Terça-Feira, 31 de Julho de 2018, 08h:28

Tamanho do texto A - A+

Projeto Redes Socioprodutivas mobiliza mais de 600 famílias

Por: REDAÇÃO

Em seis meses, projeto Redes Socioprodutivas mobiliza mais de 600 famílias em seis municípios do Norte e Noroeste de Mato Grosso. O projeto, realizado pelo Instituto Centro de Vida com apoio do Fundo Amazônia, encerra o primeiro semestre com um balanço positivo de atividades.

 

As ações foram centradas na constituição da equipe técnica, na preparação, nivelamento e capacitação desse grupo, bem como nos contatos iniciais com as organizações da agricultura familiar da região. Nestes primeiros seis meses, a equipe concluiu o mapeamento das cadeias de valor apoiadas e fez um planejamento de ações com 17 organizações comunitárias.

 

No total, estas organizações representam cerca de 600 famílias da agricultura familiar, que estão sendo diretamente beneficiadas pelo projeto nos seis municípios abrangidos pelo projeto: Alta Floresta, Paranaíta, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde, Colniza e Cotriguaçu.

 

“Foi um processo intenso de compreender as principais dificuldades que as famílias encontram nas diferentes etapas das cadeias socioprodutivas” diz Renato Farias, coordenador do projeto no ICV. “Além do olhar direto para as organizações apoiadas, estamos desenvolvendo trabalhos de pesquisa e construção de arranjos produtivos com outros atores e parceiros”, conta o coordenador.

 

As atividades realizadas com as organizações consistiram em desenvolver uma compreensão sobre o contexto atual das cadeias de valor dos produtos alvo do projeto, tanto no nível local quando nacional e global. Também foram analisadas e discutidas as principais tendências e oportunidades, fluxo dos produtos, informações e os atores envolvidos nas etapas de produção, transformação e distribuição até o consumidor final.

 

As Redes Socioprodutivas trabalham com hortifrutigranjeiros, pecuária leiteira, café, castanha-do-brasil, cacau e babaçu. O processo de análise das cadeias produtivas envolveu diversas reuniões com as organizações, entrevistas com agricultores, lideranças, mercados, secretários e técnicos municipais de diferentes pastas e também com consumidores.

 

Todas estas informações e diálogos serviram para identificar opções estratégicas para fortalecer as oportunidades de negócios das famílias engajadas nas Redes Socioprodutivas. “De forma geral, avaliamos que a contribuição do mapeamento na compreensão dos desafios e planejamento de ações foi essencial. Além disso, este projeto motivou e ampliou o engajamento destas pessoas, que são associadas ou cooperadas, em suas organizações”, diz Renato.

 

Para o produtor de café Claudio Roberto Gonçalves, da comunidade São Brás em Nova Bandeirantes, a vinda do projeto para sua comunidade foi um divisor de águas. “Com o apoio que estamos recebendo ficamos mais confiantes e acreditamos que vamos avançar em nossa produção”, anima-se Claudio.

 

Ração de babaçu

Uma das pesquisas promissoras que vem sendo realizada é o potencial dos subprodutos do babaçu na ração animal, desenvolvida em parceria com a UFSCAR, no âmbito do Programa em Resiliência da Agricultura Familiar, apoiado pelo projeto. Na primeira fase foi identificado o potencial dos subprodutos do ponto de vista da qualidade e digestibilidade, na forma como são produzidos pelas organizações engajadas.

 

Daqui pra frente, os subprodutos mais promissores – o mesocarpo, a torta e a castanha – serão utilizados para confecção de rações para gado de leite e de corte. A partir destes testes, será avaliada a produção e a qualidade do leite, bem como a produção de carne e a qualidade da carcaça, para ver qual das opções tem melhor aproveitamento.

 

As pesquisas com os produtos da sociodiversidade, como esta do babaçu, serão intensificadas no segundo semestre. As ações nesta próxima fase estarão focadas na melhoria da produção primária, com novos plantios, escalonamento da produção, melhoria da qualidade e investimentos em infraestrutura nas associações e cooperativas.

 

O projeto Redes Socioprodutivas é realizado pelo Instituto Centro de Vida, com apoio do Fundo Amazônia. Com duração prevista de dois anos, o projeto tem o desafio de fortalecer cadeias socioprodutivas com atratividade econômica que ajudam a manter a floresta em pé.

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei