Segunda-Feira, 16 de Abril de 2018, 09h:03

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Redução do custo da ração gera aumento de 3,5% na produção de peixes em MT

Por: DÉBORA SIQUEIRA - ESPECIAL PARA O HIPERNOTÍCIAS

A redução no preço da ração – principal insumo da piscicultura – aliada ao uso de novas tecnologias, principalmente pela utilização de probióticos, que reduz a matéria orgânica, além da utilização de aeradores, que aumenta o oxigênio dissolvido na água e isso garante melhor produtividade, foram os responsáveis pelo aumento de 3,5% na produção de peixes em Mato Grosso. No ano passado a atividade atingiu cerca de 62 mil toneladas, representando 9% da produção brasileira, que foi de 697 mil toneladas. Em 2016 foram produzidos 59,9 mil quilos de peixe cultivado no Estado.

Marcos Lopes/HiperNotícias

Piscicultura/peixes/pedra 90

 

Mato Grosso já foi o maior produtor de peixe de água doce, contudo, perdeu espaço para os estados que passaram a cultivar a tilápia, o peixe mais consumido no país. “Paraná e São Paulo cresceram quase 20% baseado na produção de tilápia. Somente em janeiro é que Mato Grosso conseguiu aprovar a lei da piscicultura autorizando a criação de peixes exóticos no reservatório. Então, a partir deste ano é que a gente vai começar a observar um crescimento mais acentuado”, avalia o presidente da Associação dos Aquicultores de Mato Grosso (Aquamat), Daniel Garcia de Carvalho Melo.

Ele explica que a tilápia tem um mercado crescente, pois tem toda uma tecnologia de produção e tem um mercado muito grande no Brasil. A diferença da tilápia é que ela pode ser abatida com 900 gramas até 1,2 kg. O peixe nativo, o mais produzido em Mato Grosso, tem uma tradição de ser abatido com 2 quilos. Em virtude disso, a tilápia com 6 meses já pode ser comercializada e não tem aquele espinho em forma de Y que os outros peixes têm. Assim, é possível tirar um filé sem perder muito, mesmo ela estando pequena, ao contrário dos peixes nativos, em que é preciso esperar um ano até que ele atinja 2 quilos.

“Em Mato Grosso, a gente produz em grande escala o tambatinga e o pintado. 75% da produção do estado se concentra nesses dois peixes, sendo a maior parte de tambatinga. Em torno de 45 mil toneladas ficam dentro do mercado e o resto vai para fora, em estados como Goiás, Pará, Maranhão e Distrito Federal. O nosso peixe nativo também tem um mercado grande e que está se expandido pelo Brasil, especialmente aqui na região Centro-Oeste e começando a entrar na região do Nordeste”.

Qualificação de mão-de-obra

O gerente técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Carlos Augusto Zanata (Guto), disse que apesar da entidade não ter a tradição da criação de peixe e pescado em tanques, houve três treinamentos na área de criação de animais aquáticos com foco na piscicultura, construção de viveiros escavados, tanques rede e monitoramento da água e planejamento e desenvolvimento da piscicultura.

“Em 2017, tivemos uma capacitação de 1030 pessoas e isso mostra que há um mercado e existe uma qualificação da mão de obra. Assim como a gente assistiu na cadeia do leite há 15 anos, nós não tínhamos equipamentos e nem mão de obra qualificada porque era uma cadeia iniciante, então temos que qualificar o produtor para atender a demanda que está crescendo”, explica Guto.

O Senar precisa ser demandado pelos sindicatos rurais para formar mais trabalhadores no setor. “Nos polos que tem a atividade de piscicultura eles nos demandam e nós atendemos os produtores. A gente tem contato com associação, a Aquamat, e atendemos eles bastante, assim como a federação atende com representativa de classe. Tudo isso acontece de acordo com a evolução da cadeia, mas nós poderíamos ser mais demandados pela piscicultura porque temos condições de atender”.

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