Quinta-Feira, 28 de Setembro de 2017, 14h:42

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Crise institucional entre poderes e órgãos chega ao limite

Blog do Mauro Cabeçalho

 

A deflagração da Operação Esdras, que desvendou um suposto esquema para tirar o desembargador Orlando Perri da relatoria das investigações da chamada "Grampolândia Pantaneira" aumentou ainda mais a crise existente que envolve todas as instituições e poderes de Mato Grosso. Foram presos nada menos do que oito pessoas, incluindo quatro secretários e ex-secretários do atual governo.

 

Sem parecer

Para não solicitar ao Ministério Público Estadual (MP) um parecer acerca dos pedidos formulados pela delegada Ana Cristina Feldner, Perri usou como argumento inicial o fato de que o procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo, e o promotor Marcelo Ferra de Carvalho foram citados por um dos presos, que deu a entender que o MP ajudaria a parar as investigações.

 

Reação

A citação dos nomes de Curvo e Ferra foi considerada pelo procurador-geral como uma "canalhice". Ele destacou que irá solicitar que as condutas dele e do promotor sejam investigadas pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Um tom acima, a Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP) lembrou, por meio de nota, que a decisão de Perri é inaceitável, uma vez que o direito a vista do processo pertence a instituição e não a seus membros.

 

Fogo amigo

Há quem veja que a citação do nome de Ferra, que estava no CNMP até agosto, tenha a clara intenção de manchar sua reputação, sobretudo às vésperas da escolha de novos procuradores, que ocorrerá em outubro, disputa que tem elevado a temperatura entre colegas no âmbito do MP.

 

Sobrou

Até mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso (OAB/MT), teceu críticas ao procedimento, uma vez que não foi informada pela Polícia Civil da existência de mandado contra o ex-secretário Paulo Taques, advogado formalmente inscrito na entidade. A OAB/MT já pediu à Justiça que ele seja colocado em prisão domiciliar.

 

Panos quentes

Em um dia agitado, coube ao Governo do Estado buscar apaziguar o clima beligerante que toma conta da administração pública. Por meio de nota, o Executivo conclamou os demais poderes e a sociedade civil organizada a se unirem neste momento de dificuldades institucionais, por entender que o Estado e suas instituições são maiores que os indivíduos e suas circunstâncias, e devem se manter fortes, estáveis e coesos para liderar a sociedade na superação de seus desafios, sejam eles quais forem.

 

Mudança de rota

O fato pode ser encarado como a busca por um “pacto de governabilidade”, que assegure o pleno desempenho das funções de cada um dos poderes. O teor do texto, inclusive, foi bastante elogiado nas redes sociais.

 

Folhetim

Sobre o mérito da suposta tramoia que tentou tirar Perri do caso, trata-se de um folhetim de quinta categoria, que envolve gravações clandestinas – sempre elas – chantagem, deserções e reviravoltas, típicas de novelas mexicanas.

 

Cancelado

Por conta de todo o imbróglio, o governador Pedro Taques (PSDB), que afirmou estar surpreso com toda a trama, defendendo punição a todos os responsáveis após o devido processo legal, cancelou sua viagem a Brasília, onde participaria de uma série de compromissos, inclusive uma audiência pública, no Senado, para tratar da Lei Kandir.

 

 Ararath

Ainda teve tempo para que a Polícia Federal cumprisse quatro mandados de busca e apreensão para tentar encontrar a “mala preta” do deputado afastado Gilmar Fabris (PSD). Os mandados foram expedidos contra dois advogados, um deles concunhado do parlamentar, flagrados por imagens de um restaurante manuseando o material retirado pelo próprio parlamentar de casa, instantes antes da deflagração da Operação Malebolge.

 

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