Sexta-Feira, 29 de Setembro de 2017, 08h:04

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Assédio ou perseguição política?

Nada mais injusto do que punir primeiro, sobretudo por motivos políticos, para apurar os fatos depois

Por: FRANCISCO VIANA

 

Arquivo Pessoal

Francisco Viana

 

A pergunta que envolve o secretário de comunicação (afastado por ordem judicial) do governo do Mato Grosso, Kleber Lima, não para de dar voltas na cabeça. Qual a origem das denúncias de assédio sexual e improbidade administrativa? Logo contra Kleber Lima, profissional de excelente reputação, de primeira linha, e zeloso quanto à suas responsabilidades. Por que? 

 

Creio, que parte do espírito de sede de justiça que mobiliza o país contaminou a justiça do Mato Grosso e, isso, levou ao afastamento do secretário Kleber. Por que não apurar as denúncias primeiro e, então, se for o caso aplicar punições?

 

Nada mais injusto do que punir primeiro, sobretudo por motivos políticos, para apurar os fatos depois. Maria Antonieta, no auge da Revolução Francesa, foi guilhotinada sob acusação de ter comprado um colar que sequer jamais viu. De nada adiantou se defender. Quando a verdade veio à tona, no século XX, ela já estava morta. Claro, Kleber não é Antonieta, nem o Brasil vive a gloriosa Revolução Francesa.  Mas o exemplo serve para mostra os erros que se pode cometer em nome da justiça. No caso específico, atacou- se o que o homem (no sentido de humanidade) tem de mais precioso: a sua reputação. Em sua defesa, Kleber Lima tem sua vitoriosa trajetória. Rui Barbosa recomendava que, em situações parecidas, se deixasse que as boas notícias naturalmente expulsassem as más. Chegou a hora mudar o receituário. Torna-se necessário enfatizar as boas notícias; neutralizar as más com o recurso insofismável dos fatos. Mas as boas notícias precisam ser ainda mais visíveis. Pois se há um profissional de reputação ilibada - em grego seria a arte do bem viver - este é Kleber Lima.  E os fatos irão mostrar suas vastas qualidades.

 

*FRANCISCO VIANA é jornalista e doutor em Filosofia Política (PUC-SP). 

 

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1 Comentários

Citizenship - 01/10/2017

Em outro site, divulgou-se a informação de que teria havido uma afirmação do acusado Kleber Lima segundo qual ele demitiria determinada pessoa se esta não fosse concursada por causa de sua divergência política com a linha ideológica do governo estadual. Ora, na condição de autoridade pública, o Secretário assume compromisso institucional com a sociedade e não pode dispor do aparato estatal para fazer confrontação ideológica e muito menos submeter uma pessoa que lhe seja subordinada administrativamente a uma condição de humilhação pelo simples fato de divergir de sua orientação política. Infelizmente, no caso do assédio moral por razões ideológicas, como é este caso, o Secretário dependeria de que a própria vítima viesse a público afirmar que o episódio não ocorreu e o defendesse, porquanto de outro modo, mantendo-se no cargo, com o comando das ações, a mera hipótese de que atue da forma descrita torna inapropriada a sua manutenção no cargo. Fora do cargo de comando, demonstrado, na investigação e no processo, que não houve a ocorrência do episódio de que lhe acusam, o acusado pode retornar para o cargo, se assim dispuser o Governador, sem causar prejuízo para a função institucional de que fora antes revestido.

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