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Artigos Quinta-feira, 03 de Agosto de 2017, 16:00 - A | A

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Quinta-feira, 03 de Agosto de 2017, 16h:00 - A | A

Um cadáver insepulto

Depois vieram as manobras através do pagamento de emendas parlamentares, totalizando mais de quatro bilhões de reais

JUACY DA SILVA

 

Hugo Dias/HiperNotícias

Juacy da Silva

 

Finalmente aconteceu o que a grande maioria do povo brasileiro já  esperava,  o Presidente Temer,  graças a todas as formas de ação e manobras fisiológicas conseguiu  barrar a solicitação para que fosse investigado e processado pelo Supremo Tribunal Federal, das acusações de corrupção passive apresentadas pelo Procurador Geral de Justiça, Rodrigo Janot.

 

Primeiro foram as substituições na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal impedindo a aprovação do relatório que recomendava a autorização Legislativa para que viesse a ser processado. Esta manobra, também  espúria, possibilitou a aprovação de um  relatório que não recomendava a autorização das investigações.

 

Depois vieram as manobras através do pagamento de emendas parlamentares, totalizando mais de quatro bilhões de reais, garantindo votos importantes no plenário da Câmara, conforme ocorrido na última quarta-feira.

 

Mesmo que Temer  tenha saído vencedor com 263  votos, este total ficou aquém do que seus articuladores na Câmara imaginavam, entre 290 e 300 votos, número necessário para dar continuidade à tramitação e aprovação de ouras propostas legislativas, como a da Reforma da Previdência, que dificilmente conseguirá aprovação na Câmara Federal.

 

Outro aspecto foi o “racha”  em algumas bancadas importantes que pertencem à base do governo, incluindo manifestações favoráveis a tramitação do processo que pedia autorização da Câmara para que Temer pudesse ser investigado pelo STF. Causou surpresa, por exemplo o fato de que líderes do PSDB e do PV,  votassem contra o relatório favorável a Temer. A bancada do PSDB praticamente rachou ao meio, inclusive dos doze deputados federais do PSDB de SP,que seguem a orientação do Governador Alkimin, onze votaram contra Temer.

 

Depois de tantas traições na base aliada, alguns partidos que não ocupam cargos de primeiro escalão  já estão se manifestando no sentido de exigir mais espaços, excluindo os infiéis de seus postos, isto irá gerar, de um lado, um apetite fisiológico e de outro vai acirrar os ânimos entre parlamentares que pretendem continuar na base de um governo moribundo e outros que desejam pular  for a do barco  para não afundarem juntos com Temer, o PMDB, PSDB e DEM nas  eleições de 2018.

 

Finalmente, esta foi uma vitória de Pirro,pois mais cedo ou mais tarde as investigações  contra  Temer, quer ele esteja no exercício da Presidência ou fora do cargo poderá  e deverá  ser investigado, julgado e com certeza condenado pelos  crimes cometidos, incluindo corrupção, obstrução da justiça, formação de quadrilha,lavagem de dinheiro e tráfico de influência, como  está acontecendo com ex detentores de cargos públicos como Lula, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Silval Barbosa e mais de uma centena de deputados e senadores que ainda gozam de foro privilegiado e  também  estão sendo investigados por crimes de colarinho branco.

 

Um  governo que a cada  dia que passa se torna mais refém  de parlamentares acusados de corrupção e ávidos por favores nada éticos, que não tem apoio concreto da maioria dos partidos políticos e que tem apenas 5% da opinião pública ao seu lado, é na verdade um governo moribundo, um cadáver insepulto, fétido com o passar do tempo.

 

Nesta análise cabe  também  uma  reflexão sobre a composição da Câmara Federal em relação aos aspectos éticos, que não resta dúvida deixa a mesma em situação de baixa legitimidade  como órgão julgador e de controle dos demais poderes e também como expressão da vontade popular.

 

Do total de 490 deputados que votaram a favor ou contra o relatório, ou seja, a favor ou contra Temer, nada menos do que 273 deputados, ou seja, 55,7% tem problemas com a Justiça, incluindo dezenas que estão sendo investigados na Lava Jato ou outras denúncias de corrupção.

 

Dos 263 que votaram para livrar Temer de ser investigado, processado e condenado pelo STF nada menos do que 111 deputados, ou seja, 42,2% estão com problemas na justiça e dos 227 que votaram  contra  o Presidente, jactando-se de falar em nome do povo, da democracia, da liberdade, da transparência, nada menos do que 62 também estão as voltas com a Justiça e diversos são também investigados por corrupção.

 

Boa parte desses deputados, tanto os que estão a favor quanto contrários às investigações contra Temer por corrupção também faziam parte da famosa  base dos governos Lula e Dilma, onde o PMDB e Temer eram sócios majoritários.

 

Curioso também é a ausência das massas que durante anos se manifestavam nas ruas  empunhando bandeiras e slogans como For a Dilma, Fora Lula, Fora PT, FORA CORRUPTOS  e quando um presidente é apanhado  em gravações comprometedoras e seus principais auxiliares e aliados no Congresso também  estão sendo denunciados por corrupção, essas grandes massas estão ausentes, mudas  de uma crise tão ou mais grave do que a ocorrida durante o processo de Impeachment de Dilma, de quem Temer foi sócio majoritário.

 

*JUACY DA SILVA é professor universitário, mestre  em sociologia, articulista e colaborador de jornais, sites e blogs.Email [email protected] Blog  www.professorjuacy.blogspot.com  Twitter@profjuacy

 

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Carlos Nunes 03/08/2017

Assisti ontem a votação, e a saída era deixar o Temer mesmo...a solução pro país tá na próxima eleição de 2018, pra presidente, governador, 2 senadores e deputados federal e estadual. Tirar o Temer agora só iria complicar ainda mais a situação nacional...não tem mais tempo...estamos em Agosto/2017 pra Agosto/2018, quando começa a próxima campanha eleitoral, é um pulo...tá bem aí..o tempo voa. Agora o Congresso Nacional, pra recuperar sua imagem, só não pode deixar o Temer retirar inúmeros direitos adquiridos pelos trabalhadores, principalmente quanto à Previdência. Reforma da Previdência deverá ser discutida na próxima campanha eleitoral, onde os candidatos vão apresentar suas propostas...aí, vão dizer pros eleitores: se eu ganhar a Previdência vai ficar assim, e os eleitores poderão escolher a melhor proposta. Assim sendo, a próxima eleição poderá ser uma ELEIÇÃO DE PROPOSTAS, e não uma eleição de dinheiro. Caberá ao Temer só levar o barco da Nação de um lado pro outro do rio...Grandes Reformas só com o próximo presidente. Quanto a Temer...bem, não escapará da Justiça, se as denúncias forem confirmadas com provas...A VERDADE sempre aparece, e a Justiça tarda mas não falha.

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