Quarta-Feira, 30 de Agosto de 2017, 14h:36

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Dívida pública e corrupção

O Brasil está como refém nas mãos de agiotas nacionais e internacionais

Por: JUACY DA SILVA

 

Hugo Dias/HiperNotícias

Juacy da Silva

 

Existem inúmeros problemas e desafios que estão inviabilização o Brasil, condenando nosso pais e a população a dias terríveis, como aconteceu na Grécia, na Argentina, na Itália e esta acontecendo na Venezuela, na Coreia do Sul e tantos outros países.

 

Dentre  esses problemas podemos destacar dois que podem ser considerados como base da matriz das desgraças brasileiras: primeiro a corrupção, que destrói as instituições, a credibilidade das autoridades e roubam literalmente e explicitamente como tem sido demonstrados  por vídeos onde autoridades recebem pacotes de dinheiro vivo, como aconteceu em Mato Grosso e também revelados na delação da JBS e anteriormente com gente importante escondendo dinheiro sujo na cueca, malas pretas etc., recursos já escassos para atender as necessidades e aspirações do povo e para políticas públicas.

 

O segundo problema que estrangula as finanças públicas e a gestão orçamentária é o crescimento vertiginoso da divida publica, que consome  praticamente metade do OGU, Orçamento Geral da União. O Brasil  está  como refém nas mãos de agiotas nacionais e internacionais, que  é o sistema financeiro.

 

Só o pagamento de juros consome mais recursos orçamentários do que os gastos com pessoal  e a rolagem/refinanciamento da Divida Pública consome praticamente o dobro do que o Governo Federal gasta com a previdência publica e o INSS. Portanto, os  verdadeiros problemas não são os que o Governo Temer e também de sua parceira Dilma sempre falavam e falam.  Existe muitas meias verdades ou mentiras nos discursos tanto do Presidente da República  quanto do Ministro da Fazenda e de toda a cúpula governamental e dos parlamentares, políticos e partidos que apoiam o Governo Temer, como apoiaram os governos anteriores, visando escamotear a verdadeira  natureza dos  reais problemas nacionais.

 

A grande “sacanagem” desta manipulação é  como o Governo, aliado dos grandes grupos empresariais e dos banqueiros nacionais e internacionais, constroem um modelo em que a conta  do mesmo é paga pelos trabalhadores e contribuintes, os quais tem serviços públicos cada vez de pior qualidade e congelados pelos próximos 20 anos, enquanto nada foi dito e nem feito para  reduzir os custos monstruosos desta dívida. O Brasil e a população estão como prisioneiros nas mãos de verdadeiros agiotas financeiros, contando com o beneplácito  e omissão de nossos governantes.

 

A pergunta que a população  faz é a seguinte: porque os gastos com a dívida pública tanto da União, quanto de estados e municípios não foram congelados,  da mesma forma que o Governo Temer, Governos Estaduais e Prefeitos estão congelando os salários e cortando direitos dos trabalhadores em geral e dos servidores públicos em particular?

 

Outra pergunta, se em todos os setores da administração federal, estaduais e municipais a corrupção corre solta, será que exatamente no setor que mais recursos públicos, mais de um trilhão de reais a cada ano, que é a dívida pública seria o único setor imune à corrupção?

 

Por que o Governo Temer, da mesma forma que os governos petistas de  Lula e Dilma, que tiveram o PMDB  de Temer como o grande aliado, se recusa e se recusaram a realizar  uma auditoria cidadã  e independente  sobre a dívida pública?

 

No Brasil quando Getúlio Vargas realizou uma grande auditoria, uma verdadeira devassa sobre a divida pública,  o valor total da mesma  foi reduzida em quase um terço, ou seja, havia muita falcatrua neste setor.  Outros países também assim fizeram, como o Equador que, recentemente fez  uma auditoria independente sobre a divida pública daquele país e também foi constatado muitas falhas contábeis, possibilitando também a redução em mais de um terço da divida que há décadas, como no Brasil, está garroteando os países e a população.

 

O momento exige que continuemos de “olho vivo” no combate à corrupção, em todos os setores e níveis da administração, inclusive nas relações entre os setores públicos e privados, onde ocorrem os maiores casos de corrupção; e também promover análises, debates e exigir que o Congresso Nacional  coloque na pauta de discussões  a necessidade de uma auditoria independente e cidadã da divida pública.

 

*JUACY DA SILVA é  professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, colaborador e articulista de jornais, sites, blogs e outros veículos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

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