Sexta-Feira, 24 de Agosto de 2018, 08h:00

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Justiça tardia

Nada mais é do que injustiça institucionalizada

Por: LICIO ANTONIO MALHEIROS

Divulgação

Lício Malheiros

 

Como explicar a população brasileira, a vida por respostas rápidas e conclusivas, a cerca de um tema emblemático que assola nosso país, a corrupção, quando um gestor público comete ilicitudes, usando verbas públicas de forma vergonhosa e imoral, através da malversação da mesma, ele é descoberto praticando esta insanidade, porém, 20 anos depois, o mesmo vem a ser preso e perde seu mandato. O que norteia essa imoralidade esse escárnio com o dinheiro público, tem nome, imunidade parlamentar, é formada por um conjunto de garantias dadas aos parlamentares, esta benesse, deveria  na verdade se chamar, impunidade parlamentar.

 

 Existe em nosso país, um caso emblemático envolvendo um político famoso, que há muitos anos, pousa de bom senhor, que na verdade cometeu verdadeiras atrocidades com dinheiro público, dinheiro este, que poderia ser investido em: saúde, educação, transporte, saneamento básico e por ai vai, foi desviado de forma vergonhosa e imoral.

 

Passaram-se 20 anos, e este parlamentar, participava de palanques eleitorais, pousando de paladino da moralidade, sendo que o mesmo, em sua administração em São Paulo, já havia sido detectado uma série de irregularidades, entre as quais; muitas delas já estão prescritas, ou seja, não pode haver punição porque o judiciário demorou demais.

 

Reporto-me ao deputado federal, Paulo Maluf (PP-SP), ex-prefeito da maior cidade do país, somente em 2017, através da decisão do ministro do Supremo Edson Fachin, o colocou na cadeia, lugar este, que ele deveria estar a muitos anos.

 

A morosidade e quantidade exacerbada de recursos impetrados pelos advogados, pautados nas leis vigentes em nosso país, acaba criando verdadeiros monstros políticos, esta morosidade favorece o infrator, que tem a maioria dos seus crimes de improbidade administrativa prescritos, como este senhor Paulo Maluf, que somente aos 86 anos, em seu quarto mandato na Câmara dos Deputados, foi condenado a 7 anos e 9 meses de cadeia, em maio de 2017, pelo crime de lavagem de dinheiro referente a atos praticados durante a sua gestão à frente da prefeitura de São Paulo, entre 1993 e 1996.

 

A condenação do deputado diz respeito à tentativa de ocultar dinheiro proveniente de um desvio de US$ 15 milhões de um total de US$ 172 milhões na construção da Avenida Água Espraiada, atualmente chamada Avenida Roberto Marinho, na capital paulista.

 

Vejam e observem a perspicácia, dos advogados do senhor Paulo Maluf, mesmo afastado da prefeitura de São Paulo, conseguiram engendrar manobras, entre os anos de 1998 e 2006, de forma permanente, ocultou dissimulou vultosos valores oriundos da perpetuação do delito de corrupção passiva, utilizando para isso diversas contas bancárias e fundos de investimento.

 

De sã consciência, prender esse senhor com quase 90 anos, perder seu mandato de deputado Federal, acaba se tornando justiça tardia; uma vez que o estrago já foi feito, e todos nós de forma direta ou indireta, estamos pagando essa conta vergonhosa e imoral, fruto da morosidade e brechas que as leis brasileiras lhes facultam, capitaneada por leis brandas que favorecem o infrator.

 

“Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada” Rui Barbosa.

 

Pare o mundo, quero descer!

 

*LICIO MALHEIROS é Professor, e geógrafo .

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