Sexta-Feira, 25 de Agosto de 2017, 09h:21

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Ex-governador implode sistema político de MT

Blog do Mauro 2

 

Daqui a cem anos, historiadores classificarão a história política de Mato Grosso em dois períodos, antes e depois da delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Em uma amostra – pequena, dizem os mais próximos – do que virá com os anexos do acordo de colaboração, ele implodiu uma parte considerável do sistema político de Mato Grosso, decretando, muito provavelmente, a aposentadoria de algumas autoridades.

 

Sem o chapéu

Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB) ganhou destaque no Jornal Nacional como aquele que “deixa cair maços de dinheiro no chão”. Em um momento nada republicano, ele é um dos que aparecem recebendo pacotes de dinheiro das mãos do chefe de gabinete de Silval, Sílvio Cezar Corrêa Araújo. Ao político recomenda-se checar sempre se os bolsos do paletó não estão furados.

 

Armação

Enquanto alguns vereadores começaram a tratar abertamente da saída do peemedebista – que à época dos pagamentos era deputado estadual -  do comando do município, pessoas próximas ao prefeito ensaiam o discurso de que a gravação é uma armação. Antes de ser candidato a prefeito, Pinheiro disse que sua mãe considerava a Prefeitura de Cuiabá um “cemitério de políticos”. Mais uma vez, ela tem razão.

 

De todos os jeitos

Depois de Emanuel, desfilou pela reportagem um número grande de deputados e ex-deputados estaduais, até mesmo de oposição, recebendo dinheiro e acondicionando os maços em caixas, bolsas, malas e mochilas. Ezequiel Fonseca (PP), Luciane Bezerra (PSB), Jota Barreto (PR) e Alexandre César (PT) foram os mostrados nessa leva. A exemplo de Pinheiro, todos terão dificuldades para explicar o vídeo.

 

Olha o Zé

No vídeo apresentado pela reportagem do Jornal Nacional, quem também aparece envolvido com o pagamento da suposta propina é o deputado estadual José Domingos Fraga (PSD). Ele auxilia o então chefe de gabinete de Silval Barbosa a entregar maços de dinheiro ao deputado federal Ezequiel Fonseca. 

 

Dívida

Silval, aliás, deve sua vida a Sílvio, fiel escudeiro há muitos anos. Foi ele o responsável pelas gravações e, mais do que isso, por guardar as imagens a salvo e apresentar aos procuradores. Sem elas, Silval não conseguiria fechar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

Ponta do iceberg

Gente que viu as imagens garante que este foi apenas um aperitivo do que vem por aí. Um deputado estadual, por exemplo, que em um grupo de whatsapp estava tirando sarro de Pinheiro, não perde por esperar. Ele também foi gravado recebendo recursos de Silval e pode ter o mesmo fim dos demais.

 

Ameaças

Outra revelação importante inclui os senadores Wellington Fagundes (PR), que visitou Silval na prisão ao saber de uma eventual delação, e Cidinho Santos (PR), que teria sido gravado falando ao ex-governador de um plano envolvendo outras pessoas para anular a Operação Ararath e tirá-lo de lá.

 

De novo

Fagundes, aliás, foi citado em um novo episódio. Ele teria indicado o secretário de Transportes, Cinésio Nunes, e pressionado pelo recebimento de propinas de empreiteiras do MT Integrado. Não se sabe quais provas Silval tem deste episódio, mas a julgar pelo que já foi mostrado, a munição será pesada. Outra “figurinha repetida” no álbum da delação de Silval é o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB).

 

Renascer

Além de ter recebido R$ 4 milhões para apoiar a candidatura de Lúdio Cabral (PT) às eleições de 2012, o parlamentar teria sido beneficiado com R$ 1 milhão por intermediar a desapropriação de uma área localizada no que hoje é o bairro Renascer, em Cuiabá. Deste processo, saíram recursos para pagar propina a outro grupo de pessoas.

 

Fiscais

O grupo beneficiado com estes recursos é formado por cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que cobraram R$ 53 milhões para não atrapalharem o andamento das obras do MT Integrado. Conforme Silval, quando a propina atrasou, o TCE suspendeu os contratos com as empreiteiras.

 

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