Quarta-Feira, 19 de Abril de 2017, 16h:33

Tamanho do texto A - A+

O Brasil não precisa de heróis, precisa de educação!

É muito triste ver gente atrás de seus próprios “chapolins colorados” para salvar o país dos outros

Por: JOÃO EDISOM

 

Facebook

João Edisom

 

Na onda da lista da Lava Jato tem muita gente se descabelando e gritando “ninguém mais presta! E agora, como vamos ficar?”. Como se para uma nação existir e desenvolver precisasse de um herói. O que faz uma nação próspera é o povo que nela habita, através do trabalho árduo e do comprometimento patriótico com o bem público. Afinal, “miserável país aquele que precisa de heróis”, Bertolt Brecht.

 

É triste ver este desespero por um salvador da pátria. Como se nós, os brasileiros, não fossemos grandes o suficiente para viver sem os ditos líderes do “dinheiro na cueca”, sem os canastrões populistas e demagogos do “nunca antes na história”. Como afirmou Charles Chaplin, “a humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhe dadas pela sociedade, não pela natureza”.

 

Fazer pesquisas, passeatas, chamamentos e repetir nas listas nomes dos já emporcalhados ou desvairados prometedores de resoluções mágicas tem sido a cantilena dos partidários da boquinha que não conseguem largar a “teta” da zona de conforto e quer defender malandro neste país.

 

É muito triste ver gente atrás de seus próprios “chapolins colorados” para salvar o país dos outros. Outros quem, cara pálida? Como afirmava Herbert Spencer, “o culto dos heróis é mais forte onde a liberdade humana é menos respeitada”.

 

As investigações apontam todos os dias o dedo para o nariz daqueles que todos nós já sabíamos e que, apesar de militarem em partidos diferentes, propagar que defendem corrente diferentes, que representam correntes diferentes, usam da mesma cultura, da mesma prática de encontrar e aperfeiçoar fórmulas de surrupiar o dinheiro público.

 

Olhar para uma lista e ver que ainda há quem defenda o boquirroto do ex-presidente Lula, há quem baba para defender Aécio, ou FHC. Propagar frases espetaculosas aos Tiriricas, aos Bolsonaros, ou mesmo tentar salvar o sangue nas mãos daqueles que por mais de duas décadas atrasaram e mataram pessoas e o crescimento intelectual e educacional deste país é ser cego diante das reais necessidades desta terra. Como afirmou o Marquês de Maricá, “mudai os tempos, os lugares, as opiniões e circunstâncias e os grandes heróis se tornarão pequenos e insignificantes homens”.

 

Precisamos de uma educação para além das ideologias seletivas, uma educação para além do emburrecimento da defesa do quanto pior melhor. Precisamos de uma educação voltada para responsabilidade enquanto cidadão. Chega de colocar filhos no mundo para o Estado dar educação, saúde, moradia e presídio. Precisamos de uma educação que volte o cidadão para o trabalho, pois é a atividade que dignifica o homem.

 

O Brasil terá jeito no dia que o brasileiro cuidar de seu quintal, de seus filhos, de sua própria educação. O dia que quem trabalha de verdade for chamado e respeitado enquanto trabalhador. O dia que aprender que a igualdade de oportunidade deverá ser aplicada inclusive entre os diferentes, mas que o resultado final depende do esforço e comprometimento de cada um.

 

Hoje o país está preparado para malandros. Não é por acaso que a lista dos espertalhões é grande e, se a justiça deixar, não tenha dúvida que os espertalhões de cá irão reconduzi-los ao poder quantas vezes eles desejarem. Políticos e povo são a mesma coisa. Assim como a proporcionalidade dos envolvidos também. Há aqui eleitores comprometidos em mantê-los no comando do país.

 

Portanto, não precisamos de heróis. Precisamos de gente educada, honesta, trabalhadora e responsável com o bem público. Não é fácil, mas não há outro caminho. Acredito, assim como afirmou Immanuel Kant, que “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Ou, como afirmou Aristóteles, “a educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”. Precisamos, na verdade, de bons administradores com boa formação e não de Chapolins Colorados nos castelos do poder.

 

*JOÃO EDISOM é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso e colaborador do HiperNotícias.

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei