Segunda-Feira, 30 de Abril de 2018, 14h:47

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Vivemos de acontecimentos

A temporalidade da vida é muito curta para aqueles que sabem utilizar cada minutinho

Por: WILSON CARLOS FUÁH

Arquivo pessoal

Wilson Carlos Fuá

 

Somos apenas aquilo que sempre fomos, ou seja, apenas seres humanos. Muitas pessoas se colocam acima dos outros por um poder relativo da riqueza acumulada, mas ninguém está um milímetro acima ou abaixo de ninguém. 
                          

Na verdade as pessoas estão deixando de lado a relação fraternal de igualdade, e por isso estão usando todo tipo de discriminação nas relações sociais. Infelizmente a todo minuto somos classificados, seja pela condição financeira, intelectual, estética, pela fama ou qualquer outro tipo de parâmetro social. 
                             

Somos todos iguais e por isso ninguém deve ser desclassificado por qualquer condição ou situação. Uma pessoa limitada pelo poder aquisitivo não deve ser excluída, pois tem o mesmo valor de um rei. Por isso, vemos pessoas milionárias vivendo de miséria emocional e a comprar os psicotrópicos na tentativa de melhorar os ânimos, mais com certeza estão a restringir o prazer de estar vivo.

                          

A ditadura do preconceito está em todos instante da nossa vida, o que é a mais drástica e destrutiva doença da humanidade. O julgamento pela aparência engessa a inteligência e gera toda sorte de discriminação, e desse estado de separação e escolha de pessoas ou tribos, podemos estar infelicitando pessoas e às vezes arrancando lágrimas, as vezes podemos estar cultuando injustiça, ou até distorcendo direito, tudo isso é que fomenta a violação dos direitos humanos.
                           

A temporalidade da vida é muito curta para aqueles que sabem utilizar cada minutinho da sua vida e muito longa para aqueles que perderam o prazer de conquista, pois a brevidade da vida deveria nos fazer buscar mais a sabedoria e dar um sentido mais rico à existência. E quando vivemos só pensando apenas na vaidade do poder transitório da acumulação e classificando as pessoas pela ótica dos interesses, com certeza o tédio e a angustia serão nossos parceiros íntimos na trajetória final da vida. 
                             

Estamos escravizados por querer resumir uma vida formada somente com atos perfeitos, o que nos leva a escravizar as nossas atitudes e quando elas não são bem administradas nos faz escapar da infelicidade momentânea, e por nunca saber que estão a nossa disposição milhares de motivos para sermos alegres e felizes, vivemos assim classificando ou desclassificando as pessoas.

 

* WILSON CARLOS FUÁH é economista, especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas.

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