Quinta-Feira, 14 de Março de 2019, 08h:08

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Depressão, uma profunda desconexão do eu

A desconexão profunda com o eu ocorre quando estamos desconectados do nosso pai ou nossa mãe. Nós recebemos de nossos pais a Vida ...

Por: DUMARA VOLPATO*

Divulgação

Dumara Volpato

 

 

Quais são as causas da depressão? O que as constelações familiares explicam a respeito desse sintoma? Usamos a palavra sintoma na visão sistêmica para descrever uma doença ou algo físico vivenciado pelo cliente. Recebi essas perguntas e hoje estou querendo compartilhar algo que aprendi a respeito do tema.

As informações que passo aqui foram adquiridas através das experiências com as constelações e não são como uma receita, cada caso é único e precisa ser vivenciado no movimento de constelação para saber a verdadeira origem do sintoma. Feita essa ressalva, seguimos.

Em linhas gerais a pessoa que chega para um atendimento com o sintoma de depressão revela uma desconexão profunda com o eu. Isso ocorre quando estamos desconectados do nosso pai ou nossa mãe. Nós recebemos de nossos pais a Vida e com ela, por meio do nosso DNA  todas as características do nosso ser. Assim, podemos afirmar que somos 50% papai e 50% mamãe. Quando nos colocamos em uma postura interna de que não precisamos de nossos pais, rejeitando ou criticando eles no que fazem ou como fazem, estamos rejeitando e criticando a nós mesmos. Isso causa um distanciamento de nossa essência, uma desconexão do que somos e qual o nosso propósito aqui.

Nas constelações usamos o termo “tomar” os pais. Faço uma pausa aqui para explicar o que é esse verbo “tomar” que Bert Hellinger, criador das constelações familiares, usa frequentemente. Esta palavra indica um movimento de busca, ou seja, a pessoa que toma algo, se movimenta até o que lhe é necessário e o traz para si. Desde de que nascemos somos dependentes de alguém maior que tenha a capacidade de nos alimentar e nos cuidar até que possamos fazer por nós mesmos. Um bebê sente fome e para que ele sacie sua necessidade, ele chora, então, a mãe supre a sua urgência e ele mama o leite. Primeiramente mostra sua necessidade e depois, ativamente, suga o leite materno para saciar sua fome. Ele “toma” o que é necessário para sua sobrevivência.

Ao que se vê pelas experiências nas constelações familiares, quando uma pessoa sofre de depressão ela está em um distanciamento do pai, da mãe ou de ambos, ou seja, ela, por algum motivo, não tomou seus pais e isso pode acontecer por várias razões. Vou exemplificar uma delas.  

Uma criança ganha um irmãozinho mais novo e sua mãe começa a dar atenção ao bebê e por vezes não tem tempo para a criança. Aquela criança começa a ficar triste com sua mãe e começa a se distanciar. Ela cresce e aquele sentimento de tristeza vira uma mágoa e ela ainda acha que está sendo deixada de lado, como se a mãe não a percebesse. Como criança, ela não percebe que sua mãe está fazendo o melhor possível para atender a demanda da Vida. Então, ela começa a pensar que não adianta mais pedir o que ela precisa para sua mãe, pois ela nunca lhe dá nada. Essa postura interna, gera uma desconexão com a mãe. A criança se desenvolve e na fase adulta tem uma grande autonomia, se torna uma pessoa decidida, que resolve as coisas por si mesmo, entretanto, não consegue manter essa autonomia por muito tempo e começa a apresentar sinais depressivos até que seja diagnosticado o sintoma de depressão e geralmente acontece quando o quadro já está bem avançado. Em regra, os depressivos são pessoas que não sabem pedir ajuda, pois não souberam mostrar suas necessidades para os pais e quando chegam a procurar auxilio já estão em situação bem difícil. Adotam uma postura inconsciente de cobrança aos pais, como se dissessem o que vocês me deram não foi o suficiente, falta algo. Para que possamos reverter essa situação se faz necessário reconhecer que somos pequenos, quando nos colocamos diante de nossos pais como pequenos, reconhecendo que sua grandeza está no simples fato de eles terem gerado a Vida, começamos a “tomar” nossos pais, adotamos uma postura interna de aceitá-los do jeito que são e de aceitar que a Vida chegou até nós da maneira que foi.  Esse movimento nos permite abrir o fluxo de receber, recebemos de nossos pais aquilo que eles puderam nos dar, recebemos isso de bom grado. Independente da quantia que foi ou da forma que foi e, receber isso com o coração aberto, sem julgamento, nos faz sentir preenchidos, completos, já não há necessidade de cobrar e sentimos um impulso de oferecer.  Uma pessoa que está verdadeiramente conectada com os pais, ela tem força, ânimo, ela se alegra, vive tão agradecida e completa que sente a necessidade de servir o outro, ela vibra em uma conexão com a vida e assim afasta de si possíveis sintomas de depressão.

(*) DUMARA VOLPATO é advogada e Terapeuta em Constelação Familiar  com Curso em Hellinger Sciencia pelo Instituto Hellinger do Brasil; Formação em Constelação Familiar pelo Instituto CreSer de Campo Grande – MS; Curso de Aprofundamento em Novas Constelações e Curso de Análise Transacional pelo Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier; e Praticante Profissional de Cura Reconectiva e Reconexão, pelo The Reconection, Califórnia – EUA. E-mail: dumaravolpato@gmail.com

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1 Comentários

Citizenship - 14/03/2019

Jacques Lacan tem uma proposta psicanalítica melhor estruturada e não se questiona a idoneidade da reflexão que ele elabora. Já encontrei publicações atribuindo à teoria das "Constelações Familiares" o adjetivo de charlatanismo.

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