ser encarado como “mocinho” na história, como tenta fazer crer. Ele nasceu, cresceu, alimentou e foi alimentado dentro deste sistema político podre e falido.

 

Ressalva

As denúncias de Silval atingem o senador e hoje ministro da Agricultura Blairo Maggi. Verdadeiras ou não, tais denúncias foram determinantes para que a delação premiada fosse homologada pelo STF, já que é condição jurídica os fatos a serem revelados alcancem pessoas de maior relevância que o delator.

 

Fumaça

A revelação da íntegra da delação de Silval trouxe luz a um episódio improvável, a suposta compra de proteção, feita pelo ex-governador, para não ter seus atos devassados por Pedro Taques (PSDB).

Inverossímil

Embora tenha alegado a existência de reuniões para tratar do tema, o peemedebista afirmou que não fez nenhum pagamento para o comitê de campanha do tucano. E Taques, em momento algum desde a campanha eleitoral, deixou de atacar e de investigar atos administrativos de Silval. E é exatamente em razão das auditorias sobre sua gestão que o ex-governador acabou preso.

 

Difícil

Ao contrário de Taques, quem está em situação muito complicada é o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB). Flagrado recebendo propina do ex-chefe de gabinete de Silval, ele ficará marcado como um dos símbolos da corrupção no Estado. Embora negue as acusações, dizendo-se vítima de uma armação, o peemedebista está perdendo apoio desde a revelação das imagens, quase como as notas que caem de seu bolso no vídeo.

 

Protestos

Movimentos sociais já se articulam e prometem pressionar os vereadores a abrirem um processo contra Pinheiro por quebra de decoro. De nada tem adiantado o fato de que os supostos atos tenham acontecido enquanto o peemedebista era deputado estadual, uma parcela significativa da população quer a saída dele do cargo.

 

Oposição

Outra pessoa em situação delicada é a hoje prefeita de Juara, Luciane Bezerra (PSB), que sempre negou qualquer pagamento irregular por ser de oposição, mas foi flagrada nas imagens, até com “tremedeira” ao ver a quantidade de dinheiro que estava com o ex-chefe de gabinete de Silval.

 

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