Segunda-Feira, 28 de Maio de 2018, 16h:12

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Refém de um único modal de transporte, o Brasil para com a greve

Por: BLOG DO MAURO

Blog do Mauro Cabeçalho

 

Uma única categoria profissional é capaz de parar o Brasil.  De cortar o abastecimento de combustíveis, de alimentos, de remédios. De fechar hospitais, órgãos públicos, escolas e empresas. Uma única categoria é capaz de estabelecer o caos econômico e social em menos de 10 dias de paralisação. Grave. Gravíssimo!
 
Dependência absurda
 
A primeira grande lição da greve dos caminhoneiros é a de que o Brasil precisa rever sua matriz de transportes. Não é possível que um país continental como o nosso seja 99,9% dependente do transporte rodoviário.
 
Questão estratégica
 
O transporte de combustíveis, por exemplo, não pode ser uma quase exclusividade dos caminhões. A implantação de polidutos, como já defendia Dante de Oliveira há mais de 20 anos, precisa ser vista como uma necessidade estratégica, de segurança nacional, como bem demonstra a paralisação dos caminhoneiros.
 
Alternativa racional
 
Os polidutos idealizados por Dante de Oliveira, no caso de Mato Grosso, trariam diesel e gasolina das refinarias e levariam daqui o etanol (de cana e milho) e o biodiesel a um custo ínfimo, se comparado com os fretes e com o custo de manutenção das rodovias.
 
Modal da corrupção
 
O transporte ferroviário e hidroviário tem um custo até seis vezes menores que o rodoviário, que só se justifica pelo lobby do setor automotivo (incluindo não apenas a indústria de caminhões e automóveis, mas de auto peças, pneus, etc.), pelos esquemas de corrupção das grandes empreiteiras e pela cultura da propina dos políticos brasileiros.
 
Ilusão intelectual
 
A greve dos caminhoneiros tem motivação exclusivamente econômica e atende apenas e tão somente aos interesses da categoria. Basta ver a pauta de reivindicações. Mas muita gente defende a greve imaginando que o movimento pode trazer resultados políticos e econômicos para toda a sociedade.
 
Frete não cai
 
A redução do preço do diesel e de tarifas de pedágio para os caminhões, a implantação por meio de lei de um preço mínimo para o frete não vão derrubar o preço do etanol, da gasolina ou dos gêneros alimentícios. Tais medidas servirão apenas para aumentar a margem de lucro das transportadoras e dos caminhoneiros autônomos.
 
Sem viés político
 
A greve dos caminhoneiros também não servirá para derrubar o governo Temer ou para libertar Lula da prisão, como gostariam os “esquerdopatas”, muito menos para determinar um golpe militar – ou intervenção como defendem os apedeutas da neodireita brasileira. Não foi uma greve política, nem com motivações éticas.
 
Apedeutas e ressentidos
 
Obviamente que não faltam, nas redes sociais, quem se mostre disposto a exibir toda sua ignorância política, declarando apoio ao movimento dos caminhoneiros e pedindo, ao mesmo tempo, intervenção militar. Também sobram petistas ressentidos se regozijando do caos promovido pela paralização.
 
A conta é nossa
 
O acordo fechado com os caminhoneiros terá um custo de R$ 9,5 bilhões aos cofres públicos, isto é, aos contribuintes brasileiros. O subsídio ao combustível utilizado pelos caminhoneiros pode até render demissões com a volta da cobrança integral dos encargos sociais sobre as folhas de pagamento.

 

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