Terça-Feira 17 de Janeiro de 2017
pesquisas

Quarta-Feira, 11 de Janeiro de 2017, 08h:30

Tamanho do texto A - A+

Futuros amantes

Amarão com o amor que você deixou. E você amará, também, com o amor deixado por outros

Por: MARCELO DANTAS RIBEIRO

 

Divulgação

Marcelo Dantas Ribeiro

 

Fernanda era jovem e vinha de relacionamentos esquisitos na vida. Em viagem ao Rio, encantou-se com o Cristo, com o Pão, com Ipanema e com… Luísa. Ficaram. Transaram. E foi muito gostoso. E a cidade dos encantos mil de repente se resumiu a apenas um. Fernanda voltou para Cuiabá querendo conhecer mais a bela moça, e o sentimento pareceu recíproco.

 

Passadas algumas semanas de conversa, Luísa disse a Fernanda que não gostava de ficar com várias pessoas, e que prezava pela exclusividade em seus relacionamentos. Fernanda, movida por misterioso sentimento, imediatamente cortou toda e qualquer relação romântico-afetiva, presencial ou a distância, com outras mulheres. Ela havia gostado de Luísa a ponto disto.

 

Fernanda, no entanto, sabia que relacionamento a distância era difícil. Havia o desejo do toque. Do calor do hálito. Do olho no olho. Lábio no lábio. Corpo no corpo. Incluiu, assim, viagens mensais ao Rio em sua rotina, a fim de se encontrar com a moça que tanto mudou seu pensamento. Descobriu, por fim, que foi a única a levar a exclusividade a sério.

 

“Era uma surpresa para ela, Pedro”, queixou-se Fernanda.

 

“E foi você a surpreendida.”

 

“Ela se chamava Carla e estava usando a minha camisola.”

 

“Fernanda, é uma pena….”

 

“O que ela tem que eu não tenho?”

 

“Fernanda, …”

 

“E aqueles peitos caídos?! E aquela flacidez toda?!”

 

“Fernanda! É uma pena que você esteja passando por isso. Sua dor é imensa. Mas não lamento pelos seus sentimentos. Eu ficaria surpreso se você não estivesse nervosa ou frustrada. Pior seria perder a sensibilidade. Você se importava. Você amava.”

 

“Amar é um termo muito forte. Eu estava ficando. É bem diferente.”

 

Talvez Fernanda estivesse errada. Ficar também é uma forma de amar. Talvez não seja a mais idealizada, mas é amor. Talvez não seja a forma mais romântica ou poética, mas é o amor que temos hoje. E esse jeito de amar tem a sua importância.

 

“Você amava, Fernanda”, disse Pedro. “Não que fosse sua intenção casar-se com Luísa e com ela ter filhos. Mas vocês partilhavam companhia. Partilhavam nudez, carícias e intimidades. E você, em especial, criava expectativas, mesmo que pequenas. Desvalorizar o que se perdeu é um mecanismo de defesa.”

 

“Tá, então eu amava”, respondeu Fernanda, afobada. “O que eu faço com esse amor que ainda sinto por Luísa?”

 

“Pode doer — e vai — o que vou te dizer. Você só será livre quando compreender que este amor que ainda sente não é mais seu. Mas o amor nunca se perde. Ele espera, em silêncio, num fundo de armário, como já cantou Chico Buarque. Amarão com o amor que você deixou. E você amará, também, com o amor deixado por outros.”

 

*MARCELO DANTAS RIBEIRO é bacharel em Direito pela UFMT. mdrlv@me.com

Avalie esta matéria: Gostei +1 | Não gostei








7 Comentários

Léo Silva - 13/01/2017

Meu querido amigo, escreves muito bem.

Bruno Cesar - 13/01/2017

Amei!!! Lindo texto.

Jeani Souza - 12/01/2017

Adorei!"

Jeani Souza - 12/01/2017

Parabéns, querido!

Joel Filho - 12/01/2017

Gostei bastante

Gustavo Pael - 11/01/2017

Parabéns pelo texto

Amanda Lima - 11/01/2017

Que reflexão linda!!!

INíCIO
ANTERIOR
PRÓXIMA
ÚLTIMA
Nó de Cachorro

Nó de Cachorro

Secretário dá tom de despedida

Conselheiro oficialmente afastado

Bancada de MT que se cuide

Deputados articularam indicação

Mais Notas

Últimas Notícias

Mais Lidas

Mais Comentadas