Quarta-Feira, 08 de Novembro de 2017, 16h:34

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Trem, trilho, túnel e luz

A eleição é uma luz, mas se continuarmos com os olhos vendados podemos pegar o trem errado

Por: JOÃO EDISOM

 

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João Edisom

 

Hoje vivemos em um Brasil que aguarda a chegada do ano de 2018 para tentar virar a página de uma história que começou lá na Copa das Confederações, em junho de 2013, e vislumbra que após as eleições de outubro do próximo ano teremos um 2019 diferente. Será?

 

A luz que pode vir no ano de 2018 para clarear nosso país a partir de 2019 precisa encontrar um túnel, um trilho, um trem. Sem educação de qualidade, sem mudança de comportamento da sociedade, sem politicas de valorização do trabalho não há túnel nem trem para conduzir-nos a luz.

 

A eleição é uma luz, mas se continuarmos com os olhos vendados podemos pegar o trem errado, ao ponto de descarrilhar antes de chegar no túnel. Só na recente história brasileira do pós Constituição de 1988 já pegamos dois trens que descarrilharam antes de encontrar o túnel, quem dirá a luz (Collor em 1990 e Dilma em 2014).

 

Vivemos um momento de reclamar do que temos, com toda a razão. Mas pouco ou nada fazemos para modificar o futuro. Somos um país sempre a espera de um milagre. Acreditamos em heróis e salvadores da pátria, mas criamos nossos filhos para depender deles e não para serem eles. A conta não fecha.

 

Aprendemos a furar fila, cortar caminho, encurtar distância na esperteza, mas fazer isso com milhões de eleitores ao mesmo tempo? A letra da música ”Águas de Março”, de Tom Jobim, ilustra há muito tempo este comportamento de dor e esperança sem ação. “É o fundo do poço, é o fim do caminho. No rosto, o desgosto, é um pouco sozinho. É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto.  É um pingo pingando, é uma conta, é um conto. É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando. É a luz da manhã, é o tijolo chegando. É a lenha, é o dia, é o fim da picada. É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada”.

 

A construção de um novo Brasil passa pela conclusão da “Lava Jato”, passa pela independência dos Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), passa pelas reformas previdenciária, tributária, trabalhista, do código penal, mas também por um novo jeito das pessoas exercerem a cidadania, um novo jeito de estar no mundo.

 

Não há mágica, nem milagre, muito menos milagreiros. Descontentamento não conduz a dias melhores, mas não deixa de ser uma etapa interessante e necessária para a mudança. Precisamos urgente de um cidadão diferente, melhor! O mais “é o projeto da casa, é o corpo na cama. É o carro enguiçado, é a lama, é a lama. É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã. É um resto de mato, na luz da manhã. São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração”. Promessa, mera promessa. Sem trilho, sem trem, sem túnel e sem luz.

 

*JOÃO EDISOM é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso e colaborador do HiperNotícias.

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