Sábado, 08 de Setembro de 2018, 08h:00

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As eleições e a crise brasileira

A superação temporária da crise se deu por um pacto entre as elites do poder

Por: JUACY DA SILVA

Hugo Dias/HiperNotícias

Juacy da Silva

 

Muita gente imagina que eleições resolvem os problemas que afligem o país ao longo de décadas ou séculos ou que um salvador da pátria deverá emergir das urnas e, como em um passe de mágica tudo estará resolvido. Isto é uma grande mistificação, uma falácia, um grande engodo que precisa ser analisado, debatido para que o povo não caia em verdadeiras armadilhas que favorecem apenas os donos do poder, como tem acontecido ao longo da história de nosso país.

 

Eleições em uma “democracia” corroida pela corrupção das elites governantes e empresariais, pelo fisiologismo, pelo nepotismo e pelos privilegios dos marajás da Repúbica enquistados nos tres poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, em todos os estados e municipios jamais será a chave para que o país encontre seu verdadeiro destino que abra espaço para que as camadas excluidos possam também terem o seu quinhão nos frutos do desenvolvimento.

 

Precisamos de reformas e transformações profundas das estruturas que favorecem a concentração de renda, riqueza, privilégios e oportunidades, que alterrem radicalmente as estruturas politicas, econômicas e sociais; sem isso, cada eleição nada mais é do que um momento do despertar das esperanças do povo e, logo a seguir, voltar as frustrações como temos vivido ao longo de tantas decadas. Por isso, precisamos refletir e conhecer melhor nossa história para deixarmos de ser enganados e manipulados por um marketing falacioso e oportunista.

 

A crise pela qual o Brasil vem passando e que a cada dia, cada ano se torna mais grave e quase insolúvel vem de longe. Basta olharmos para nossa história e vamos perceber que a mesma é pontuada por diversos momentos críticos e extremamente grave como o atual.

 

Dentro de pouco mais de uma década estaremos “comemorando” um século da chegada de Getúlio Vargas ao poder  e, desde entao, nosso país vem vivendo “crises em cima de crises” ou “crises dentro da crise”. Se assim acontece podemos identificar, por exemplo, a constituinte de 1934 com uma constituição liberal, rompendo com as amarras da República Velha, da politica do café com leite; seguida de uma grande frustração nacional quando da decretação do Estado Novo, a ditadura civil, com apoio das Forças Armadas, que vigorou de 1937 até 1945, com a queda de Getúlio Vargas.

 

A seguir, o Brasil vive um periodo de relativa estabibilidade politica com o governo do GENERAL/MARECHAL Dutra e o retorno de Vargas nos braços do povo, com sua eleição “democrática” e um novo periodo populista do antigo ditador, cujo governo acabou sendo fustigado pelas acusações de corrupção, cuja crise que levou o velho ditador e o tão aclamado “pai dos pobres”  ao suicidio, em 24 de Agosto de 1954, seguindo-se um arremedo de crise que foi “pacificada” com a eleição de JK e seu governo desenvolvimentista e toda a farra/corrupção quando da construção de Brasília.

 

O Governo JK, apesar de sua característica pessoal de um presidente extremamente habilidoso e conciliador, não evitou algumas tentativas de golpe por parte dos militares, como aconteceu com as “rebeliões” de Aragarças e Jacareacanga.

 

Empunhando a Bandeira do combate `a corrupcao, cujo símbolo era a vassoura, demonstrando a vontade de varrer todas as safadezeas, mau uso do dinheiro público, enfim, a corrupção que corria solta pelo Brasil afora, como nos dias de hoje, Jânio Quadros saiu-se vitorioso em sua cruzada, muito parecida com a atual, em tempos de LAVA JATO.

 

Como mais um político populista, moralista e extremamente demagogo Jânio Quadros foi eleito, recebendo votos de todos os espectros do eleitorado e, como naquela época os eleitores votavam tanto para presidente quanto para vice presidente da República separadamente, foram eleitos Jânio com apoio da UDN  e João Goulart, herdeiro politico de Getúlio Vargas, representando o movimento trabalhista/sindical ligado ao PTB e tambem as velhas oligarquias rurais/latifundiários que eram representada pelo PSD, antecessoras do atual agronegócio. Um casamento bastante extranho que todo mundo sabia que não iria dar certo, como de fato não deu.

 

Com menos de oito meses de governo, de forma repentina, enquanto o vice Joao Goulart estava visitando a China, no dia 25 de Agosto de 1961, DIA DO SOLDADO, Jânio Quadros abalou o Brasil com sua renúnica, abrindo novamente uma crise politica-militar com a tentativa das forcas conservadoras de impedirem a posse do vice presidente, acusado de comunista, levando o país `a beira da Guerra civil.

 

A superação temporária da crise se deu por um pacto entre as elites do poder, atraves da castração dos poderes do vice- presidente com a “aprovação” do parlamentarismo, que só ajudou a prolongar por alguns anos a crise.

 

João Goulart recuperou seus plenos poderes presidenciais atraves de um plebiscite que revogou o regime parlamentarista, retornando o Brasil, novamente ao regime presidencialista, só que o conflito ideológico a cada dia se apresentava de forma mais aguda, culminando com a derrubada de Goulart e o a intervenção militar em 31 de março de 1964, cuja história e estorias são bem mais conhecidas pela população.

 

Depois de 21 anos no poder, desgastados por uma série de problemas politicos, economicos, institucionais, internos e internacionais e a pressão das massas que lutavam pelo  fim do regime militar, o país deu um passo com vistas `a superacao de sua crise permanente, isto ocorreu através da eleição indireta de Tancredo Neves e José Sarney, antigo presidente do PDS, aliado dos militares.

 

Com a morte de Tancredo Neves, assume o poder o agora democraca Sarney que aceita convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, abrindo “mão” de um ano de seu mandato que era de seis anos, em nome da “pacificação nacional”, que, muitos imaginavam viria com a nova Constituição cidadã, como a denominava Ulysses Guimarães, ao lado de inúmeras figuras de renome e das massas populares que clamava nas ruas por DIRETAS JÁ, cujo símbolo tambem é identificado em Dante de Oliveira.

 

Voltarei  sobre este assunto proximamente.

 

*JUACY DA SILVA, professor universitario, aposentado UFMT, mestre em sociologia. Articulista e colaborador de diversos veiculos de comunicacao.

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