Quinta-Feira, 26 de Abril de 2018, 08h:10

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Saudade: presente!

Levar a namorada pra casa era a mesma coisa que ir para o quartel

Por: EDUARDO POVOAS

Mayke Toscano

Eduardo Póvoas/artigo

 

Adoro caminhar pelo centro histórico da nossa cidade. Isso me faz tão bem que, minha mente, ao chegar em casa, está totalmente arejada por coisas boas.

 

Vejo as ruas que quando criança passeava por elas, vejo os bancos da Praça Alencastro totalmente diferentes daqueles que conheci na infância, mas com o mesmo ar de saudosismo dos antigos, olho para a direita parece que enxergo o bar do Bugre e o bar Pinheiro com suas mesas e cadeiras de ferro na calçada, paro e sento em um dos bancos da praça para ver a “Preta” com seu longo e rodado vestido chamando as crianças para brincar de roda, e num momento singular escuto no fundo o barulho das águas da fonte luminosa dançando sob os acordes das banda do 16 BC que no coreto nos brindava com uma bela retreta.

 

De repente a praça enche de gente vindo da Av Getúlio Vargas e da Pedro Celestino. Os que vinham da Pedro Celestino, na grande maioria, vinham com uma “casquinha” de sorvete na mão, sinal que após o filme do Cine Bandeirantes passaram na sorveteria do Seror para degustar seu maravilhoso sorvete, e os que adentravam à praça pela Getúlio Vargas saiam ou do Cine Teatro Cuiabá ou do magnifico Cine Tropical, a maior casa de projeção do Centro Oeste brasileiro à época.

 

A praça estava cheia. O footing era o máximo. Chegávamos a dar de cinco a dez voltas na praça, isto para quem desfilava com sua namoradinha de mão dada longe das vistas da mãe ou do pai, por que aqueles que não tinham namorada davam tantas voltas quantas necessárias fossem para arrumar uma ou até a praça se esvaziar, coisa que não passava das dez horas (o máximo).

 

Levar a namorada pra casa era a mesma coisa que ir para o quartel. O pai só deixava a namorada sair com uma “vela”. E a vela não dava trégua pra nada.

  

Chegando perto da casa dela, olho aberto pois o pai na maioria dos casos não permitia nem ao menos dar a mão. O olho tinha que estar abertíssimo.

 

Um beijinho, só roubado e ainda em lugar de completa descrição.

 

Na manhã seguinte, segunda feira, estávamos as sete da manhã em fila no Colégio Estadual escutando um “bom dia” (sempre um recado) do Prof. Diretor Sebastiao de Figueiredo e depois cantando o hino nacional.  

 

Na sala de aula esperava-nos um dos maiores Professores da minha vida, o Engenheiro Joao  Curvo Neto para nos presentear com uma bela aula de Física.

 

No recreio, invariavelmente um de nós “fugia” do colégio dando um pulo no bar do Sinfrônio para  buscar  para todos os outros, o maravilhoso e incomparável picolé de groselha.

 

Aí  acordei..........

 

*EDUARDO PÓVOAS é pós graduado pela UFRJ.

 

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